A torcida do Benfica tem (muita) razão em criticar Rui Vitória

Reprodução/Twitter
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Em sua terceira temporada no Benfica, Rui Vitória vive o pior momento no comando do Maior de Portugal


Está difícil confiar no Benfica de 2017/2018. Quando a gente ousa em pensar que o time vai engrenar, ele freia qualquer otimismo. Mesmo a apenas três pontos do topo da tabela do campeonato nacional, o atual tetracampeão português já foi eliminado da Uefa Champions League, com uma campanha extremamente vexatória, e da Taça de Portugal, em um contexto muito cruel para a autoestima dos adeptos. Nesta semana, a equipe se complicou na Taça da Liga de Portugal: em pleno Estádio da Luz, cedeu um empate em 2 a 2 ao Portimonense e já não depende mais de suas próprias forças para passar de fase.


Pois é, senhoras e senhores, a temporada nem chegou à metade e o Benfica corre sérios riscos de ter apenas a liga nacional para jogar. Cenário inimaginável para quem conquistou três títulos (Primeira Liga 2016/2017, Taça de Portugal 2016/2017 e Supertaça Cândido de Oliveira 2017) no ano civil de 2017.


O desastre parecia anunciado quando a consistente defesa da temporada passada, a menos vazada dos grandes campeonatos europeus, fora desmontada pelos assédios do mercado de transferências e não foi reposta à altura. Nesse caso, culpa total da diretoria. Afinal, a alta cúpula não se planejou adequadamente para uma temporada na qual os arquirrivais se fortaleceram - fato comprovado em campo; o Benfica hoje é a equipe com o futebol mais fraco do Trio de Ferro.


Técnico deve ser responsabilizado pelo futebol pobre


Mas onde entra o técnico Rui Vitória nesta história? Até que ponto ele tem de ser questionado? Pois então... Mesmo com o desmanche na última janela, não se pode dizer que o Benfica atual é time para terminar a Champions League com zero ponto, cair nas oitavas de final da Taça de Portugal e depender de resultados paralelos para avançar na Taça da Liga. Aí é que entra a responsabilidade do treinador, embora ele tenha sido vítima no desmonte.


A oscilação da equipe não vem de hoje. Tamanha irregularidade já se registrava na reta final da temporada passada. Quem acompanha o Blog Glorioso Encarnado desde o princípio já deve estar cansado de ver minhas críticas à carência de ideias que ocasionalmente atinge o time de Rui Vitória. Os jogadores trocam passes, é verdade. Entretanto, muitas vezes, veem os cruzamentos à área como a solução para se chegar ao gol. Isto é preocupante, pois tais jogadas deveriam ser vistas como um último recurso, não como o caminho a ser seguido.


Vários benfiquistas, de maneira bastante pejorativa, dizem que Rui Vitória não é um técnico de futebol, mas um "professor de ginástica". O comentário pode ser pesado, porém acaba sendo, ao mesmo tempo, uma crítica à falta de padrão de jogo do time. E esta pobreza tática passa claramente pelo técnico. A partir daí, o desmanche do time não pode mais servir como muletas para os desempenhos ruins. A pré-temporada e as pausas para a Data Fifa deveriam ter sido aliadas do plantel na questão do entrosamento. Deveriam.


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Rui Vitória parece perdido diante da inconstância do Benfica


Tomando como exemplo o empate da última quarta-feira (20), na Luz, frente a um Portimonense que nem estava com força máxima e, pior, perdeu o seu principal jogador (Paulinho) por lesão durante a partida, Rui Vitória foi conivente com a queda de ritmo a qual veio após a vantagem de 2 a 0, construída com gols de Jonas e Lisandro. Comprometeu a cabeça de área ao tirar Samaris e colocar Keaton Parks (é muito válido dar oportunidade a um garoto da base, mas... Ele não é volante! E a fogueira na qual entrou poderia ser prejudicial para o jovem de 20 anos) e matou o poder de criação de seus comandados ao sacar seu principal meio-campista (Pizzi) para colocar um atacante (Seferovic). O placar apontava 2 a 1 para os donos da casa e o perigo já se desenhava - o 2 a 2 acabou por se concretizar. Que orientação será que ele deu à beira do gramado?


