O desespero bate à porta: Benfica sai da zona da Champions League

Isabel Cutileiro/SL Benfica
Isabel Cutileiro/SL Benfica

Apesar da boa atuação, nada a comemorar: o Benfica foi superior ao Sporting no Alvalade, mas não tem mais chances de título e ainda pode ver a vaga na Uefa Champions League escapar pelos dedos


Diferentemente do que aconteceu no Clássico com o Porto, no Estádio da Luz, e no duelo com o Estoril, na Amoreira, o Sport Lisboa e Benfica adotou uma postura mais aguerrida no Dérbi frente ao Sporting, em pleno José Alvalade. Contudo, toda esta pressão não foi suficiente para superar o grande rival da capital. O goleiro Rui Patrício e a trave fizeram o serviço para os donos da casa. A despeito do rendimento nada convincente diante de sua torcida no empate sem gols, os Alviverdes jogaram com o regulamento debaixo do braço e agora dependem das próprias forças para carimbar o passaporte à Uefa Champions League 2018/2019. Quem mais sorriu com o 0 a 0 em Lisboa foi o Porto, que se sagrou campeão nacional - ou, como eles mesmos gostam de dizer, evitaram o título do Benfica.


Na Primeira Liga de Portugal, o primeiro critério de desempate é o confronto direto. Nesse contexto, o número de gols marcados na casa do adversário é decisivo. Ou seja, os Leões ultrapassaram as Águias e chegaram à vice-liderança devido ao empate em 1 a 1 na Catedral, aquele jogo que teve interferência direta - e negativa - do VAR. Se o empate no reduto verde e branco tivesse sido um novo 0 a 0, a definição iria para o segundo critério de desempate, o saldo de gols - o do SLB é 57; o do Sporting, 40.


Particularmente gosto do confronto direto como desempate. Valoriza mais as partidas entre times próximos na tabela de classificação. Por outro lado, não concordo com a ideia do "gol qualificado". No entanto, isto é ponto para outro debate... Passados os 90 minutos, restaram aos Encarnados, donos de melhor rendimento nas quatro linhas e responsáveis pelas melhores chances, as lamentações pelas oportunidades desperdiçadas por Rafa Silva, Samaris e Douglas. De legado positivo fica o retorno do super-artilheiro Jonas aos gramados. De lição fica a atitude que os benfiquistas deveriam ter tido noutros jogos.


Verdade seja dita: não foi o empate no Dérbi em casa que tirou o Benfica da zona de classificação para a maior competição interclubes da Europa na penúltima rodada da Liga. Esta situação é consequência de tudo o que a equipe fez - deixou de fazer, melhor dizendo - durante o certame. Os pontos perdidos contra o Sporting, dois neste sábado (5) e dois lá na 16ª rodada, foram os mesmos dois pontos perdidos, por exemplo, contra o Belenenses, no início do segundo turno, e contra o Marítimo, na oitava jornada. Os três pontos que escaparam contra o Porto há três rodadas foram os mesmos três pontos que escaparam contra o Tondela, na jornada passada, e o Boavista, no sexto jogo do Campeonato. Lamentações, lamentações, apenas lamentações.


Agora, os comandados de Rui Vitória têm de vencer o Moreirense, em casa, e torcer por um tropeço do Sporting diante do Marítimo, na Ilha da Madeira. Esta combinação de resultados custa 40 milhões de euros aos cofres do Glorioso. Deixar de ganhar esta fortuna seria um desastre para as finanças do clube. Mas, venhamos e convenhamos, seria resultado do mau planejamento da diretoria para 2017/2018 e da péssima temporada a qual não condiz com a história vitoriosa do maior clube de Portugal. Em outras palavras, não seria difícil compreender como um escrete vai de Tetracampeão a ausente da Liga dos Campeões da Europa. Seria, afinal, fruto de uma sucessão de erros.