Benfica fez das tripas coração para superar o Paços de Ferreira

Reprodução/Twitter
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Benfica venceu o Paços de Ferreira por 3 a 1, de virada, na Capital do Móvel, e segue na caça ao topo da tabela da Primeira Liga de Portugal


A caminhada do Sport Lisboa e Benfica na luta pelo 37º título do Campeonato é árdua. Não só pelas dificuldades habituais da competição, mas também porque o atual tetracampeão nacional não depende apenas das próprias forças para erguer a taça. E o caminho tinha que passar pelo Estádio Capital do Móvel, também conhecido como Estádio da Mata Real, em Paços de Ferreira, lugar costumeiramente complicado para os Encarnados.


O gol de Luiz Phellype, que deu vantagem ao time da casa aos nove minutos de partida, não me deixa mentir. Bom, não podemos negar que os perrengues fazem parte da vida dos vencedores. O Paços soma apenas 21 pontos e luta contra o rebaixamento. Sabemos que confrontos assim são vistos por times desesperados como a grande oportunidade de dar a volta por cima.


Apesar do susto, o maior clube de Portugal não precisou de 37 dias, nem de gol ilegal, nem de mudar cinco jogadores entre um tempo e outro sem que essas alterações fossem consideradas oficialmente substituições... Enfim, não necessitou de tantos acontecimentos bizarros para chegar à virada contra um adversário que se encontra na parte de baixo da tabela. O Benfica ganhou na bola, graças às próprias competências. Superou o anti-jogo dos mandantes. Não se desmotivou frente à desvantagem sofrida no início do embate. Suportou a pressão resultante das últimas vitórias dos arquirrivais de sempre, seus principais concorrentes na disputa pela glória máxima.


Foram muitos adversários. Mas a Águia se fez gigante diante de todos eles. Mostrou que todos os quais estão ao seu lado podem ser um só, justificando o E Pluribus Unum cravado em seu escudo. O costume.


Onde começou a vitória dos lisboetas? Para mim, o divisor de águas está muito evidente. Foi no intervalo, quando o zagueiro Luisão chacoalhou o compatriota Jonas. O artilheiro da Primeira Liga de Portugal estava sedento por gols. Não marcava há duas partidas. Não havia jogado bem na primeira etapa. "Luisão me disse no intervalo para focar mais no jogo. Falou que eu estava reclamando muito com o árbitro e, com isso, perdendo muito tempo. Ele me deu esse toque para eu me concentrar, que só assim eu mostraria minha qualidade", disse o brasileiro à imprensa portuguesa na zona mista, após o triunfo.


Isabel Cutileiro/SL Benfica
Isabel Cutileiro/SL Benfica

Jonas dedicou a Luisão o seu primeiro gol na vitória sobre o Paços de Ferreira: 'Me disse no intervalo para focar mais no jogo'


Temos, portanto, a explicação do comportamento efusivo do camisa 10 depois do gol de empate do Benfica. Seu primeiro alvo na comemoração foi justamente o defensor. "O gol foi para ele", afirmou o atacante, com todas as letras.


Vê-se como faz diferença, no bom sentido, ter um Capitão, com "C" maiúsculo mesmo, no elenco. Quem justifica o peso da braçadeira a qual carrega decide jogos mesmo fora de campo. Luisão certamente compreende que sua mais recente lesão abriu espaço para a agora entrosada dupla Rúben Neves e Jardel. Eles fazem por merecer a titularidade. E a liderança do jogador que mais levantou taças pela agremiação mais vitoriosa da Terrinha é muito importante para o grupo comandado por Rui Vitória.


O treinador, aliás, foi com tudo ou nada para o segundo tempo. Raúl Jiménez entrou para ajudar Jonas lá na frente. E foi dele o passe para o 1 a 1. Rafa Silva se dirigiu à linha de fundo e cruzou para o meio da área. Lá estava o mexicano, que, sem condições de finalizar, deixou a responsabilidade para o brasileiro acabar com 73 minutos agonizantes de desvantagem. Contudo, o objetivo ainda não tinha sido alcançado. Era necessário mais doação por parte dos jogadores.


Quando o relógio marcava 40 minutos da segunda etapa, entrou Haris Seferovic. Apagado depois de um magnífico início de temporada, o suíço foi importante para a virada. Recebeu a bola do companheiro Raúl fora da área e tocou de mansinho para Jonas, dentro da área, deixar sua marca novamente, aos 44, em cima do apito final. Seferovic pode recuperar sua confiança a partir desse lance? Nós torcemos por isso. E o que dizer da comemoração de Jiménez? Foi fantástica. Parecia que o gol era dele! Já os festejos do goleiro reserva, Mile Svilar, foram um pouco desastrados... (risos)


Isabel Cutileiro/SL Benfica
Isabel Cutileiro/SL Benfica

Decisivo nas últimas partidas, Rafa Silva vem conquistando espaço entre os titulares do Benfica


Aí você pode perguntar: por que o tempo de acréscimo foi de sete minutos? A resposta está nos anfitriões. Eles tentavam retardar a peleja a todo custo. O Paços, inclusive, ficou em desvantagem numérica devido à expulsão de Gian, aos 45. Pois bem, a verdade é que o SLB só precisou de mais três minutos em relação ao tempo regulamentar para definir o duelo. Quem fechou a conta foi Rafa Silva, que vem se consagrando como uma excelente peça após as lesões de Filip Krovinovic e "Toto" Salvio. O meia recebeu lançamento de Raúl Jiménez (o camisa 9 entrou afoito!) e tocou na saída do goleiro.


O rendimento avassalador dos benfiquistas na segunda parte nos mostra que os jogadores acreditam no Penta. Mesmo depois da distância para o topo da tabela ter aumentado no meio de semana. Sendo assim, a torcida também tem de acreditar. É somar e seguir. A próxima "final" é contra o Marítimo, no sábado a seguir (3 de março), no Estádio da Luz. Já deixem seu (ou sua) cardiologista de sobreaviso.