E não para por aí. Sabem qual foi a justificativa do comandante na conferência de imprensa? "Nossa equipe não matou o jogo no segundo tempo. Desatenções pagam-se caro. Tínhamos o jogo controlado, mas a vida é mesmo assim". A vida é mesmo assim? Isto lá é coisa que se diga em uma temporada ruim, num momento em que a torcida só vê regressão nas partidas e necessita, portanto, de satisfação?!


Torcedores insatisfeitos


Existe uma linha tênue entre avaliar os comentários nas redes sociais e tomá-los como a opinião da torcida em geral. Contudo, sinceramente, não me passa pela cabeça que exista algum encarnado satisfeito com o trabalho de Rui Vitória nesta temporada. Basta olhar os comentários na página do clube no Facebook. O clima é de completo descrédito para com o treinador. Uma pena para quem ficou reconhecido no país por tirar o melhor dos jogadores - isto é uma virtude que nem todos os técnicos têm, especialmente a longo prazo, não se pode negar; todavia, é uma qualidade em falta na presente época.


"Hoje tenho que admitir que deixei de reconhecer a capacidade de Rui Vitória para continuar à frente do Benfica", escreveu João Santini. "Quando você marca no primeiro minuto e tem um treinador que manda logo recuar, diz bem a qualidade que esse senhor tem para estar ao leme do Benfica!", exclamou Alexandre Salsinha. "É por falta de modelo de jogo, é por falta de orientação tática, é por falta de discurso motivador da comissão técnica", sugere André Silva.


Beatriz Fernandes, por sua vez, indaga sobre a falta de regularidade da equipe: "Como é possível termos feito um jogaço no domingo frente ao Tondela e passado três dias fazermos uma exibição miserável frente ao Portimonense? É esta inconsistência e irregularidade que não nos deixa progredir".


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O Benfica está mal. 'Mas a vida é mesmo assim', né, Rui Vitória?


"O Benfica joga mal porque não tem treinador. Só não vê quem não quiser. Correm todos para onde vai a bola e mesmo assim ficam sem ela. Erram passes a torto e a direito, chegam até a passar a bola aos adversários dentro da área. Não têm força, perdem na disputa um a um e, no ultimo passe, a bola vai sempre para o lado errado", comenta Clarindo Silva Oliveira. "É vergonhoso ver a falta de atitude e (a falta) de vontade de ganhar!", completa Mônica Ladeiro.


"Chegamos ao Natal completamente eliminados de quase todas as competições. Isto num clube como o meu deveria ser proibido". Pois é, Francisco Capelas, este é o sentimento da massa. Estamos inconformados.


Mário Menezes foi um dos poucos a fazer referência à debandada de jogadores do início da temporada e a reconbecer as conquistas de outrora: "Foste bicampeão (nacional), (...) mas prepara uma saída que ainda pode ser pela porta grande. Todos estamos gratos, mas o teu ciclo chegou ao fim. (...) Se te tiram as condições para trabalhar, só tens uma saída: ir embora". Justo. Colocou tudo na balança. Passado à parte, o momento é mesmo de indignação.


E agora?


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Benfica de Rui Vitória pode virar o ano eliminado de três competições


Se o Vitória de Setúbal vencer o Braga em casa nesta sexta-feira (22), o SLB estará eliminado da Taça da Liga de Portugal. O resultado ideal para as Águias seguirem com chances matemáticas de classificação seria um empate. Daí bastariam um triunfo em Setúbal e um tropeço do Braga contra o Portimonense - ou uma vitória braguista por saldo de gols menor - para seguir adiante.


O Vitória FC x SL Benfica da sexta-feira da próxima semana (29) pode ser um jogo meramente protocolar. E depois vem logo um dérbi contra o Sporting no Estádio da Luz, marcado para o dia 3 de janeiro.


Pois é, um tropeço nas próprias pernas - ou melhor, na falta de convicção de seu treinador - criou uma pressão além da conta para os Encarnados às vésperas de uma partida decisiva para o futuro no campeonato nacional. Um clima de fim de feira em pleno mês de janeiro é tudo o que a maior torcida de Portugal não quer para uma temporada cheia de pesadelos.