Peter Bosz fica: Dortmund decide apostar no fracasso

O Borussia Dortmund supera os limites da mediocridade ao optar pela não demissão de Peter Bosz após o empate em casa contra o Schalke 04. No limite da análise da decisão que foi tomada, é possível dizer que a diretoria preferiu que o treinador continue destruindo todo o trabalho dos últimos anos a intervir enquanto há tempo de salvar alguma coisa na temporada.


O empate em 4 a 4 no Westfalenstadion contra o Schalke é uma derrota e infelizmente não é inexplicável. Eu sei, você sabe e possivelmente a própria diretoria sabe também que a culpa é única e exclusivamente de Bosz. Estar vencendo por 4 a 0 no intervalo e se permitir ser sufocado em casa por 45 minutos exige muito esforço para superar o próprio limite da vergonha.


Getty Images
Getty Images

Paciência tem limite e o saldo de Bosz está negativo


Costumo sempre compartilhar a culpa. Um time são 11, o técnico, a comissão, mas o que aconteceu em Dortmund está na conta de Peter Bosz. O holandês entrou em campo com uma formação tática diferente, deu certo e a vitória fácil parecia se encaminhar. Na virada para o segundo tempo não conseguiu impor o mínimo de cautela em um time que tinha a missão de segurar uma vantagem de quatro gols.


Do time saíram Yarmolenko para a entrada de Bartra, voltando ao desastre do 4-3-3, Götze para a entrada de Castro, e Guerreiro para entrar Zagadou. O time, que começou em campo arrumadinho, terminou o jogo com quatro zagueiros, Schmelzer na esquerda, Weigl e Sahin no meio-campo, e apenas Pulisic como válvula de escape para o ataque.


É muito difícil de entender o que faz a diretoria ter o mínimo de confiança em Peter Bosz. Na realidade, a torcida confia apenas no fato de que, antes das coisas melhorarem, tudo deve ainda ficar muito pior. A permanência do técnico vai contra toda e qualquer noção do que é razoável. O holandês virou um prego, que quanto mais apanha mais difícil de sair fica.


Caso fique até a pausa de inverno, creio que Bosz entregue o time na metade de baixo da tabela da Bundesliga, fora até mesmo da zona de classificação pra Europa League, eliminado da DFB-Pokal, e, com sorte, em 3º no grupo da Champions. Vale lembrar que nas últimas dez partidas o time venceu apenas uma, contra o modesto Magdeburg na Pokal. Sem contar esse jogo, aliás, está há dois meses sofrendo gols toda vez que entra em campo (o último clean sheet foi em 20 de setembro, contra o Hamburgo).


Getty Images
Getty Images

Que horas são? Isso mesmo que você está pensando: hora de trocar de técnico


Tudo piora quando os rumores são de que os líderes do elenco estão ajudando na permanência do técnico. Schmelzer e Sahin, nomes fortes no vestiário, supostamente bancam o voto de confiança dado pela diretoria, que depois do evento de Tuchel parece não querer arriscar nova rebelião interna. Assim, o rebanho de indecentes segue mandando em um time onde não deveriam sequer ter espaço.


O Dortmund tem a combinação implosiva de um vestiário tóxico e um técnico incapaz. Dessa forma a torcida pode se despir de qualquer ambição e entender que o lucro nessa temporada é a sobreviver até janeiro com o mínimo de dignidade que for possível. Se Bosz não foi demitido depois desse papelão contra o Schalke, aposto minhas fichas que será o técnico do Borussia até a virada do ano.



Curta a página do blog Muralha Amarela no Facebook


Siga @muralhaamarela e @wpaneque no Twitter