Para aumentar a dinâmica do ataque, Benfica contrata Nicolás Castillo e Facundo Ferreyra

João Paulo Trindade/SL Benfica
João Paulo Trindade/SL Benfica

'O Benfica é um clube enorme e muito conhecido na Argentina', apontou Facundo Ferreyra em sua apresentação ao Glorioso


Foram muitos os jogadores naturais da América Latina que marcaram ou marcam época no Sport Lisboa e Benfica. Suas virtudes, dentre elas a noção do peso da camisa a qual vestem e do emblema o qual carregam no peito, estão eternizadas no coração da massa encarnada, este fenômeno que movimenta Portugal e todo o planeta. A identificação do clube com atletas deste centro é um fato inegável.


Basta ver os recentes exemplos dos brasileiros Jonas, Luisão e Ederson, dos argentinos Pablo Aimar, Ángel Di Maria, Javier Saviola e Eduardo Salvio e do paraguaio Óscar "Tacuara" Cardozo. Em referência ao século passado, pode ser mencionado como grande ícone o técnico Otto Glória. O brasileiro conquistou quatro Campeonatos e cinco Taças de Portugal ao serviço das Águias entre as décadas de 1950 e 1960. Indo mais além, preparou o terreno para a geração vitoriosa a qual viria a ser bicampeã europeia, sob o comando do húngaro Béla Guttmann, em 1961 e 1962. Na primeira metade dos anos 1990, destacou-se a figura de Isaías, o "Profeta", também brasileiro, duas vezes campeão nacional e uma vez vencedor da Taça de Portugal.


Logicamente, a intimidade com a América Latina não fez o Benfica perder sua identidade com a Terrinha. Conforme o Blog Glorioso Encarnado  já relatou, cinco jogadores da seleção de Portugal, que vai buscar na Rússia o inédito título mundial, foram formados no Seixal. Um deles defende o clube da Luz atualmente, o zagueiro Rúben Dias. E este número poderia ser maior se o técnico Fernando Santos optasse por uma delegação com média de idade mais jovem. As joias Nélson Semedo e João Cancelo, por exemplo, ficaram de fora.


João Paulo Trindade/SL Benfica
João Paulo Trindade/SL Benfica

De volta ao futebol europeu, Nicolás Castillo quer deslanchar


Retornando ao foco central deste texto, o SLB anunciou, na última semana, a contratação de dois latino-americanos. Tratam-se do chileno Nicolás Castillo e do argentino Facundo Ferreyra. Ambos são jogadores de ataque e se juntam ao zagueiro argentino Germán Conti, ao goleiro alemão de ascendência grega Odysseas Vlachodimos e ao lateral-direito holandês naturalizado nigeriano Tyronne Ebuehi entre as contratações desta janela de transferências.


Castillo, 25 anos, é daqueles atacantes clássicos que se movimentam pela área à espera do passe para a finalização e são sedentos por gol. Chuta bem com as duas pernas e também se destaca na bola parada. Ferreyra, 27, movimenta-se mais em relação ao colega de posição e tem um talento individual capaz de desequilibrar e decidir partidas. Ao longo da carreira, eles ganharam experiências as quais podem ser úteis ao elenco.


Suas vindas podem representar mudanças no quadro de atacantes do Glorioso. A imprensa local garante que o mexicano Raúl Jiménez está próximo de ser emprestado ao Wolverhampton, atual campeão da segunda divisão inglesa. Caso esta especulação se confirme, Papito fará muita falta, não somente pela qualidade, mas também pelo carisma. Particularmente não me surpreenderia se acontecesse a saída do suíço Seferovic, que veio a custo zero e começou 2017/2018 muito bem, porém viveu péssima fase na segunda metade da temporada.


Goleador na Universidad Católica e no Pumas, Nicolás Castillo está ansioso pelo recomeço na Europa


Getty Images
Getty Images

O atacante chileno Nicolás Castillo era o 'homem-gol' do Pumas


Revelado pela Universidad Católica, o chileno de Santiago vestiu as camisas dos europeus Club Brugge, Mainz 05 e Frosinone entre os anos de 2014 e 2016. Sua ida ao Velho Continente se concretizou depois da excelente performance no Mundial Sub-20 de 2013, na Turquia, onde anotou quatro gols e ajudou o expressinho de La Roja a chegar às quartas de final.


