Botafogo 1-2 Fluminense: a nobreza das vaias

O estádio de futebol é o lugar mais democrático do planeta. Nele, encontramos adultos, crianças, adolescentes, idosos; gente de todas as crenças, religiões, linhas políticas e gostos musicais. Todos, no entanto, unidos por um amor maior em comum: seu time do coração. 


O problema é que, infelizmente, existem torcedores que não se respeitam. O princípio de confusão ontem, na arquibancada, surgiu pelo mesmo motivo de quase sempre: um grupo quer vaiar, o outro não quer; os dois lados não respeitam o livre arbítrio e preferem sair na mão a ficar cada um na sua.


A vaia pode existir, sim. Aliás, ela precisa existir. O time foi mais longe do que todos nós esperávamos, mas isso não significa carta branca para fazer merda à vontade. A postura demonstrada ontem foge do razoável e do que nos acostumamos - com o que deveria ser o mínimo, o respeito à camisa Gloriosa.


Vitor Silva / SSPress
Vitor Silva / SSPress

Jair viveu seu pior dia à frente do Botafogo: mal nas alterações e na coletiva também


Como bem disse o meu amigo e ídolo Zé Fogareiro, o dia de ontem não deve "ser esquecido", como sugeriu Jair Ventura. É por apagarmos da memória com facilidade os dias como o sábado que estamos há 22 anos sem um título de expressão. Precisamos lembrar de jogos como esse diariamente, três vezes por dia, até conseguirmos trazer outra taça para General Severiano. 


Hoje não teremos notas específicas na crônica. É zero para todo mundo, inclusive para o treinador - que, apesar de ótimo no que faz, precisa aprender mais sobre humildade e gerência de grupo. Primeiramente, foi mal nas alterações. Depois, muito mais grave, deu péssima declaração sobre Léo Valencia. 


O grupo do Botafogo precisa respeitar seu torcedor, que é a razão por ainda existirem, e decidir se vai ser aquele time aguerrido, que supera barreiras e vence obstáculos como um bando de obstinados - ou se vai ser o bando que foi neste sábado, preguiçoso, desrespeitoso, acomodado e descomprometido. 


Perder para esse time ridículo do Fluminense é inaceitável. Em casa, de virada e novamente nos minutos finais, então é vergonhoso. Todo o trabalho de um campeonato inteiro pode ser jogado fora com derrotas como essa. Por sorte, os resultados da rodada não foram tão ruins para nossos planos. 


A vaga na Libertadores está logo ali. Basta ter vergonha na cara e vencer os jogos restantes. Enquanto não decidem como querem ser vistos na história ao final da temporada, seguimos com nosso direito de cobrar e aplaudir quando quisermos. Vaiar o time é tão nobre quanto aplaudir, o que muda são as circunstâncias. 


Aguardemos esse time mostrar novamente que tem vergonha na cara e trazer os 3 pontos do Recife, com uma atuação digna e respeito a quem deposita seus milhares de reais certinho todo início de mês. Não aceitaremos nada menos do que a recolocação na Libertadores. O Botafogo é muito maior do que boas campanhas.


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