Benfica goleia Boavista e extermina mais um fantasma

Isabel Cutileiro/SL Benfica
Isabel Cutileiro/SL Benfica

Jardel (ao centro) deixou sua marca na vitória de 4 a 0 do Benfica contra o Boavista


Lá na sexta rodada, o Boavista derrubou a invencibilidade do Benfica na Primeira Liga de Portugal. A derrota por 2 a 1 no Estádio do Bessa, na Cidade do Porto, até então a única no campeonato (e que continue assim, né não?), estava entalada na garganta dos benfiquistas. Sequer havia sido digerida. Não é difícil de compreender: os lisboetas venciam por 1 a 0 e sofreram a virada devido a falhas individuais do sistema defensivo. Desde aquele insucesso, o reencontro era esperado. E ele veio no último sábado (17), na Catedral, diante de 56.884 torcedores. Depois do acerto de contas com o Rio Ave, a casa do clube mais vitorioso da Terrinha foi palco de outra revanche bem sucedida para os Encarnados.


Em mais uma excelente partida do trio formado por Cervi, Zivkovic e Rafa Silva, com intensa movimentação no último terço do campo, o Sport Lisboa e Benfica não tomou conhecimento dos Axadrezados e continua correndo e suando para não perder de vista o topo da tabela. Foram quatro voltas no placar, e agora já são 59 gols no campeonato, marca do melhor ataque da Liga.


Parecia que o duelo reservaria mais sofrimento à massa quando o goleiro Vágner, um dos maiores destaques daquele jogo do primeiro turno, defendeu pênalti cobrado por Jonas, o artilheiro do certame, aos 14 minutos. Já é a segunda penalidade máxima desperdiçada pelo camisa 10. Seria sinal de um condicionamento físico ainda sem chegar a 100%? Vale lembrar que o brasileiro saiu lesionado do compromisso em Portimão, vencido pelas Águias por 3 a 1.


Isabel Cutileiro/SL Benfica
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O jovem Rúben Dias abriu caminho para a maiúscula vitória do Benfica sobre o Boavista na Luz


Questionamentos à parte, o time da Luz não demorou a sair em vantagem. Quando os ponteiros do relógio apontavam 18 minutos de partida, Cervi cobrou escanteio para a cabeça de Jardel, que serviu seu companheiro de posição, Rúben Dias, à glória. Mais um gol do miúdo de 20 anos no campeonato, mais um prêmio à sua temporada fenomenal.


O 2 a 0 veio em contexto semelhante. Com 44 minutos no contador, em novo escanteio cobrado por Cervi, dessa vez foi Jardel a marcar. A dupla de zaga benfiquista levou a frase "A melhor defesa é o ataque" ao pé da letra.


Apesar dos primeiros gols terem saído pelo alto, deve-se mencionar que os anfitriões colocaram a bola no chão em grande parte do tempo. A bola parada, portanto, serviu como último recurso. Um excelente sinal de uma equipe com várias alternativas para largar na frente. Mesmo vindo a campo com uma proposta defensiva, os boavisteiros cederam muitos espaços. Há de se ressaltar, também, as participações constantes de Pizzi e Jonas na execução das propostas de jogo e mais uma senhora atuação de Fejsa, o xerife da cabeça de área do Glorioso.


No desenrolar do terceiro tento, aos 32 minutos da etapa complementar, Grimaldo protagonizou um lindo lance individual. Passou por dois marcadores, infiltrou-se na grande área, cruzou e teve muita sorte. Talocha tentou afastar, porém a bola bateu em Nuno Henrique, que acabou anotando contra o próprio patrimônio.


Isabel Cutileiro/SL Benfica
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Raúl Jiménez agradece ao 'garçom' André Almeida pela assistência ao gol que fechou a goleada do Benfica frente ao Boavista


Quem fechou a conta e passou a régua foi Raúl Jiménez. O mexicano tem entrado muito bem nas últimas partidas e vem sendo uma excelente sombra para Jonas. Na construção da jogada, os destaques vão para a magnífica visão do jovem Diogo Gonçalves (21 anos), para a assistência providencial de André Almeida pela linha de fundo e pelo excelente posicionamento de Raúl dentro da área, no momento da conclusão. Um legítimo camisa 9, um atacante de tirar o chapéu. Ou melhor, de tirar o sombrero. E o Boavista, que não perdia para o Maior de Portugal há três partidas, sucumbiu no Estádio da Luz. Mais uma assombração exterminada.


Passada mais uma final, agora é hora de se concentrar para a próxima decisão. E ela será na casa do Paços de Ferreira, a Capital do Móvel, reduto costumeiramente hostil para o Benfica.


A má campanha do Paços, 15º colocado (a duas posições da zona de rebaixamento, sendo assim), é um motivo justo para os comandados de Rui Vitória redobrarem a atenção. Afinal, um compromisso com o atual tetracampeão nacional torna-se uma motivação a mais para quem necessita urgentemente de recuperação na classificação.