Boca bicampeão argentino: o povo acima de tudo

O Boca foi a La Plata enfrentar o Gimnasia com uma mão na taça. Um empate já servia para o time de Guillermo conseguir o óbvio: o título da Superliga Argentina 2017/2018. O bi do DT. O bi do time que esteve 514 dias na liderança.


Prensa Boca Juniors
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Fim de jogo e taça na mão: a festa começou em La Plata


O 2 a 2 sofrido e mal jogado foi a cara do Boca neste semestre. Irregular, com pouco futebol, se salvando pela jerarquia de um jogador e outro. Após um primeiro semestre arrasador  - onde o Boca ainda tinha Gago e Benedetto e jogava apenas uma competição - tudo ficou mais difícil em 2018. Vencemos os primeiros 8 jogos da competição, mas nos arrastamos no final. A impresa e os rivais marletaram, disseram que não jogávamos nada. E isso deu um gosto especial a esse título.


E ai é que está o ponto onde quero chegar. Por já ter conquistado o título no ano passado e, agora, ter vencido 3 dos últimos 4 campeonatos argentinos, tudo estava sendo desvalorizado. Com a derrota na Supercopa para os rivais e a difícil situação na Libertadores, a imprensa cravou que a torcida xeneize não iria fazer grande festa. Como o jogo foi no 'Bosque' - e sem hinchas visitantes - a festa seria em La Bombonera. Até temos tweetes de jornalista dizendo que nem 20% do estádio encheria numa quarta-feira à noite, sem jogo, para festejar um "torneiozinho".


Se equivocou. Se equivocaram. O Boca é, possívelmente, o maior fenômeno social do mundo quando se trata de futebol. La Bombonera explodiu e teve que fechar as portas porque não cabia mais gente. O Obelisco, ponto tradicional de comemorações, ficou lotado e pintado de azul y oro. Pelo interior, os centros das províncias se pintaram com as cores mais lindas do mundo. Em Rosario, Tucumán, San Juan...no país todo.


Prensa Boca Juniors
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Festa do povo: torcida lotou La Bombonera para receber os campeões


Uma festa, de fato, genuína. Daqueles que não se importam "só" com Libertadores. Daqueles que festejam qualquer vitória. No futebol e na vida. Homens desdentados sorrindo, idosas caminhando pelas ruas tarde da noite, crianças comemorando com a legítimidade de quem não se importa com qual é a taça, se importam apenas com a conquista. Gente que não tem condições de ir em La Bombonera nos dias de jogos, outros que entraram pela primeira vez.


O bicampeonato vale muito. Mais uma estrela no escudo. Mais um troféu no museu. Mas acima de tudo, vale pela festa do povo.


Dale campeón!