Stöger não merece um novo contrato no Borussia Dortmund

Quando Peter Bosz foi demitido após uma sequência de nove partidas sem vitória, a chegada de Peter Stöger surpreendeu. Demitido do Köln por deixar o time em frangalhos, assumiu o Borussia Dortmund com uma missão inédita na carreira. Em um grande clube e com maiores objetivos, o técnico teria cerca de seis meses para provar ser digno da confiança.


Logo na coletiva de apresentação, Stöger foi questionado sobre o contrato curto e foi enfático ao expressar a consciência de que poderia estar apenas de passagem pelo clube. Receber um novo contrato e permanecer por mais do que um semestre era algo pouco provável, mas parece que a diretoria do Borussia passou a considerar essa opção.


Divulgação/Borussia Dortmund
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Técnico razoável para um período de transição, Stöger não pode ser a escolha definitiva do Borussia


Parte da torcida acredita que Peter Stöger tenha resolvido a maior parte dos problemas da equipe. Outra parte acha que foi uma escolha medíocre. Nem tanto ao céu, nem tanto à terra, eu só quero que a temporada acabe logo e o técnico consiga manter o time vivo até lá.


Um dos argumentos recorrentes é de que o time melhorou com a chegada do novo técnico. Pois bem: se comparado com o rendimento do Borussia com Bosz, não era necessária nenhuma grande mudança para que o time agradasse um pouco mais. Digamos que o Borussia Dortmund saiu da UTI, mas é um erro achar que está curado.


É verdade que o treinador está invicto na liga desde que chegou (e passadas dez partidas, é um fato relevante). Sobreviveu ainda à Europa League e perdeu apenas uma vez, para o Bayern de Munique, fora de casa, na Pokal. Mesmo empatando quase metade dos jogos no comando da equipe (6 de 13), é difícil encontrar indícios de que tenha condições de dirigir esse projeto no longo prazo.


Os pontos positivos são poucos. Individualmente, Schürrle voltou a render graças a sequência de partidas. Mais adiantado, Mario Götze tem crescido de produção. Além disso, contou com as contratações de Akanji, Batshuayi, e o retorno de Reus. Como obra do próprio Stöger, o mérito mínimo, que é inventar menos do que Peter Bosz e apostar na simplicidade.


Divulgação/Borussia Dortmund
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Reus tem sido um dos responsáveis por salvar o Dortmund nas últimas partidas


O simples, porém, tem colocado o Borussia em enrascadas. Individualismos e talentos à parte, o futebol é pouco envolvente e passa a impressão de que há muito pouco acrescentado pelo treino do técnico. Uma das missões era consertar a defesa, que também ainda não conseguiu (sofreu gol em 9 dos 13 jogos).


Mesmo assim, acredito que Peter Stöger esteja cumprindo com sua missão enquanto efetivo com jeito de interino. Devolveu alguma solidez ao Dortmund e tem carregado o clube, uma partida de cada vez, à possível classificação para a Champions, que foi a meta estabelecida. Mas a régua que mede um socorrista não pode ser a mesma que avalia uma proposta de longo prazo.


Caso Stöger receba uma proposta de renovação e permaneça por mais tempo, o Borussia estará fadado a esse mesmo futebol burocrático que não condiz com o planejado ao longo da última década. Uma coisa é aceitar o técnico como a solução que era possível para esses últimos meses, outra é se contentar com ele para um projeto que merece mais.



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