Bayern caminha para perder seu único rival na Alemanha

Cada vez mais enxergo os duelos entre Bayern e Borussia Dortmund com clima de rivalidade um tanto forçado, vivendo do que foi até pouco tempo atrás. Não acho que o confronto esteja virando um Barcelona x Espanyol, mas também não vejo mais como um jogo de ânimos acirrados, como era entre os anos de 2012 e 2016. A realidade destes clubes sempre foi desigual, mas isso tem começado a refletir mais dentro de campo e o resultado está aí: um 6 a 0 como o de hoje, com enorme facilidade, em mais um verdadeiro espetáculo promovido por Jupp Heynckes. Se o Bayern forçasse no segundo tempo, o risco de marcar 10 seria enorme.


Esta temporada, embora faltando um pouco para acabar, já foi bastante cruel com a rivalidade. Estamos em março e só teremos outro duelo entre Bayern e Dortmund em prováveis sete meses. Considerando que ambos já jogaram duas partidas nesta atual Bundesliga (com duas vitórias do Bayern) e eles foram eliminados da Copa da Alemanha (pelo Bayern), a tendência é termos um Bayern x Schalke pela Supercopa da Alemanha, o que faria com que a próxima partida fosse apenas na próxima Bundesliga.


O Dortmund até ensaiou fazer alguma frente ao Bayern no começo dessa temporada. Técnico novo, time reforçado, ânimos renovados. Aliado a isso, a incompetência da diretoria bávara na janela de verão, com a perda de comando de Ancelotti pouco depois de uma pré-temporada horripilante. Parecia dar jogo. O hexa dava sinais de que estaria em risco. Mas, em pouquíssimo tempo e de forma um tanto inexplicável, os aurinegros entraram em declínio tão grande que, nem um mês depois de Jupp Heynckes reassumir, a Bundesliga já estava encaminhada. O título da principal competição do país estava encaminhado ainda em novembro no ano passado.


Reprodução/FC Bayern
Reprodução/FC Bayern

Massacrar o Dortmund é sempre bom, mas isso não pode virar uma constante


Claro que o primeiro argumento de muitos que leem esta triste constatação é culpar o Bayern por contratar jogadores do clube aurinegro e de outras agremiações. Só que a explicação para o esfriamento da rivalidade não é essa. Contratar todo mundo contrata: o próprio Dortmund é bem conhecido na Alemanha por priorizar o mercado interno, e os relacionados para a partida deste 31 de março de 2018 provam bem isso. Dos 18 levados ao jogo, 11 jogadores de Peter Stöger haviam sido contratados de clubes alemães - contra nove do Bayern. Pior: o Dortmund ainda gastou bem mais pelos 11 do que o Bayern pelos nove. Saber contratar: esse é o ponto.


Crescer e ser competitivo em nível internacional, dentro das regras atuais, é um case de sucesso exclusivo do Bayern. Nunca existirá outro clube que consiga tal feito em pouco tempo. O próprio Bayern demorou anos para ser financeiramente forte como é hoje. Sem alternativas, é por isso que o estudo do fim da regra de "50+1" acaba sendo um passo importante no que se refere ao potencial de atratividade do campeonato. Sofrerá forte resistência no começo, mas é a única saída para que o Bayern não fique sem um rival  nacional. Hoje só tem um, e a rivalidade está estremecida. Pelo bem da Bundesliga e também da Alemanha nos coeficientes da Uefa, torçamos para que essa regra seja validada antes de a chama da rivalidade contra os aurinegros apagar de vez.


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