'Embaixador' da África no Benfica, Tyronne Ebuehl vem para fortalecer a lateral-direita

Reprodução/BTV - Benfica TV
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'Estou muito feliz por estar aqui', disse o lateral-direito Tyronne Ebuehl ao se apresentar aos benfiquistas nas redes sociais


O Sport Lisboa e Benfica trouxe mais uma peça para o setor defensivo e, de quebra, expandiu o alcance geográfico do seu elenco. O Maior de Portugal acertou a contratação do lateral-direito nigeriano Tyronne Ebuehl, de 22 anos. Ele será, pelo menos até o presente momento, o único jogador da África do escrete principal das Águias. Vale o parêntese: as categorias de base dos Encarnados têm joias africanas como o meia Famana Quizera (16 anos), o ponta-direita Úmaro Embaló (17) e os atacantes José Gomes (19) e Luís Lopes (18), sendo os três primeiros naturais da Guiné-Bissau e o último natural de Cabo Verde.


Nascido na Holanda e filho de uma holandesa e um nigeriano, Ebuehl escolheu defender a pátria do pai. E o jovem já colhe os frutos: está na lista de pré-convocados da Nigéria para a Copa do Mundo de 2018. Revelado pelo ADO Den Haag, estava no clube holandês desde 2014. De lá para cá, entrou em campo 82 vezes e anotou um gol. Era muito querido pela torcida das Cegonhas e certamente deixará saudades por lá.


Com a saída do excelente Nelson Semedo para o Barcelona, a lateral-direita acabou sendo um ponto crítico do SLB na temporada passada. O dono absoluto da posição era André Almeida. Contudo, não havia reposição à altura: o reserva imediato era Douglas, cujo futuro na Luz ainda é incerto - o brasileiro está emprestado pelo Barcelona. Portanto, era necessário reforçar o setor. Tendo em vista o seu potencial, Tyronne Ebuehl pode aumentar o nível técnico da equipe encarnada. E certamente almeja conquistar seu espaço no clube mais vitorioso de Portugal, o que poderia estreitar os laços já fortes da agremiação com a "Mãe África". O Benfica tem muitos torcedores no continente africano. E de lá vieram ícones da nossa História (sim, com "H" maiúsculo), tais como o angolano Joaquim Santana e os moçambicanos Mário Coluna e Eusébio - que estejam em paz.


Getty Images
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Revelado pelo ADO Den Haag, Tyronne Ebuehl agora é do Benfica


Ebuehl também pode ajudar a combater um dos estereótipos mais frequentes do futebol. Quem nunca ouviu alguém falar que "os jogadores africanos são velocistas e habilidosos, mas muito ingênuos"? Pois bem, este clichê vem sendo desconstruído pouco a pouco.


Em 2010, na África do Sul, por exemplo, Gana chegou às quartas de final da Copa do Mundo, repetindo os feitos de Senegal (2002, na Coreia do Sul e no Japão) e Camarões (1990, na Itália). Quatro anos antes, na Alemanha, em sua primeira participação, os ganeses despacharam a República Tcheca de Cech, Nedved, Poborský, Rosicky, Baros e Koller (olha que time!) na primeira fase.


No Mundial de 1998, na França, mesmo tendo caído na primeira fase, a seleção do Marrocos encantou o planeta com um futebol vistoso. Teria ido ao mata-mata se o Brasil não tivesse sido surpreendido pela Noruega, eterna algoz da Canarinho, na última rodada. Na edição de 2014, sediada em território brasileiro, Argélia e Nigéria deixaram europeus para trás na fase de grupos (Rússia e Bósnia-Herzegovina, respectivamente) e chegaram às oitavas de final, onde venderam caro as derrotas para as poderosas Alemanha e França, nesta ordem.


Divulgação/Federação Nigeriana de Futebol
Divulgação/NFF

Tyronne Ebuehl em ação pela seleção da Nigéria


Duas das maiores sensações da recém-encerrada temporada europeia são jogadores africanos: o egípcio Mohamed Salah e o senegalês Sadio Mané, ambos atacantes. Ao retroceder no tempo, podemos recordar outras estrelas mundiais, tendo como exemplos os camaroneses Roger Milla e Samuel Eto'o, os nigerianos Jay-Jay Okocha, Nwankwo Kanu e John Obi Mikel, o liberiano George Weah (dono da Bola de Ouro e do Melhor do Mundo Fifa de 1995 e atual presidente do seu país natal), os ganeses Michael Essien e Asamoah Gyan, o egípcio Mohamed Aboutrika e os marfinenses Yaya Touré e Didier Drogba. No Mundial que está por vir, o goleiro egípcio Essam El-Hadary, de 45 anos, pode se tornar o jogador mais velho da história das Copas, recorde pertencente ao colombiano Faryd Mondragón (43), também goleiro.


Então, senhoras e senhores, torçamos para a joia Tyronne Ebuehl continuar aumentando o prestígio do futebol africano e ajudar o Glorioso a trilhar o único caminho condizente com a sua História, o das vitórias. Em entrevista à BTV - Benfica TV, o lateral se mostrou muito entusiasmado com o novo desafio. "É um sentimento de grande felicidade poder estar aqui, num clube desta dimensão. É um sonho que se torna realidade, um grande passo que dou na minha jovem carreira", afirmou.


Ao se apresentar à torcida, o nigeriano falou em muito bom português: "Olá, benfiquistas, sou o Tyronne Ebuehl e estou muito feliz por estar aqui". Que toda esta vontade se converta em ótimos desempenhos!