Técnico inventa e Botafogo passa vergonha na Copa do Brasil

Câmera bizarra. Gramado ruim. Estádio acanhado. Para quem começou 2017 sob os holofotes dos grandes jogos na Libertadores, é duro se acostumar com a realidade. De volta à Copa do Brasil, o Botafogo fez o que sabe de melhor na competição: passou vergonha e foi eliminado de maneira precoce. 


Antes da partida, o susto: Felipe Conceição, que repetiu a mesma formação tática durante todos os jogos do Estadual, onde poderia fazer testes, resolveu brincar de laboratório em torneio mata-mata e escalou um time com três zagueiros, Dudu Cearense no meio e achou que tudo ficaria bem. 


Para jogar em um 3-5-2 (ou -3-4-3, como preferirem), dois fatores são importantíssimos: primeiro, muitos treinamentos intensos de posicionamento e postura no novo esquema; segundo, ter ótimos alas que saibam como tirar proveito dos lados do campo ao ter mais liberdade para ir e voltar. O Botafogo, é claro, não teve nenhum dos dois. E passou vergonha. 


Evito, aqui, falar de jogador A ou B. No cenário do jogo de hoje, isso seria injusto independente do nome escolhido como grande culpado. E, não, jamais irei falar aqui em "fantasma da Copa do Brasil", azar, fatores sobrenaturais. Nada disso. O problema real é a incompetência e a falta de ambição.


Vítor Silva/SSPress/Botafogo
Vítor Silva/SSPress/Botafogo

Felipe Conceição entrou com esquema inédito e pagou o preço com a eliminação


O conjunto de fatores, que ganha vida a cada vez que o Botafogo participa da Copa do Brasil, traz à tona uma dificuldade incrível do clube em se planejar. Não é o torneio que tem problema com o Glorioso, mas sim o inverso. Quando deveria entrar rasgando para tentar, enfim, beliscar um título nacional, o clube prefere utilizar o torneio como playground de testes. 


O Botafogo, aquele que eu conheci, acabou. O Alvinegro, que na década de 90 foi campeão estadual, regional, nacional e internacional, hoje se apequena cada vez mais diante do seu ínfimo quórum político e da ausência completa de ideias inovadoras para se reinventar como clube de futebol. 


Enquanto não tomarmos a política do clube para nós e lá colocarmos gente competente e gabaritada para reinventar o Botafogo, continuaremos vivendo dias como hoje num ciclo sem fim. Enquanto a palavra "profissionalismo" não circular mais que o ar em General Severiano, seguiremos estagnados. 


Daqui a quatro dias, enfrentamos o Flamengo pela semifinal do Campeonato Carioca. Nada que aconteça vai apagar a vergonha de hoje, mas não podemos aceitar nada menos que uma vitória. Daqui em diante, a preparação tem que ser intensa para, ao menos, sobrevivermos na Série A. Essa é a realidade.


Notas


Jéfferson: 5
Mostrou insegurança em alguns lances, embora sem culpa nos gols. 


Marcelo: 5
Falhou no gol de Nonato e, assim como toda a zaga, bateu cabeça diante do novo posicionamento. Foi bem - e melhor que Arnaldo - nas subidas ao ataque. 


Joel Carli: 5,5
Jogando no meio dos 3 zagueiros, sem ritmo de jogo e logicamente inadaptado à função, esteve aquém da sua regularidade. 


Igor Rabello: 6
Foi quem menos sentiu o esquema inventado pelo técnico. Ainda assim, bateu cabeça com os companheiros. 


Arnaldo: 3
Chega a doer a vista ver esse cidadão tentando jogar futebol. Conseguiu errar um lateral, mostrando que é ruim também com as mãos. E gastamos 400 mil reais nesse traste.


João Paulo: 8
Com sobras o melhor do time. Muito bem na transição do meio-campo, marcando e armando praticamente sozinho. Ótimo nos desarmes e nos passes. Lindo lançamento para o gol. 


Dudu Cearense: 3,5
Pode ter jogado bola quando era mais jovem, mas "aca, no". Totalmente displicente, não tem a menor condição física de atuar no futebol profissional. Constrangedor. 


Gilson: 2,5
Tão horroroso quanto Arnaldo. Como agravante, falhou no gol da virada ao perder a jogada no alto. 


Luiz Fernando: 4
Muito retraído. Ainda não conseguiu jogar o bom futebol que motivou sua contratação. Precisa se soltar, jogar com mais vontade e alegria. A hora é agora. 


Rodrigo Pimpão: 3,5
Começou bem, fazendo bem o escape pelo lado e marcando um lindo gol. No segundo tempo, caiu demais, errou diversos cruzamentos e, para completar, foi expulso de maneira infantil - prejudicando o time nos minutos finais, quando aconteceu a virada. 


Brenner: 4
Completamente fora de forma, não conseguiu dar piques curtos. Errou passes fáceis e destoou da movimentação do restante do time. 


Rodrigo Lindoso: 4,5
Entrou no lugar de Dudu Cearense e, embora tenha preenchido melhor os espaços, esteve péssimo tecnicamente. Errou tudo o que tentou com a bola no pé. 


Kieza: 4
Mesmo nos momentos de pressão no desespero, sequer apareceu ou foi citado na transmissão. 


Renatinho: sem nota
Como de costume, teve pouco tempo para jogar e tentar desenvolver algum futebol. 


Felipe Conceição: ZERO
Não pode, de maneira alguma, fazer o que fez hoje. Resolveu inventar um esquema que nunca havia posto em campo e dificilmente treinou alguma vez. Fez da Copa do Brasil laboratório enquanto sequer mudou o esquema tático no Carioca. Sua inexperiência, relatada aqui anteriormente, pesou num momento de reestruturação. Eduardo Barroca estaria bem mais preparado para o cargo, mas sabe-se lá o que se passa no Botafogo. Vamos aguardar os próximos dias para saber se vai conseguir manter-se no cargo. 


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