Medo de Löw prevalece, e quem perde é a Alemanha

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Lateral fez temporada convincente e na chance que teve também foi bem


Eu sou retranqueiro, com muito orgulho, com muito amor. Não sei se é com este mantra na cabeça que Joachim Löw pensa a defesa da Alemanha na Copa do Mundo, mas parece. Primeiro, a opção por Höwedes na esquerda parecia ser o limite, mas coisa pior veio durante as partidas contra Portugal e Gana.


Na estreia, Mats Hummels (que fez um jogo sublime, como você leu aqui) saiu na metade final da vitória sobre Portugal, e o escolhido foi Shkodran Mustafi, chamado de última hora para o lugar de Reus. Boateng foi pra zaga, Mustafi para a lateral direita, mas em um jogo já decidido, pouco importou.


Contra Gana, Boateng deixou o jogo no intervalo, novamente dando lugar a Mustafi. Se o zagueiro improvisado na lateral foi com a justificativa de dar mais segurança, sucumbiu cedo. Falhou na bola aérea no lance do gol ganês, este que seria um dos motivos que explicariam sua entrada. O time tomou a virada, precisou de ataque, e aí só com muita paciência pra entender que estava sendo exigido dele uma coisa que não sabe. É como se frustar com um russo por não saber a macarena.


Às vésperas do derradeiro encontro alemão com os Estados Unidos de Klinsmann, Löw se depara também com mais uma, e talvez a última, chance para tentar. O risco da não classificação não serve de desculpa, afinal, um empate amigo basta para que ambas avançam, e para que a Alemanha inclusive lidere o Grupo G.


Foi confirmado que o time vai completo, sem desfalques. Logo, com Boateng, Mertesacker, Hummels e Höwedes na defesa. Por que não dar uma chance a Erik Durm, que jogou tão bem no Dortmund essa temporada e é o único jogador do elenco capaz de manter viva a essência? Nas Eliminatórias e amistosos, Lahm de um lado e Schmelzer de outro; os dois atacam, o que nem Boateng, nem Höwedes, sequer ensaiam fazer bem.


O moleque é bom de bola e necessário para não se jogar fora um esquema que foi moldado por anos. Sem laterais que avançam, o time fica engessado, os pontas jogam sozinhos, não existe jogo pelo lado do campo, o que ficou evidente no difícil embate contra Gana. Pode ser Götze, pode ser Özil, podem ser Schürrle ou Podolski, ninguém vai jogar o que poderia sem alguém para ajudar.


No único amistoso em que jogou, o lateral do Dortmund fez bem o que se esperava dele e foi seguro. Levanto a questão e dou a letra: na primeira sequência que tiver, vira dono da posição. Na temporada, torcedor aurinegro nenhum sentiu saudades de Schmelzer quando lesionado.


Se Durm vai ao menos ganhar alguns minutos no final, podemos pensar simplesmente da seguinte maneira: se eu fosse ele, tentaria. Mas não sou.