Porto 0-0 Benfica: a redenção de Bruno Varela na Cidade do Porto

Reprodução/Twitter
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O goleiro benfiquista Bruno Varela fechou o gol no empate sem gols entre Porto e Benfica, no Estádio do Dragão


No dia 16 de setembro, um sábado, o Benfica perdeu sua invencibilidade na temporada 2017/2018 da Primeira Liga de Portugal frente ao Boavista, no Estádio do Bessa, na Cidade do Porto. A partida foi marcada por uma grande falha do goleiro Bruno Varela, que, em falta cobrada por Fábio Espinho, não conseguiu encaixar a bola e a viu passar pelos seus braços. O erro culminou no segundo gol da vitória de 2 a 1 dos Axadrezados e tirou o goleiro formado nas categorias de base das Águias do time titular.


De lá para cá, Júlio César e Mile Svilar alternaram o comando da baliza benfiquista. Mas o técnico Rui Vitória já avisara que não tinha desistido de Varela. E o jovem de 23 anos voltou a receber uma oportunidade justamente contra o seu ex-time, o Vitória de Setúbal, tanto na Taça de Portugal quanto na Liga.


Nesta sexta-feira, 1º de dezembro, lá estava ele na Cidade do Porto, novamente controlando a meta do Maior de Portugal. Dessa vez, em um clássico contra o Porto, com quem o Benfica constrói uma das maiores rivalidades do planeta, no Estádio do Dragão, na mesma cidade onde fora duramente criticado pelo "frango" diante do Boavista. Além de evitar o sucesso do ataque portista, que acumula 31 gols no campeonato português e é o primeiro neste quesito, Bruno Varela também tinha de exterminar um fantasma. E cumpriu suas tarefas com louvor.


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Moussa Marega e Bruno Varela: os grandes personagens do clássico entre Porto e Benfica


Em uma primeira etapa onde o Benfica obrigou o Porto a se defender nos minutos iniciais, o primeiro trabalho do arqueiro encarnado veio aos 31 minutos, quando Herrera pegou a sobra de um escanteio e chutou forte na entrada da área. Bem posicionado, Varela mandou a pelota para escanteio. Dois minutos mais tarde, fez defesa segura em finalização do brasileiro Alex Telles.


O goleiro do SLB foi muito mais exigido no segundo tempo. Logo aos cinco minutos, Brahimi veio da esquerda para o interior da área e bateu bem colocado. Varela espalmou e viu Aboubakar, livre de marcação, desequilibrar-se no rebote. Menos mal que o camaronês já havia sido flagrado em posição irregular.


Quando o relógio da etapa complementar marcava 11 minutos, aconteceu o lance mais polêmico do jogo. Alex Telles cruzou da esquerda, Sérgio Oliveira cabeceou e Aboubakar iria marcar um golaço de primeira. Iria. Pois Bruno Varela estava lá para impedir que o pior acontecesse. Mas onde está a polêmica? Está no rebote. Em posição legal, Herrera mandou a bola para o fundo das redes. Mas o árbitro auxiliar anulou o gol, alegando que o mexicano estava em colocação de impedimento.


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A grande defesa de Bruno Varela no lindo chute de Aboubakar


A pressão dos donos da casa continuou. Aos 13, Brahimi encontrou Marega nas costas de Jardel e, cara a cara, o malinês viu Varela ser gigante e evitar o tento com a ponta dos dedos. A mesma ponta dos dedos que se fez presente cinco minutos mais tarde, em chute de fora da área de Herrera.


A reta final do jogo reservou mais sofrimento para os benfiquistas. Zivkovic, que entrara em campo aos 31 minutos, recebeu dois cartões amarelos em seis minutos e deixou os visitantes com um homem a menos. Foi a expulsão mais rápida da história do Clássico.


Nesse contexto, o Glorioso tem muito a agradecer à displicência de Marega. O camisa 11 do FCP desperdiçou duas chances incríveis. A primeira foi aos 41, momento em que Alex Telles cruzou à área e o malinês, entre Luisão e Jardel, tentou rematar de primeira, mas o chute de direita fez a bola bater na sua perna esquerda, o que facilitou a vida de Varela. Na segunda, aos 49, tempo derradeiro do confronto, o mesmo Marega, outra vez entre Luisão e Jardel, não aproveitou cruzamento de Otávio e cabeceou por cima.


E as melhores chances do Benfica? No terceiro minuto de jogo, Pizzi escanteio, José Sá tentou afastar e Jonas não aproveitou a conclusão. A defesa azul e branca afastou. Aos 12, novamente na bola área, Sá se antecipou a Luisão. Já na etapa complementar, no minuto 41, a defesa do Porto bateu cabeça e Krovinovic saiu livre na cara de José Sá, porém chutou em cima do goleiro adversário. Nesse lance, faltou alguém do ataque bem posicionado dentro da área para dar opção de passe ao croata.


O que ficou de positivo para o Benfica no Clássico


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Jogadores do Porto lamentam chance desperdiçada por Marega: empate ficou de bom tamanho para o Benfica


No final das contas, o empate ficou de bom tamanho. O Benfica, agora com 30 pontos, segue vivo na corrida pelo 37º título nacional. A massa queria a vitória, é verdade, mas o 0 a 0 freou o rival, que já foi alcançado pelo Sporting na ponta e permanece com apenas três pontos de vantagem em relação ao maior campeão português.


Os Encarnados tiraram pontos de um rival que estava jogando em alto nível e apresentando o melhor futebol do campeonato - não à toa tem o melhor ataque, a melhor defesa e está invicto. Quando atacaram, mesmo em menor intensidade que os oponentes, deram trabalho, sobretudo pelaqualidade de Jonas, que importunou os defensores dos Dragões, e pela boa visão de jogo e pela habilidade de Krovinovic, que dá mais profundidade de jogo ao time lisboeta.


A tendência é que o resultado motive os comandados de Rui Vitória. As palavras do meia Salvio após o Clássico, em entrevista à emissora portuguesa Sport TV, não me deixam mentir: "Pensavam que estávamos mortos, mas estamos aí, só a três pontos."


No mais, a luta continua. E, nessa batalha, pode-se dizer que o soldado Bruno Varela está fortalecido. Bom para a saudável concorrência com Svilar - Júlio César pediu para sair - e bom para o sistema defensivo da equipe.