O novo Botafogo de 2018: expectativa e incertezas

Vítor Silva/SSPress/Botafogo
Vítor Silva/SSPress/Botafogo

Botafogo inicia o ano de 2018 com várias mudanças


A temporada passada começou sob desconfiança, caminhou para a euforia e culminou em decepção. O peso dos 22 anos sem títulos acabou transformando os sonhos alvinegros em um fim de ano estressante e desgastante para todos. Ainda sem entender os fatos obscuros que levaram o time a desandar tanto na reta final, precisamos virar a página para recomeçar. 


Na virada de ano perdemos algumas peças, trouxemos outras, mudamos de técnico e, pela primeira vez em dois anos, não sabemos como o time irá jogar. Como sou veementemente contra tirar conclusões em janeiro, vamos apenas navegar pelos assuntos mais relevantes e fazer um panorama geral. 


Jair Ventura e Felipe Tigrão


Talvez o assunto de maior destaque envolvendo o Botafogo no mercado de transferências, a troca de técnicos deu o que falar. O filho do Jairzinho, após ótimo trabalho no Botafogo, preferiu escalar o Everest em outro lugar. Zero mágoa, mas também zero saudade. No campo, apesar de algumas limitações, foi disparado o melhor que tivemos nos últimos anos; no entanto, tropeçou nas palavras em suas coletivas e declarações polêmicas, desgastando a relação com o clube e a torcida. Sigamos em frente. 


Em seu lugar, foi efetivado seu auxiliar Felipe Conceição - ou, para os mais antigos como eu, Tigrão. A garotada de hoje talvez nem lembre, mas nosso novo treinador era um promissor atacante das categorias de base. Rápido, habilidoso e bom finalizador, Felipe teve sua carreira abreviada pelas lesões e agora tentará uma segunda chance de lograr êxito com nossa camisa - desta vez, do lado de fora das quatro linhas. Com seu jogo vertical, promete dar um pouco mais de posse de bola à equipe, mas sem perder a consistência defensiva.


O nome me agrada. No entanto, não escondo que esperava, até pela ordem natural das coisas, a efetivação de Eduardo Barroca. O excelente treinador do time sub-20, além do título na categoria em 2016, já tem uma carreira mais consistente e já treinou no futebol profissional pelo Bahia e pelo Resende. Felipe, apesar de muito promissor, ainda está muito "cru" - só tem trabalhos nos times sub-15 e sub-17, além de um retrospecto muito favorável no Gonçalense: oito jogos, sete derrotas. 


Perdas no elenco


Na virada de ano, comemoramos o fim da aberração de contrato do Renan Fonseca. No time titular, perdemos apenas o Victor Luis, que retornou ao Palmeiras, o Roger, sobre o qual prefiro nem me manifestar, e o Bruno Silva, que já não respeitava o Botafogo há algum tempo e se transferiu, de maneira conturbada, para o Cruzeiro. Espero que, ao contrário de outras negociações recentes, o time mineiro honre com seus compromissos e pague o que deve pela ida do volante.


Outros nomes que saíram sem deixar saudades foram Jonas, Guilherme e Hélton Leite. O volante Fernandes e o atacante Vinicius Tanque foram envolvidos em negociação com o Atlético-GO, ambos por empréstimo. Já Emerson Silva, negociado com o Atlético-PR, e Airton, que não deve ter contrato renovado, poderiam ter sido olhados com mais carinho; o primeiro deixa uma lacuna de zagueiro canhoto no elenco, enquanto o segundo poderia ficar mediante redução salarial, caso a parte física permita que jogue com alguma frequência. 


Contratações


Nessa janela de transferências, sem dinheiro, o Botafogo precisa ter criatividade. Por enquanto, a preferência é por jovens com potencial de revenda. O problemático e promissor Leandro Carvalho, que vem de uma boa temporada no Ceará mas tem um passado obscuro no Paysandu, chega como aposta de velocidade no ataque. Outro contratado é o jovem Luis Fernando, destaque do rebaixado Atlético-GO, que teve sua transferência viabilizada por investidores botafoguenses e é a nossa melhor contratação até agora.


Considerado negócio fechado há alguns dias, o meia-atacante Roni, do Cruzeiro, não deve vir mais. Embora não seja grandes coisas, poderia acrescentar no setor ofensivo - que vem recebendo atenção especial, em busca de mais qualidade técnica e velocidade, algo que faltou em 2017. Renatinho, do Paraná, também negocia e seria uma excelente aposta. 


Já para o ataque, os nomes especulados não agradam nem um pouco. Rafael Moura, Kieza, Hernane e Anselmo Ramon são exemplos de uma falta de criatividade que não pode sequer chegar perto de General Severiano nesta temporada. Medalhões, ultrapassados e tecnicamente abaixo do que exige uma Série A. Por enquanto, o único nome aceitável é o de Gilberto, do São Paulo, que ainda aguarda proposta do exterior. Sua contratação é considerada pouco provável. 


A parte que incomoda é o setor defensivo. Com apenas o fraco Gilson, de contrato renovado, e Yuri, o promissor menino da base, a lateral-esquerda preocupada. Assim como a zaga que, com a saída de Emerson Silva, não tem mais uma sombra para Igor Rabello - já que Carli e Marcelo jogam pelo lado direito. Mesmo com as subidas de Helerson e Kanu ao time titular, a chegada de uma peça mais experiente seria importante. 


O retorno de Anderson Barros


Muitos comemoraram, eu apenas lamentei. Não pelo nome, que até é melhor que seu antecessor Antônio Lopes, mas pela incapacidade do Botafogo em olhar para frente e buscar novas alternativas, novas historias, novos personagens. Nosso clube tem um apego inexplicável a pessoas que já participaram do nosso dia-a-dia em uma época que não guarda nenhuma memória positiva; apenas uma série de vexames e anos sem títulos. 


Outros nomes especulados, como Rui Costa e Klauss Câmara, teriam sido escolhas melhores. Resta esperar para ver se o trabalho de Barros melhorou alguma coisa nos últimos 5 anos de forma a acrescentar mais do que fez na sua primeira passagem. 


Pré-temporada no Espírito Santo


Fica difícil de opinar sem estar por dentro da situação, mas o que aconteceu é uma completa falta de respeito com os alvinegros do ES. Muitos já estavam com passagens e estadia garantidos para acompanhar de perto os primeiros passos do Glorioso em 2018 e foram surpreendidos com o cancelamento da pré-temporada a apenas três dias de seu início. 


O Botafogo é um time de torcida nacional e precisa melhorar muito o tratamento dado a seus torcedores de fora do Rio de Janeiro. Saber captá-los e explorá-los em prol de um crescimento mútuo é muito importante para a sobrevivência do clube e também para a ampliação de sua torcida fora de nosso estado. Decepções como essa não podem acontecer novamente de maneira alguma. 


Expectativa para o início da temporada


O início de ano do Botafogo é o mais enigmático em várias temporadas. As mudanças no time não são conclusivas, a filosofia de jogo deve mudar e começar do zero e a torcida precisará ter muita paciência, sobretudo com os garotos da base que estarão no time principal. 


Diante de tantas expectativas e incertezas, só nos resta fazer o que já virou especialidade nos últimos vários anos: esquecer as decepções, virar a página e renascer das cinzas, esperando que o martírio dos anos sem título finalmente acabe. Em 2018, temos a Copa do Brasil e a Sul Americana para sonhar. Nunca se esqueçam: é possível. Vamos à luta!


| Siga-me no Twitter: @pedrochilingue