Benfica vai muito pressionado para o dérbi contra o Sporting

Isabel Cutileiro/SL Benfica
Isabel Cutileiro/SL Benfica

Benfica e Sporting abrem 2018 com a promessa de um grande Dérbi no Estádio da Luz


Quis o destino (na verdade, quis a tabela da Primeira Liga de Portugal) que o primeiro jogo do Sport Lisboa e Benfica em 2018 fosse justamente um duelo com o maior rival na cidade de Lisboa. Na realidade, o Dérbi frente ao Sporting, marcado para o Estádio da Luz, estava originalmente agendado para perto do Natal, mais precisamente para o dia 20 de dezembro de 2017. Contudo, a necessidade urgente de realizar as duas últimas rodadas da primeira fase da Taça da Liga de Portugal adiou o grande encontro para a primeira semana do Ano Novo, mais precisamente para esta quarta-feira, dia 3 de janeiro.


A nova data, inclusive, pode ser útil para a audiência mundial do campeonato. Afinal, boa parte das ligas nacionais da Europa para nesta época devido ao inverno rigoroso.


Por outro lado, o final do ano passado foi um inferno para o Benfica. A eliminação precoce na Taça da Liga, com uma campanha modesta de três empates em três jogos (1 a 1 com o Braga e 2 a 2 com o Portimonense, ambos em casa, e 2 a 2 com o Vitória de Setúbal, fora de seus domínios), criou uma pressão desnecessária (no sentido de que poderia ter sido evitada) na Luz. Para se ter ideia do vexame, quem se classificou no grupo foi o Vitória FC, lanterna do Campeonato Português, que terá pela frente o surpreendente Oliveirense, da segunda divisão - Sporting e Porto fazem a outra semifinal.


Ainda na metade da temporada 2017/2018, a equipe comandada por Rui Vitória já está eliminada de três das quatro competições em curso: saiu da Uefa Champions League, da Taça de Portugal e da Taça da Liga e só está compromissada com a Primeira Liga. Pode ajudar a parte física dos jogadores? Talvez. No entanto, fere o orgulho da massa encarnada.


Nesse contexto, boa parte da responsabilidade recai sobre a diretoria encabeçada por Luís Filipe Vieira. O clube não fez um bom mercado na metade de 2017 e se vê obrigado a ir às compras nesta janela de transferências. Quem também está levando muita lapada é o técnico, cada vez mais impopular entre os torcedores. Rui Vitória ainda não encontrou o ponto de equilíbrio do elenco, que é nitidamente inferior ao da temporada passada, mas, honestamente, não é time para ter calendário magro na segunda metade de 2017/2018...


Isabel Cutileiro/SL Benfica
Isabel Cutileiro/SL Benfica

Rui Vitória ainda não achou o ponto de equilíbrio do Benfica na temporada 2017/2018. O Dérbi desta quarta-feira (3) pode renovar ou abaixar de vez a autoestima do técnico


Mesmo com uma história vitoriosa na Luz (duas Ligas, uma Taça de Portugal, uma Taça da Liga e duas Supertaças conquistadas, além do recorde absoluto de pontos somados no campeonato nacional), Vitória hoje aparenta estar perdido diante da inconstância do time. E terá uma prova de fogo no primeiro desafio de 2018. Outra oportunidade de igualar um rival na briga pelo título - o 0 a 0 na Cidade do Porto acabou ficando de bom tamanho pelas circunstâncias do jogo, porém o tempo urge e a necessidade de se agigantar nas decisões aumenta. Derrota é desastre. Empate é ruim. Só o triunfo interessa.


Ademais, fora dos gramados e dos vestiários, os dirigentes trocam farpas, como de praxe, numa verdadeira guerra de egos e de passionalidades. Recentemente, em Portugal, estourou um vazamento de milhares de e-mails e senhas de várias instituições, tais como órgãos de administração pública, empresas privadas e clubes de futebol, incluindo o próprio Benfica, o Porto e o Sporting, segundo o jornal Record. A revista Sábado define o fato como "o maior vazamento de informações pessoais da história de Portugal", traduzindo para o português brasileiro.


Mas o que mais circula na grande mídia lusitana são as acusações envolvendo dirigentes do SLB e dirigentes de arbitragem, nas falas dos cartolas - e até mesmo dos assessores de imprensa - do FCP e do SCP. Na capa do Record da última terça-feira (2), véspera do Dérbi Eterno, por exemplo, o presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, afirma que o Benfica "deveria descer de divisão". Na Terrinha é assim: falar do maior clube de Portugal dá mais mídia.


Isabel Cutileiro/SL Benfica
Isabel Cutileiro/SL Benfica

O time do Benfica tem de se preocupar em apresentar um bom futebol no Dérbi frente ao Sporting e em manter vivo o sonho do Penta, não com e-mails


Quem acompanha futebol português deve saber que o Porto, na década passada, foi associado aos escândalos do "Apito Dourado" e do "Apito Final", onde seu presidente, Jorge Nuno Pinto da Costa, foi acusado de crimes como corrupção desportiva, fuga da Justiça e envolvimento em manipulações de resultados. Entre as denúncias, um pagamento de prostitutas para o árbitro Jacinto Paixão, que apitou um jogo contra a Estrela da Amadora, na Cidade do Porto, vencido pelos Dragões por 2 a 0, e um pagamento de 2.500 euros ao árbitro Augusto Duarte, que apitou o empate em 0 a 0 com o Beira-Mar, fora de casa. Ambas as partidas foram em 2004. No fim da história, o Porto apenas perdeu seis pontos, numa altura em que não faria diferença (era campeão de qualquer forma), e Pinto da Costa acabou absolvido.


Também deve saber que um ex-vice-presidente do Sporting, Paulo Pereira Cristóvão, nesta década, no "Caso Cardinal", foi acusado de mandar depositar 2 mil euros na conta de um antigo árbitro chamado José Cardinal, que trabalhou em um duelo com o Marítimo, na Ilha da Madeira, vencido pelos Leões por 2 a 0, e também de reunir dados pessoais (conta bancária, nome de cônjuge, imóveis... Tudo o que mais você puder imaginar) de 196 árbitros portugueses. A punição se restringiu ao cartola, condenado a pagar multa de 40 mil euros ao antigo árbitro auxiliar José Cardinal, por danos não patrimoniais, a pagar 500 euros a 35 árbitros, os quais se sentiram intimidados pela presença em sua lista de dados (totalizando 17.500 euros), e a quatro anos e meio de prisão. O Sporting foi absolvido.


Apenas exemplos de grandes desmantelos os quais afundam o futebol português em um descrédito semelhante a uma areia movediça.


Enquanto um mandatário, no dia anterior a um jogo de suma importância, preocupa-se mais com o seu adversário do que com o compromisso de seus jogadores, tem atleta de renome internacional colocando o time em questão num patamar bem abaixo dos dois rivais. "O Sporting é uma espécie de Atlético de Madrid: tenta se intrometer entre os dois grandes, Benfica e Porto", disse Xavi, ídolo do Barcelona e da seleção espanhola, em entrevista ao jornal português O Jogo. A maior preocupação do "cabeça" do arquirrival lisboeta das Águias deveria ser o crescimento de patamar do seu clube.


Porém, no final das contas, toda essa pressão não pode afetar os jogadores nem os técnicos das equipes envolvidas. É necessário que, se comprovados os crimes, os acusados sejam condenados pelo Poder Judiciário e expulsos dos clubes. Portugal já não aguenta mais.