Boca 2-1 Talleres: com uma mão na taça

Era jogo importante, talvez decisivo. O duelo entre o líder o segundo colocado na tabela mostrou, na verdade, que camisa pesa, que torcida e cancha ganham jogo. E quer saber, em tempos de bailes e goleadas nas grandes ligas europeias, nós preferimos continuar ganhando a lo Boca.


Os muitos desfalques certamente fizeram o Boca descer um patamar. E não estamos falando de qualquer desfalque, mas possivelmente dos quatro jogadores mais talentosos do elenco: Benedetto e Gago (fora há meses), mas também Cardona e Tévez. A ausência deveria ser suprida a altura por um bom elenco, mas a verdade é que nem sempre é possível.


Dessa forma, Pavón - mesmo que ainda jovem - assumiu a responsabilidade de jogar (e fazer jogar). Pela esquerda, onde desequilibra menos, quase marcou um golaço em chute que explodiu no travessão. Não passou da segunda. Em jogada maradoneana, deixou metade de Córdoba para trás e rolou para que Bou só tivesse o trabalho de empurrar o couro pro barbante. Num jogo duro, o 1 a 0 saiu da gambeta, do improviso. É onde os grandes fazem a diferença.


Prensa Boca Juniors
Prensa Boca Juniors


Ainda assim, num lance isolado, o empate do Talleres antes do intervalo servia para expor algumas das falhas constantes xeneizes. Os cruzamentos frontais são um problema para a dupla de zaga, que não é ruim, mas que sofre nesses lances. Rossi, um goleiro que não compromete, mas nunca te salva por um milagre, ficou grudado na linha. Nem sei se era um resultado justo, mas era o resultado que servia aos outros concorrentes, mesmo que ainda estando alguns bons pontos atrás.


E ai veio a segunda etapa. O empate servia, tecnicamente, mais ao Boca que ao Talleres. O Boca manteria a liderança e a diferença de pontos, eles precisavam vencer e encostar. E ai viu-se a diferença de grandeza. Os visitantes passaram a se preocupar mais em defender que em jogar. Sua grande arma eram os desarmes e liderança do Cholo Guiñazu no meio. O Boca, mesmo que sem brilho algum, dominou as ações e não desistiu. Foi premiado no fim graças ao domínio riquelmeano de Wanchope Ábila e a joelhada de Pablo Pérez, que saiu xingando parte da torcida que cobrava seu rendimento fraco na partida. Ciclo cumprido. O jogador deveria ter seu contrato rescindido e não vou me alongar mais no assunto.


Foi sofrido. Foi aos 45 do segundo. Mas o Boca está com uma mão na taça.