O limite entre a provocação e o desaforo: a saída de Aubameyang era inevitável

Perder um dos grandes destaques das últimas temporadas e respirar aliviado é roteiro incomum. No entanto, Pierre-Emerick Aubameyang se mostrou ser alguém que vive uma realidade distante do ordinário. Com o gabonês tudo vira um grande evento, e sua saída do Borussia Dortmund não poderia ter sido diferente.


O que poderia ser uma mensagem de agradecimento acaba com tom de nota de pesar. É lamentável que o artilheiro do time nas últimas temporadas consiga sair pela porta dos fundos, mas é dever de todo aurinegro se desfazer das memórias do atacante e não olhar para trás. Hoje, o melhor negócio era mesmo despachar o camisa 17.


Getty Images
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Há alguns meses, Aubameyang deixou de ser solução para o ataque e se tornou problema


Há algumas janelas o atacante vinha expressando o desejo de ser negociado. O Borussia Dortmund nunca negou ouvidos aos interessados, mas se manteve firme quanto ao valor pedido. Com a cabeça em Dortmund ou em outro lugar do mundo, Aubameyang continuou sendo o artilheiro do time e agindo como um profissional. Até que não mais.


Ocorre que os jogos mentais de Aubameyang começaram a fugir do controle. Não falo sobre a vontade de atuar por outro time ou pelo pedido formal de negociação. Auba sempre foi um provocador, mas qual o limite entre a brincadeira e o desaforo? Me parece claro que a paciência da direção, principalmente Michael Zorc, se esgotou há algumas semanas.


A transferência para o Arsenal era tratada como inevitável pelos jornalistas que acompanham o Borussia. Isso porque o ambiente criado entre jogador e clube ficou hostil, a diretoria não estava disposta a se submeter ao esforço de reintegrá-lo ao elenco, assim como ter que viver todas as especulações por mais seis meses. A impressão que fica é de que se livrar do fardo que se tornou Aubameyang tem mais importância do que a mera saída do artilheiro do time.


São vários os pontos de vista sobre a saída do gabonês, mas um deve prevalecer: o Borussia recebeu mais do que o jogador vale atualmente. Problemático e, na prática, um atacante de poucos recursos, Pierre-Emerick Aubameyang completa 29 anos em junho. Difícil imaginar que fosse valer os mesmos 60 ou 70 milhões de agora daqui alguns meses.


Divulgação/Borussia Dortmund
Divulgação/Borussia Dortmund

Com Aubameyang interessado em sair, não fazia mais sentido para o Borussia segurar um atleta insatisfeito


Uma preocupação comum é quanto ao substituto. Aubameyang criou a ilusão de que é insubstituível, isso porque moldou seu estilo para ser o artilheiro que a equipe precisa e também por conta do Borussia nunca ter apresentado um concorrente a altura. Não vejo isso como um problema, afinal é obrigação do clube ter mais do que uma alternativa. Dos temores da torcida, acredito que esse deve ser contornado com relativa facilidade.


Aubameyang ajudou muito o Borussia Dortmund e ninguém precisa cuspir no passado e negar isso, mas os números transformam ele em um craque que nunca foi. Pior do que as estatísticas indicam, melhor do que outras opções no mercado, nesta janela não é um negócio absurdo para o Arsenal. No entanto, o Dortmund não sai perdendo tanto quanto alguns imaginam.



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