Imbróglio pelo Estádio Nilton Santos mostra que está tudo errado no futebol carioca

Como diria o atacante Fred, "o Carioca tem que acabar. Acaba, Carioca!"


Está tudo errado no futebol do Rio de Janeiro. Clubes, federação e tribunal protagonizam, mais uma vez, uma sequência de decisões bizarras e precipitadas - para não dizer outras coisas bem piores - e tiram os últimos vestígios de credibilidade que ainda restavam por aqui. 


Começando pelo próprio Botafogo. Após não ter competência para eliminar o rival na semifinal, o clube lançou uma nota oficial vergonhosa e constrangedora - em que alega, com todas as letras, que não alugará o estádio para o jogo final devido às provocações de um jovem de 17 anos após um gol. 


Algumas pessoas alegaram que o gesto acaba gerando violência entre jogadores e torcedores. Na boa, quem está errado nisso é quem briga, não o jogador que faz um gol e comemora de maneira provocativa e sadia. Futebol é isso aí. Ou pelo menos era. É inadmissível que o clube, enquanto instituição centenária que é, se sujeite a fazer birra. Não ceder o Niltão é um direito, mas não sob essa alegação esdrúxula. 


Próximo erro: Flamengo. Um clube que se considera o maior do país dentro da megalomania de seu universo paralelo deveria ter, ao menos, um lugar para mandar seus jogos. Enquanto peregrina de estádio em estádio, de cidade em cidade, prejudica o bom andamento do torneio ao invés de fincar raízes em algum lugar definitivo. 


Além disso, todos sabemos que os rubronegros não são lá muito fáceis de lidar. Embora tentemos frear essa guerra fria que prejudica a todos, precisamos pisar em ovos para não tomar voltas e rasteiras - como no caso Willian Arão, por exemplo. E não somos os únicos; o Fluminense, quando tentou se aliar ao arquirrival, voltou com o rabo entre as pernas - em algo que, de tão óbvio, acabei prevendo aqui no blog


Vítor Silva/SSPress/Botafogo
Vítor Silva/SSPress/Botafogo

Estádio Nilton Santos, o foco da nova briga generalizada no futebol carioca.


Deixando de lado os clubes, chegamos ao tribunal. Esse mesmo, que aparece de surpresa para tumultuar ainda mais o ambiente cedendo uma liminar ao Boavista para que consiga mandar o jogo no Nilton Santos, mas até hoje enrola para dar seu parecer sobre a nefasta e sombria intedição do mesmo por dois anos - e que, depois, concluiu-se como "desnecessária". 


Apenas no Brasil vemos casos nos quais o tribunal tem o direito de passar por cima da vontade do dono do estádio. O Real Madrid recusou-se a ceder o Santiago Bernabéu para a decisão da Copa do Rei, entre Barcelona e Athletic Bilbao - e lá na Espanha não tem TJD para intrometer-se. 


Por último - e não menos problemática - chegamos à federação de futebol do Rio de Janeiro. É inimaginável que, em um campeonato saudável, rentável e disputado, a FERJ fature mais que todos os clubes. Pois é o que acontece no Carioca; comendo fatias enormes de tudo o que envolve dinheiro, a nossa federação é um câncer


Incomoda demais que os clubes simplesmente não façam nada contra esse poder abusivo e indiscriminado. A falta de profissionalismo é tanta que nossos dirigentes não conseguem sentar-se na mesma mesa, traçar planos mínimos e organizar uma liga, pulando fora desse formato falido e antiquado em que nos enfiamos. 


Deixo aqui o meu pedido, quase que implorando: clubes do Rio de Janeiro, lutem pelos nossos direitos - e quando digo nossos, refiro-me aos torcedores, que são quem mais sofre com toda essa disputa pelo poder. Não é razoável que todos aceitem o que foi pré-definido nos arbitrais sem sequer questionar ou tentar mudar o que está nos levando para o buraco.