Ida de Jorge Jesus ao Al-Hilal mantém escrita: técnicos ex-Benfica não têm mesmo sucesso no Sporting

Arquivo/SL Benfica
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Técnico mais vezes campeão pelo Benfica, Jorge Jesus saiu do Sporting pela porta dos fundos e agora é treinador do Al-Hilal, da Arábia Saudita


Embora a torcida do Benfica tenha se chateado com o técnico Jorge Jesus, quiçá ainda não o perdoe, pela decisão tomada em junho de 2015, quando ele trocou o Maior de Portugal pelo arquirrival da capital, não se pode apagar o que está registrado na História. O amadorense é o treinador mais vezes campeão pelos Encarnados, com 10 troféus: três Campeonatos Portugueses, uma Taça de Portugal, cinco Taças da Liga de Portugal e uma Supertaça Cândido de Oliveira. Este retrospecto é muito diferente do seu rendimento no Sporting, onde conquistou apenas uma Taça da Liga e uma Supertaça.


Depois das divergências com o presidente sportinguista Bruno de Carvalho, do lamentável ataque de encapuzados aos jogadores e à comissão técnica no Centro de Treinamento do clube, em Alcochete, e da derrota na final da Taça de Portugal para o surpreendente Desportivo das Aves, não havia mais clima para a permanência de JJ no comando dos Leões. No início de junho, a diretoria do Sporting e o treinador acertaram a rescisão contratual. O Al-Hilal, da Arábia Saudita, agiu imediatamente e o contratou. A emissora lusitana TVI24 estima que o salário de Jesus no clube saudita vai girar em torno dos 7 milhões de euros por temporada. O contrato é de um ano, com opção de renovação, informou o jornal Record.


Como bem recordou o @ProfetaBenfica no Twitter, a ida do português ao futebol árabe manteve uma "tradição": sempre que o Sporting trouxe um técnico que empilhou taças no SLB, o profissional não repetiu o sucesso no SCP. Este roteiro foi escrito pelos deuses do futebol pela quinta vez. Também acontecera com o brasileiro Otto Glória, o chileno Fernando Riera, o sérvio Mirolad Pavic e o inglês Jimmy Hagan.


Otto Glória: nove taças pelo Benfica e apenas uma pelo Sporting


Getty Images
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Com nove títulos nacionais, Otto Glória é um dos maiores 'papa-títulos' da história do Benfica


Um dos maiores ícones da história do Sport Lisboa e Benfica e treinador de Portugal no histórico terceiro lugar da Copa do Mundo de 1966, Otto (1917-1986) teve duas passagens pelo clube da Luz. Na primeira, que durou entre os anos de 1954 e 1959, conquistou dois Campeonatos Portugueses (1954/1955 e 1956/1957) e três Taças de Portugal (1954/1955, 1956/1957 e 1958/1959). Na segunda, de 1968 a 1970, ganhou mais dois campeonatos (1967/1968 e 1968/1969) e mais duas copas nacionais (1968/1969 e 1969/1970).


Com nove troféus no total (e naquele tempo nem existia Taça da Liga!), o carioca é o segundo técnico mais vitorioso da história do Glorioso. Também foi finalista da Taça Latina (1957, derrotado pelo Real Madrid) e da Copa dos Campeões Europeus (1967/1968, superado pelo Manchester United).


Ao serviço do Sporting, onde esteve no ano de 1961 e na temporada 1965/1966, Otto Glória conquistou somente um Campeonato. A láurea veio na sua última passagem, pouco antes da épica caminhada com a Seleção das Quinas na Inglaterra. O Porto também foi seu local de trabalho, em 1964/1965, mas sem títulos.


