Nova Iguaçu 1-2 Botafogo: Cedo para avaliar Alberto 'ValenTite'

Por Fabiano Bandeira


O clubismo, salutar em qualquer ambiente relacionado aos torcedores de futebol, deixa o título deste texto absolutamente contraditório. É impossível comparar o novo treinador do Botafogo ao consagrado técnico da Seleção Brasileira após uma vitória contra o limitado Nova Iguaçu. Mas o botafoguense anda machucado e um trocadilho ruim não faz mal. É hora de sorrir, pois o Glorioso venceu e chegou a jogar futebol de forma organizada.


Alberto Valentim chegou disposto a mudar o rumo do Glorioso em 2018. O treinador trocou peças, barrou os dois laterais, introduziu um novo esquema e reestruturou a marcação. Na vitória sobre o Nova Iguaçu, Valentim deu liberdade para o lateral Marcinho apoiar com a ajuda de Ezequiel e prendeu o estreante Moisés pelo lado esquerdo para que a marcação ficasse compactada.


A equipe da baixada tentou marcar a saída alvinegra no início da partida, mas o Fogão não se assustou e continuou forçando a transição com toque de bola. Em determinados momentos o time invertia a jogada pelo alto a fim de surpreender a defesa do Nova Iguaçu. Numa dessas viradas, João Paulo encontrou Marcinho que passou para Ezequiel disputar e servir Kieza bem colocado para fazer 1x0.


A jogada do primeiro gol teve participação de um meia, um lateral, um extremo e um centroavante. É importante ressaltar a limitação dos pequenos no Campeonato Carioca, mas o torcedor recorda que há poucas semanas o Botafogo era incapaz de organizar ataques com qualidade. Engana-se quem pensa que a culpa era exclusivamente de Felipe Conceição. No fim de 2017 a transição ofensiva do time de Jair Ventura era péssima.


Vitor Silva/SSPress/Botafogo
Vitor Silva/SSPress/Botafogo

O estreante Valentim foi o centro das atenções na noite de ontem


Após o gol, o Glorioso tomou conta da partida e ampliou o placar em falta cobrada de forma magistral por Leo Valencia. O chileno ainda está devendo, mas buscou o jogo e encontrou espaços na nova formatação da equipe. João Paulo agora busca o jogo atrás da linha da bola e deixa o camisa 10 flutuar nas costas dos volantes.


O Botafogo estava compacto. Marcinho e Ezequiel atacavam em alta intensidade pela direita, Moisés e Pimpão fechavam os espaços pela esquerda e Lindoso seguia bem posicionado a frente da zaga. Contudo, a falta de ritmo atrapalhou, Marcinho saiu e o antigo titular Arnaldo deu um passe perfeito para Dieguinho diminuir para o Nova Iguaçu.


Os mais pessimistas podem ter enxergado algum perigo. Contudo, o Botafogo controlou a partida mesmo após a entrada de Luiz Fernando no lugar de Ezequiel e Dudu Cearense na vaga de Pimpão. Luiz entrou bem pela extrema esquerda, Dudu deu sustentação ao meio e Kieza continuava se movimentando no ataque. O camisa 9 fez gol e deu trabalho aos zagueiros adversários.


A brincadeira com “Valentite” é válida. Contudo, o importante é a projeção para a temporada. O Alvinegro não fez a partida perfeita em Edson Passos, mas deu indícios de um time organizado, estruturado e que pode apresentar variações ofensivas. Em 2017 a torcida se acostumou a ver um Botafogo aguerrido e baseado na marcação. Espera-se que a partir de fevereiro de 2018 a equipe volte a fechar os espaços e ganhe a ofensividade necessária para o sucesso.


Notas


Gatito: 8
Não teve culpa no gol e esteve seguro nas poucas vezes que foi exigido.


Marcinho: 7
Surpreendeu positivamente. O lateral ficou quase um ano parado e estreou em 2018 com subidas importantes ao ataque. Deixou poucos espaços na defesa.


Marcelo: 8
Foi mais protegido pelo sistema e fez uma das melhores partidas no ano.


Igor Rabello: 6
Fazia um grande jogo, mas “dormiu” quando Arnaldo errou o passe. Os dois tiveram culpa no gol do Nova Iguaçu.


Moisés: 7
Marcou bem e mostrou categoria. Precisa de tempo pra mostrar se o apoio comedido é por característica própria ou instrução do treinador.


Rodrigo Lindoso: 7
Voltou e foi importante para o desenvolvimento do jogo alvinegro. Pilar a frente do miolo de zaga.


João Paulo: 8,5
O melhor jogador do Botafogo na temporada fez mais uma boa partida. Marcou, trocou passes e fez lançamentos longos. Iniciou a jogada do primeiro gol com uma bela invertida para Marcinho.


Ezequiel: 8
Com auxílio de Marcinho, o garoto revelado em General Severiano partiu pra cima da marcação e deixou a defesa do Nova Iguaçu preocupada. Deu bela assistência para o gol de Kieza.


Leo Valencia: 6,5
O chileno ainda precisa mostrar mais com a bola no pé. Fez um golaço de falta, mas executou poucas jogadas criativas. Foi bem taticamente e lutou bastante.


Rodrigo Pimpão: 6,5
Errou menos que o costume e teve mais liberdade pelo lado esquerdo. Voltou a recompor a linha de marcação com inteligência e força física.


Kieza: 8,5
Fez mais um gol de centroavante e se movimentou bastante. Filho de pai alvinegro está cheirando a bola na rede.


Arnaldo: 4,5
Voluntarioso e rápido, mas ratificou a decisão que o fez virar reserva. Num passe extremamente mal dado, o lateral entregou o gol pro adversário e quase pôs o Fogão em perigo.


Luiz Fernando: 6,5
Jogou em poucos minutos o que não havia jogado em todas as partidas como titular. Entrou, fechou espaços e deu qualidade ao ataque. Quase fez um golaço após driblar o defensor, mas isolou a pelota.


Dudu Cearense: 6,5
Fechou a linha do meio e auxiliou na manutenção da posse de bola. Quase fez um gol de cabeça.


Alberto Valentim: 7,5
O novo comandante alvinegro aproveitou bem o tempo que teve para treinar o time. A exibição não foi de gala, mas o Botafogo pareceu mais organizado. Durante grande parte do jogo foi fácil identificar as duas linhas bem definidas na marcação e, em alguns momentos, a movimentação do sistema ofensivo.


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Fabiano Bandeira é colunista do Pop Bola e comentarista do programa CJC Esporte e da Rádio Opinião. Participa esporadicamente do Pop Bola na Rádio Globo.


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