Flamengo 1-0 Botafogo: o álibi perfeito

Há muito tempo a arbitragem não interferia de forma tão direta em um jogo do Botafogo. Desde aqueles episódios lamentáveis em 2007, o Alvinegro não era tão prejudicado em uma partida - coincidentemente ou não, contra o mesmo adversário. E tudo isso, ao invés de provocar uma intensa reformulação na arbitragem brasileira, serviu apenas para criar uma provocação besta - que virou o álibi perfeito no futebol nacional. 


Um gol impedido aos 3 minutos de um clássico, claro, muda a historia do confronto. Logo em seguida, um pênalti ignorado, um gol anulado de maneira bastante duvidosa e até um cartão amarelo aplicado para o jogador errado - que, aplicado de maneira correta, acarretaria em uma expulsão alguns minutos depois, ainda no primeiro tempo. 


Vale lembrar que o adversário, em partida no meio de semana, bradou aos quatro cantos o erro da arbitragem a favor do River Plate. E está certíssimo em fazê-lo. O problema é que, quando a favor, opta pelo "chororô". A imprensa, inclusive, adora; só falou disso a semana inteira, com tanto assunto para debater em um pré-clássico.


Vitor Silva / SSPress / Botafogo
Vitor Silva / SSPress / Botafogo

Disputa de bola truncada: a cena que mais se repetiu na partida


Assim segue o futebol nacional, caminhando a passos largos para o fundo do poço. Sem profissionalizar sua arbitragem, sem tomar medidas enérgicas contra atuações patéticas como a do apitador João Batista de Arruda e seus assistentes. O mesmo para o futebol sul americano, com a arbitragem prejudicial ao Flamengo no jogo de quarta - mas, nesse caso, não é "chororô", é claro. 


Falando sobre bola, algo que claramente faltou neste sábado, o clássico foi parelho. Fora o lance do gol irregular, o Flamengo pouco criou; o Botafogo, por sua vez, teve mais posse de bola, rondou a área e buscou espaços, mas só assustou em cabeçada de Marcelo. O Glorioso voltou a mostrar bastante limitação e dificuldade na criação de jogadas, apesar de alguma evolução no jogo estruturado. 


A derrota preocupa e a atuação poderia ter sido melhor, mas nada incomoda mais do que a impotência sob os erros de arbitragem. Nada é feito, nada muda, nenhum juiz é banido e a profissionalização da arbitragem sequer é coitada. Do que adianta o tão falado VAR se os apitadores já têm convicção a respeito dos erros?


Notas


Gatito: 6,5
Apenas observou boa parte do jogo. Só apareceu em boa defesa em cobrança de falta. 


Marcinho: 6
Bons cruzamentos e tentativas de tabela próximas à linha de fundo. 


Marcelo: 6,5
Teve pouco trabalho com o ataque adversário. Quase fez um belo gol de cabeça, na melhor - e única - chance clara criada pelo Bota.


Igor Rabello: 5,5
Apesar do gol ter sido irregular, deixou Rhodolfo, forte arma no jogo aéreo, subir sozinho para cabecear em um lance de bola parada. No resto do jogo, teve pouco trabalho e foi regular. 


Moisés: 6
Se enrolou com a bola algumas vezes, mas deu bons botes defensivos e fez ultrapassagens interessantes - muitas vezes desperdiçadas ou ignoradas pelos companheiros. Com sequência, pode crescer mais. 


Rodrigo Lindoso: 5,5
Burocrático. Não deu sequência às jogadas e errou passes bobos. Deve perder posição em breve com a chegada de Marcelo. 


João Paulo: 7
Muito participativo, brigou em todas as jogadas. Dinamiza o meio-campo e faz o jogo rodar. Precisa de alguém melhor que Lindoso e Valencia para dar produtividade ao time. 


Ezequiel: 6
Não foi mal, mas esteve discreto durante quase todo o jogo. Quando usou sua melhor característica, que é partir para cima, sofreu pênalti - sumariamente ignorado pela arbitragem. 


Leo Valencia: 5
Apesar da movimentação, mais uma atuação apagada. Passes errados, lançamentos desnecessários e desperdícios que irritam demais - como o cruzamento fraco nas mãos de Diego Alves após boa jogada pela esquerda ou a falta na barreira no último lance do 1º tempo. 


Rodrigo Pimpão: 5,5
Alternou bons e maus momentos dentro da partida. Precisa ter mais inteligência para aproveitar as ultrapassagens de Moisés em velocidade. Precisa economizar na manjada jogada de cortar para o meio e cruzar - nem sempre mirando em alguém. 


Kieza: 6
Se movimentou menos que o de costume, mas teve seu trabalho dificultado pelo adversário bem fechado e pela falta de objetividade do time. Fez um belo gol de cabeça, anulado de maneira bastante duvidosa. 


Leandro Carvalho: 4,5
Tem potencial a ser explorado, mas ainda é uma jóia bruta que carece de ser lapidada. Algumas atitudes pouco profissionais e até infantis, como socar o adversário acintosamente, partir para cima do árbitro e ignorar a bola por achar estar impedido. Bastante cru para o nível de exigência que é jogar em um clube grande. 


Marcos Vinicius: 5,5
Entrou buscando jogo, fez um bom lance pela esquerda, mas depois sumiu. Sem ritmo, pouco contribuiu. 


Brenner: 5
Entrou no fim e não tempo para participar efetivamente do jogo.


Alberto Valentim: 6,5
Em pouco tempo, seu time já é bem mais organizado no chamado jogo estruturado. Jogadores sabem onde se posicionar e buscam tabelas e ultrapassagens. No entanto, ainda esbarra na falta de criatividade, visão e, às vezes, qualidade. Terá bastante trabalho. 


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