Jonas bate mais recordes do Rei Eusébio, e Benfica quebra ferrolho do Desportivo das Aves

Isabel Cutileiro/SL Benfica
Isabel Cutileiro/SL Benfica

Jonas comemora seu 31º gol (!!!) no Campeonato Português ao lado de Fejsa, Cervi e Raúl Jiménez


Quem observa a Primeira Liga de Portugal de longe poderia apontar como obrigação uma vitória do Sport Lisboa e Benfica neste sábado (30), contra o Clube Desportivo das Aves, atual vice-campeão da Segunda Liga e, portanto, recém-promovido à elite do futebol nacional. Este comentário tem cabimento. Afinal, os lisboetas detêm muito mais recursos do que o modesto clube de Vila das Aves. No entanto, seria comum que alguém desinteressado no campeonato comentasse que o compromisso seria fácil, o que não passaria de um grande engano. O Aves vivia seu melhor momento na temporada. Estava há seis jogos sem perder. Ganhou asas desde a chegada de José Mota para o comando técnico. Com tanta motivação do outro lado, os benfiquistas esperavam muitas dificuldades na Luz.


A sequência positiva do escrete do Norte incluía quatro vitórias e dois empates. Dois desses triunfos, inclusive, foram históricos: a goleada de 5 a 2 contra o Belenenses, em Lisboa, foi a maior vitória da equipe em todos os tempos na primeira divisão; a margem mínima frente ao Caldas, em Vila das Aves, pelo jogo de ida da semifinal da Taça de Portugal, aproximou o clube da primeira final nacional de sua história.


Todo este contexto era fruto de um elenco animado com o retorno de um ídolo. José Mota havia levado o Desportivo das Aves à primeira divisão no ano passado. Retornava depois de uma experiência no CS Sfaxien, tendo levado o clube da Tunísia às quartas de final da Copa das Confederações da África (torneio com importância similar às da Copa Sul-Americana e Europa League) e rescindido o contrato por causa de, segundo informações da emissora portuguesa RTP, graves problemas financeiros.


A partir do momento em que a bola rolou, viu-se um grande teste de paciência para os donos da casa. Para todo jogador do Benfica pareciam existir 500 do Aves. Duas linhas de quatro quase intransponíveis. Defesa muito bem armada. Quando a bola chegava à área, era possível notar uma considerável superioridade numérica de jogadores visitantes naquele setor. Quando os espaços eram achados por muito pelejar, o ataque encarnado parava no goleiro brasileiro Adriano Facchini. Sem titubear, pode-se dizer que a Águia encarou, neste final de semana, um dos jogos mais difíceis em seus domínios nesta temporada.


Reprodução/Liga Portuguesa de Futebol Profissional
Reprodução

Não foi em lance de bola parada: após investida do Benfica pela esquerda, nove homens (!) do Desportivo das Aves, incluindo o goleiro, formam um muro contra seis benfiquistas dentro da área


E agora? Quem poderia ajudar o SLB? O Chapolin Colorado. Não. O camisa 10 Jonas (que jogou no Grêmio, então não era colorado)! Em jogada trabalhada ali na quina da área, Raúl Jiménez e Rafa Silva tentaram trocar passes. A bola sobrou para Fejsa soltar uma traulitada e obrigar Facchini a fazer grande defesa. Cervi aproveitou o rebote e deu passe açucarado para Jonas, na pequena área, abrir caminho para o voo da Águia. Êxtase total na Catedral. Enquanto 70 minutos de resistência avense chegavam ao fim, o "Pistolas" batia mais dois recordes, ambos do Rei Eusébio!


Com 31 gols em 26 partidas, o brasileiro ampliou para 22 o número de rodadas nas quais balançou as redes e, consequentemente, deixou para trás um recorde histórico do Panterna Negra, que anotou tentos em 21 jornadas na temporada 1972/1973, na qual foi o máximo goleador com 40 gols - esta história já foi contada no blog. Além disso, o artilheiro da atual edição da Primeira Liga de Portugal também se tornou, aos 33 anos e 11 meses de idade, o jogador mais velho a atingir 31 golos na principal competição lusitana. Deixou Eusébio e Fernando Peyroteo para trás. O maior ídolo da história do Benfica chegou a este registro com 31 anos e dois meses. Já a lenda do Sporting obteve a marca com 30 anos e 10 meses.


Voltando à narrativa do jogo, o tento que selou a dramática vitória do Maior de Portugal não tardou a vir. Quatro minutos depois do gol inaugural de Jonas, foi a vez do excelente zagueiro Ruben Dias parecer um centroavante. Cervi cobrou escanteio e a bola sobrou para Raúl Jiménez obrigar Facchini a trabalhar. Mas o arqueiro não contava com a astúcia do miúdo, que bateu de primeira no rebote e estufou as redes. Os três pontos estavam sacramentados. Premiação pela persistência.


Isabel Cutileiro/SL Benfica
Isabel Cutileiro/SL Benfica

Ruben Dias sacramentou a vitória do Benfica contra o Aves na Catedral


Sem ânimo para reagir, o Aves sucumbiu. "As coisas ficam mais difíceis na Luz quando o Benfica faz um gol. Toda a envolvência do time e toda essa torcida ajudam a equipe a passar por cima das dificuldades", comentou o técnico avense, José Mota, em entrevista coletiva após o embate, pontuando que o resultado foi justo. Contudo, é inegável que os alvirrubros do Norte valorizaram, e muito, o triunfo da maior agremiação da Terrinha.


Restam oito batalhas para os comandados de Rui Vitória. A próxima está marcada para sábado que vem (17), em Santa Maria da Feira, onde os Encarnados medirão forças com o desesperado Feirense. Ou seja, mais um jogo complicado. Mais 90 minutos de apoio também. Sigamos.