Botafogo 0-1 Atlético-PR: jogar em casa é jogar fora

Por Fabiano Bandeira


Quando entrei no jornalismo esportivo, identifiquei que teria que modificar algumas coisas. O profissionalismo exige que eu separe o "Fabiano torcedor" do "Fabiano jornalista". Ontem estive no Estádio Nilton Santos para comentar com isenção a partida entre Botafogo e Atlético Paranaense para a Rádio Opinião e ler o jogo de forma imparcial me ajudou a identificar os erros que o Alvinegro comete. O jornalismo é abrangente e algumas vezes é necessário ser clubista para ser profissional. Parece contraditório, mas esta coluna é exatamente assim. Ao contrário das análises de ontem, neste espaço é possível chamar de patética a atuação alvinegra.


É difícil separar a paixão da profissão, porém é muito mais complicado quando o comentarista é obrigado a analisar de forma contundente e isenta mais uma apresentação lamentável do Botafogo dentro de casa. O Furacão veio ao Rio de Janeiro com o intuito de se fechar e sair para o ataque só quando a oportunidade fosse boa. As linhas de defesa estavam bem definidas e o Botafogo não conseguia furar o bloqueio atleticano. Com o esquema engessado, restaria ao Fogão trabalhar a individualidade. Acontece que o futebol é coletivo e o time de Jair Ventura depende muito do conjunto, pois falta talento e inventividade a muitos jogadores do elenco.


Vitor Silva / SSPress
Vitor Silva / SSPress

Bruno Silva e Carli, pilares do time, não repetiram as boas atuações recentes


Quando Guilherme chutou e Gatito falhou clamorosamente, ficou nítido que o Botafogo teria muita dificuldade para criar alguma situação de gol. O rival se organizou ainda mais na defesa e deixou o Glorioso com a bola. Pimpão saiu no intervalo e Guilherme pouco fez no lugar do camisa 7.Victor Luis saiu machucado e Gilson não foi notado ao substituir o lateral titular. Valencia entrou no lugar de Marcos Vinícius e embora tenha tentado aparecer pro jogo, errou a maioria dos lances. A partida foi morna até o apito final e o Atlético Paranaense nos venceu por 1x0 no Estádio Nilton Santos.


Na entrevista coletiva perguntei ao Jair os motivos do Botafogo ter tentado fazer tantos cruzamentos e não ter criado jogadas por dentro. Mencionei o fato do atacante Brenner não ter recebido a bola mesmo marcado pra fazer ao menos uma jogada como pivô e completei indagando a respeito do que fazer para mudar isto em 3 dias. Jair respondeu que o Atlético bloqueou o corredor central, marcou a partir dos volantes alvinegros e deixou os espaços no lado do campo. Segundo o técnico, por estes motivos o Botafogo tentou atacar pelos flancos. Sobre o que fazer para o próximo jogo, Jair ressaltou que vai focar no descanso, pois a temporada começou cedo.


Como profissional da Rádio Opinião, o meu papel é perguntar, ouvir e interpretar. No Blog, o assunto não pode ser ignorado. Discordo do nosso ótimo treinador. O Botafogo não pode se limitar a alçar bolas quando encontra um time que dificulte a marcação pelo meio. Jair é reconhecido como grande técnico e tem méritos, mas o Fogão deveria ter variações de jogadas para que pudesse surpreender o adversário. Troca de posições e mudança de esquema fazem parte do jogo. Além disso, o time está cansado, porém deveria folgar no domingo e repousar na terça-feira. Em pelo menos um dia, o Alvinegro teria que treinar algo novo para melhorar a parte ofensiva. Se não foi blefe do treinador, a resposta é preocupante.



Notas


Gatito Fernández: 4
Falhou bisonhamente no gol e fez uma defesa difícil.


Arnaldo: 4
Bem na defesa e mal no ataque. O Botafogo precisava atacar.


Joel Carli: 6
Manteve a regularidade.


Emerson Silva: 6
Não comprometeu.


Victor Luis: 5
Estava apagado e infelizmente saiu machucado no primeiro tempo.


Rodrigo Lindoso: 5
Deixou a desejar em relação às atuações anteriores.


João Paulo: 6
Tentou se movimentar e criar jogadas, mas foi anulado pelo esquema adversário.


Bruno Silva: 4
Errou praticamente tudo que tentou.


Rodrigo Pimpão: 3
Tem disposição, mas vive péssima fase. Saiu no intervalo.


Marcos Vinícius: 3
Foi refém do esquema e praticamente andou em campo.


Brenner: 5
Nada pôde fazer. A bola não chegou.


Gilson: 5
Se limitou a marcar.


Guilherme: 4
Entrou e pouco produziu.


Leo Valencia: 4
Tentou, tentou e nada conseguiu.


Jair Ventura: 3
É bom salientar que faz excelente trabalho. Contudo, não conseguiu mudar a partida com as trocas de jogadores e não apresentou novidades para surpreender o Atlético.


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Fabiano Bandeira é colunista do Pop Bola, comentarista no CJC Esportes e na Rádio Opinião. Participa esporadicamente do Pop Bola na Rádio Globo. Você o encontra falando sobre Botafogo em seu Twitter.