São Paulo 0-0 Botafogo: gosto amargo do filme repetido

Tem sido um sacrifício e tanto assistir aos jogos do Botafogo. Por mais que seja inimaginável dizer isso no ano em que mais nos empolgamos com o clube neste século, o Alvinegro transformou-se em um time chocho, sem sangue nos olhos, quase sem brio. 


Alguns jogadores ainda resistem e brigam praticamente sozinhos; caso de João Paulo, que parece ainda estar em ritmo de Libertadores e dá a vida em cada disputa de bola. O contraste com Bruno Silva, por exemplo, é gritante. Ver o camisa 8 em campo depois do total derespeito à torcida chega a me dar asco.


No geral, o time até brigou - o que já é uma baita evolução em relação aos 3 vexames que demos em casa - mas esteve sem confiança e sem sem personalidade suficientes para superar um São Paulo desfigurado e quase de férias. O jogo, em si, foi um banho de tédio. 


Ale Cabral/Agif/Gazeta Press
Ale Cabral/Agif/Gazeta Press

Guilherme teve uma das atuações mais bisonhas dos últimos tempos


É assustador ver como qualquer time, bom ou ruim, tem uma naturalidade absurda, em relação ao nosso, para se distribuir em campo e tocar a bola no setor ofensivo. Seguimos sem posicionamento algum no último terço de campo, basicamente sem saber o que fazer com a bola para, misteriosamente, encaixá-la naquele retângulo que chamam por aí de baliza. 


Já vimos aquele time imundo lá da Gávea nos ultrapassar na tabela. Bahia e Chapecoense, times que até ontem brigavam contra o rebaixamento, só não colaram no Botafogo na tabela pois também tropeçaram nessa rodada. O Alvinegro estacionou na tabela e não dá indícios de reação a duas rodadas do fim do Brasileirão. 


Meses atrás, sonhamos com as taças da Libertadores e da Copa do Brasil. Semanas atrás, planejávamos resultados para alcançarmos a vaga direta para a fase de grupos. Hoje, vemos a vaga da pré escorrer por nossos dedos como areia movediça. Tudo mudou em pouco tempo e não sabemos como consertar; apenas sentimos aquele gosto amargo de filme repetido. Pobres de nós, torcedores, que somos sempre a vítima nesse barco à deriva chamado Botafogo. 


Notas


Gatito Fernández: 7
Fez duas ótimas defesas e assistiu o restante do jogo. 


Arnaldo: 4
Teve uma boa fase mas, aparentemente, já voltou ao seu normal. Deixou espaços atrás e errou todos os cruzamentos. Pelo menos nunca deixou de correr.


Joel Carli: 7
Segurou a peteca e carregou a defesa nas costas. Um dos poucos que manteve seu nível de rendimento e segue com prestígio junto à torcida. 


Igor Rabello: 5,5
Jogo regular, mas segue dando botes desnecessários que põem tudo a perder - dessa vez, aos 44 do 2º tempo. Por sorte, Carli salvou. 


Victor Luis: 6
Só de pisar em campo já é superior ao seu reserva. Fechou bem o lado esquerdo, mas segue deixando a desejar no setor ofensivo. 


João Paulo: 8,5
Impecável. Briga em todas as bolas e não desiste de uma jogada sequer. Marca como um leão e é o mais lúcido na hora de sair para o jogo. Honra a camisa sempre durante os 90 minutos. 


Rodrigo Lindoso: 6
Fez o feijão com arroz, mas errou lances bobos e acabou desperdiçando uma boa chance de gol. 


Bruno Silva: 5
Desgostoso vê-lo em campo novamente com nossa camisa depois do absurdo desrespeito à torcida. Fosse séria a diretoria, já estaria afastado. Tecnicamente, apagado outra vez. Que vá embora, como tanto quer.


Rodrigo Pimpão: 5,5
Correu e brigou muito, bem mais do que nos últimos jogos, mas segue péssimo tecnicamente - errou praticamente todos os chutes, passes e cruzamentos. A magia acabou. 


Leo Valencia: 7
Buscou muito o jogo e teve boas participações. A falta de ritmo e de confiança ainda o prejudicam bastante, mas é uma ilha de capacidade técnica se comparado às outras opções. Ainda levo fé que, com uma boa pré-temporada, consiga se adaptar e mostrar todo o seu futebol. 


Guilherme: 2
Horroroso. Individualista, fominha, fraco e descomprometido. Se jogasse 1% do que pensa jogar, estávamos feitos. Graças a Deus faltam apenas dois jogos para eu nunca mais vê-lo com nossa camisa. 


Marcos Vinicius: 5,5
Chamou a responsabilidade, mas hesitou demais no último passe/chute. Tem algum potencial, mas não consegue engrenar. 


Gilson: sem nota
Felizmente pouco encostou na bola, sendo nulo no jogo. Outro que já se tornou insuportável só de ver entrar em campo. Rezemos para que vaze ao fim da temporada. 


Brenner: sem nota
Entrou aos 44' do 2º tempo, mas teve tempo de dar uma canelada na bola, sozinho, no meio de campo. 


Jair Ventura: 5
Seu time melhorou um pouco em relação aos últimos jogos, mas ainda muito aquém para quem pretende ir à Libertadores. Demorou demais para substituir Guilherme e Bruno Silva. 


| Siga-me no Twitter: @pedrochilingue