Fernando Riera treinou o Trio, mas foi campeão apenas no Benfica


Reprodução/Twitter
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Fernando 'El Tata' Riera: ídolo no Chile e no Benfica


Logo após guiar a seleção do Chile à sua melhor campanha em Mundiais, o terceiro lugar de 1962, obtido na condição de anfitrião, Riera (1920-2010) desembarcou na Luz para suceder o húngaro Béla Guttmann - o bicampeão europeu não chegara a um acordo com a diretoria para a renovação do seu contrato. O público português já conhecia o chileno. Na temporada 1954/1955, havia sido vice-campeão nacional pelo Belenenses, em briga de foice no escuro com o Benfica de Otto Glória.


El Tata comandou o SLB em 1962/1963, 1966/1967 e no início de 1967/1968, ocasião na qual deixou o clube devido a atrasos no pagamento do salário. As três temporadas resultaram no título do Campeonato - na última, a campanha foi concluída por Otto. Parêntese importante: em 1962/1963, foi vice-campeão europeu diante do Milan. Ainda orientou o Porto, em 1972/1973, e o Sporting, em 1974/1975, tendo ficado em branco nas duas passagens.


Com Milorad Pavic, o Benfica soltou o grito de campeão na casa do Sporting


Reprodução/Blog 'Em Defesa do Benfica'
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Benfica campeão nacional de 1974/1975: o técnico Milorad Pavic é o segundo em pé, da direita para a esquerda


Um dos grandes nomes da escola iugoslava, Milorad Pavic (1921-2005) chegou a Lisboa em 1974, depois de um conterrâneo seu, Miljan Miljanic, receber propostas do Benfica e do Real Madrid na mesa e, no final das contas, optar pelos merengues. Curiosamente, a solução encontrada pelos Encarnados veio da Espanha: Pavic estava no Athletic Bilbao.


O sérvio treinou as Águias em apenas uma temporada. Foi o suficiente para gravar seu nome na história do futebol português. Sob o seu comando, o Glorioso se sagrou campeão em um empate contra o Sporting, vencedor da edição anterior, em pleno Alvalade. Não permaneceu para a temporada seguinte porque o clube passava por problemas financeiros e se viu obrigado a rescindir o seu contrato. E o técnico não cobrou um centavo pela quebra do vínculo.


Quis o destino que Milorad Pavic ainda treinasse o SCP, em 1978/1979. Entretanto, não conquistou título algum em terreno leonino.


O maestro Jimmy


Reprodução/SerBenfiquista
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'Jimmy' Hagan entre José Augusto e Eusébio: ícones benfiquistas


No início da década de 1970, com o britânico James Hagan (1918-1998) à frente, o Benfica era o time a ser batido na Terrinha. O feito mais impactante foi o título invicto da edição 1972/1973 do Campeonato. Em 30 rodadas, o plantel acumulou 28 vitórias e dois empates, marcou 101 gols e foi vazado apenas 13 vezes. Naquele momento, o Glorioso se tornava o primeiro clube a ser campeão sem perder um jogo sequer. A artilharia de Eusébio, com incríveis 40 gols, simbolizou a cereja do bolo.


Além disso, àquela altura, o Maior de Portugal era tricampeão doméstico. Jimmy também havia sido o maestro dos títulos de 1970/1971 e 1971/1972. Vale destacar que houve "dobradinha" (Campeonato + Taça de Portugal) na primeira temporada. Entre abril de 1972 e abril de 1973, os comandados de Hagan registraram o inigualável recorde de 29 vitórias consecutivas (!!!) no certame. No âmbito europeu, os lusitanos bateram de frente com o lendário Ajax tricampeão continental: em 1971/1972, na semifinal, a máquina holandesa venceu por apenas 1 a 0 no placar agregado, com triunfo em Amsterdã e empate em Lisboa.


Em terras portuguesas, o inglês ainda comandou Sporting (1977/1978), Boavista (1978/1979), Vitória de Setúbal (1979/1980), Belenenses (1980/1981) e Estoril (1981/1982). Obteve apenas um título nessa sequência: a Taça de Portugal, na orientação ao escrete boavisteiro. Dos profissionais citados neste texto, Hagan é o que tem a trajetória mais parecida com a de Jorge Jesus, destaca @Bakero83.