Depois da estadia na Europa, onde se sagrou campeão da Copa da Bélgica pelo Club Brugge, retornou à Universidad Católica. Em sua casa, recuperou o posto de titular absoluto e conquistou o campeonato nacional duas vezes (Clausura 2015/2016 e Apertura 2016/2017) e a supercopa chilena de 2016, juntando-se à Copa Chile de 2011, vencida na sua primeira passagem. Somando as duas eras em Los Cruzados, teve 58 gols em 110 jogos, média de 0,52 bola na rede por compromisso jogado.


No ano de 2016, fez parte do grupo que trouxe para o Chile o título da Copa América Centenário. Entrou em campo durante a prorrogação da final frente à Argentina e converteu um dos pênaltis da disputa na qual os chilenos saíram vitoriosos.


Posteriormente, em 2017, transferiu-se ao Pumas. Em solo mexicano, reafirmou seu faro de gol com a vice-artilharia do Clausura a Liga MX, acumulando oito gols. Ao todo, foram 26 bolas na rede em 45 partidas. O posto de principal referência do ataque dos Universitarios, portanto, foi merecido.


Em sua chegada a Portugal, Castillo se mostrou entusiasmado pelo novo desafio e recordou seu primeiro período no futebol europeu. "Cheguei jovem, um pouco imaturo. Agora estou 100%. Passei por Chile e México e isso me ajudou muito. Joguei em campeonatos incríveis. Em todos aproveitei e aprendi. Agora venho com a ideia de jogar e ajudar a equipe no que precisar", disse em entrevista ao site oficial do Glorioso.


Facundo Ferreyra quer manter tradição de argentinos bem sucedidos no Benfica


Getty Images
Getty Images

Goleador no Shakhtar Donetsk, o atacante argentino Facundo Ferreyra garantiu que não hesitou em aceitar o convite do Benfica


O argentino de Lomas de Zamora, por sua vez, ascendeu ao profissionalismo no Banfield, clube da região metropolitana de Buenos Aires, à época treinado por Jorge Burruchaga, campeão mundial pela Albiceleste em 1986. E não demorou a despontar, com 15 gols em 56 jogos. O primeiro deles veio logo na estreia, aos 17 anos de idade, num empate em 2 a 2 com os Argentinos Juniors. Chamou a atenção do Vélez Sarsfield. No clube fortinero, obteve números ainda melhores. Entrou em campo 25 vezes, balançou as redes em 17 oportunidades (média de 0,68 gol por jogo!) e foi campeão e artilheiro do Torneo Inicial do Campeonato Argentino e vencedor do Supercampeonato Argentino.


Foi um "estouro". Não demorou a rumar à Europa, em 2014, com 23 anos nas costas. Firmou-se no Shakhtar Donetsk. Foram 115 partidas, 59 gols, três títulos do Campeonato Ucranianos e três Copas da Ucrânia, além de três Supercopas, entre as temporadas 2013/2014 e 2017/2018. Durante esse período, em 2014/2015, no auge da instabilidade política na Ucrânia, teve rápida passagem pelo Newcastle, por empréstimo, mas sem receber oportunidades.


No âmbito individual, conquistou a artilharia da edição passada da Premier League ucraniana, com 21 gols. Pela seleção argentina, foi o vice-artilheiro do Sul-Americano Sub-20 de 2011, no Peru, com quatro gols. Ficou atrás apenas do brasileiro Neymar Júnior, que anotou oito tentos. No mesmo ano, na Colômbia, também disputou o Mundial Sub-20, onde anotou um gol, no triunfo de 3 a 0 contra a Coreia do Norte, na primeira fase.


Ao assinar contrato com o Maior de Portugal e conceder entrevista ao site do SLB, Facundo Ferreyra demonstrou acreditar que os compatriotas Germán Conti, Franco Cervi e "Toto" Salvio vão ajudá-lo na adaptação ao novo país. Ele lembrou, ainda, que o clube lisboeta é muito conhecido na Argentina. "O Benfica é um Clube enorme e muito conhecido na Argentina! Acompanho desde jovem devido a todos os jogadores argentinos que jogaram aqui. É um sonho poder estar agora neste Clube por onde passaram grandes jogadores", afirmou. "Vários jogadores estiveram aqui, como Di María, Aimar, Saviola… Naturalmente, o Campeonato Português é muito visto por lá, tendo em conta os argentinos que aqui jogam. Quando me falaram em vir para o Benfica, não hesitei", concluiu.