Palermo: quando na tragédia o destino se vestiu de azul e ouro

Em 13 de novembro, mas de 1999, o Boca de Carlos Bianchi visitava o Colón, em Santa Fé, buscando o tricampeonato argentino. Na fecha 14 um rival duro, que tem em seu estádio o apelido de 'Cemitério de Elefantes', pois é ali que os grandes são enterrados.


Mas aquele Boca foi forjado para a glória, ali começou a ser escrita uma história que perduraria tanto tempo que nem os mais folclóricos e fanáticos torcedores poderiam imaginar. Ainda na primeira parte, Palermo - o absoluto goleador de um time demolidor - sente o joelho. Ainda assim, fica em campo por mais alguns minutos. A bola chega nele e, praticamente com uma perna, ele abre o placar. Uma jogada clássica de Román, deixando Martín na cara do gol. Domínio e chute, como de costume. Marcara ali o seu 100º gol.


Na comemoração, a corrida lenta, fraca, o camisa 9 estava mancando. O homem que fazia gols de todas as maneiras recebe a notícia do rompimento de seus ligamentos cruzados. Sim, Palermo meteu a bola na rede com seus ligamentos cruzados rompidos.



Sem Palermo, que perdeu a artilharia do campeonato para Saviola por 1 gol, o Boca foi 3º colocado, ficando 3 pontos atrás do campeão River. Lamentações nos sobravam. Por que o destino jogaria tão contra assim?


A verdade é que mais uma vez ele nos sorriu. Palermo tinha uma transferência acertada com a Lazio (aquela super Lazio que viría a ser campeã italiana). Já estava tudo pronto e faltava apenas assinar o contrato. Mas a lesão interrompeu sua ida ao futebol europeu e iniciou-se o calvário da recuperação.


A volta de Palermo aconteceu nas quartas de final da Copa Libertadores do ano seguinte. Em La Bombonera. Contra o River. Palermo - que voltou da lesão antes do previsto - entrou e marcou o terceiro gol, sentenciando o 3 a 0. Foi campeão da Libertadores e, no final daquele mesmo ano, campeão do mundo fazendo os 2 gols na vitória sobre o Real Madrid.




Depois disso, o Titán teve passagens por Villarreal, Alavés e Bétis. Sem muito sucesso, graças a Deus ele voltou. Em La Boca ganhou outros tantos títulos, marcou outros tantos gols e se tornou um ídolo imborrable da história xeneize. O maior camisa 9 da história do Club Atlético Boca Juniors.


Sem a lesão, tudo teria sido diferente. Mas naquele momento, o destino se vestiu de azul y oro.