Antes de contratar, Dortmund precisa decidir quem deve vender

O novo ano traz responsabilidades ao Borussia Dortmund. Não se trata apenas de recuperar a credibilidade após os meses sombrios de Peter Bosz, ou de fazer um semestre digno para assegurar a permanência dos principais jogadores. Isso tudo é importante, mas a prioridade deve ser primeiro reduzir o elenco.


O elenco do Borussia Dortmund é grande e o clube errou em agosto ao não efetivar algumas saídas. Entre principais atletas, veteranos e garotos, atualmente são 29 jogadores que compõem o grupo principal. Isso é muita gente, mesmo tendo em conta que geralmente pelo menos dez estão lesionados.


Getty Images
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Schürrle precisa liderar a barca de negociados


O elenco grande é ruim por diversos motivos. Primeiro porque os jovens não conseguem espaço. Segundo que os veteranos do Dortmund têm grande influência no ambiente de decisões (não deveriam ter tanto, mas é assunto para outro texto), e quando não jogam as tensões são inevitáveis. O Borussia Dortmund virou um grande ônibus da turma da 5ª série, onde o fundão apronta de tudo e quem está na frente uma hora vai pedir para sair.


Hendrie Krüzen, auxiliar de Bosz, disse em entrevista que esse foi um problema real. Não sei até que ponto foi mesmo determinante para que o time rendesse tão pouco na passagem do técnico holandês, mas é evidente que o elenco se dividiu em castas e as decisões deixaram de ser tomadas exclusivamente por critérios intra campo.


Me parece óbvio que algumas saídas importantes devem acontecer apenas no final da temporada - como a aposentadoria de Weidenfeller e a inevitável e necessária venda de Aubameyang (também assunto para outro texto, pois é uma opinião controversa mas que consigo explicar). A meta que deveria ser estipulada para janeiro é despachar pelo menos cinco jogadores do atual elenco.


A zaga precisa ser reformulada, mas antes das chegadas é preciso definir as saídas. A primeira delas é enfim vender Subotic, que entre tantas idas e vindas continua sendo uma opção inexplicável. Entre Sokratis e Toprak, alguém vai ter que acabar saindo, pelo simples fato de que o Dortmund merece e precisa de alguém melhor.


Divulgação/Borussia Dortmund
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Subotic tem uma história bonita no clube, mas não tem mais nada a acrescentar


Erik Durm quase foi cedido ao Stuttgart em agosto, mas o negócio fracassou. Recuperado de lesão, espera-se que consiga um novo clube. E tomara que consiga mesmo. Sebastian Rode é outro recém-recuperado que não tem condições de fazer parte do elenco; tem mercado dentro da liga e, a não ser pelo alto salário, tem condições de ser muito bem despachado.


Uma saída, no entanto, é consenso e precisa acontecer. De qualquer maneira, nem que o Dortmund tenha que pagar para que jogue em outro time: André Schürrle. Tenho certeza que até o próprio espírito já fugiu do corpo e desistiu de continuar. O que sobrou é um boneco de cera que anda. Tem mercado na Inglaterra e na própria Alemanha, e o Borussia nem precisa ser muito exigente na negociação. Um bom negócio é não ter mais isso no elenco, seja como for.


Muito tem se falado nos reforços necessários para a defesa ou opções para melhorar o meio e ataque, mas de pouco adianta contratar e não vender. Enquanto estiver aumentando o elenco em números, o Borussia Dortmund não vai conseguir filtrar no quesito qualidade.



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