Botafogo 1-0 Bangu: mudando as regras

Horário bizarro. Dia escroto. Estádio vazio. Erro de arbitragem. Tudo normal no roteiro de mais um jogo do campeonato da FERJ. Com menos de duas mil testemunhas, volto o debate à milionária federação carioca e espero - sentado - uma explicação dos clubes grandes sobre toda essa passividade, mesmo diante de tanto prejuízo. O espaço do blog segue aberto para manifestações.


Enquanto eles não aparecem, seguimos tentando falar sobre futebol. O Botafogo deu mais um passo importante na tentativa de deixar para trás o ranço deixado pelos anos de futebol reativo instaurados por Jair Ventura. Um pouco mais solto em campo, o time de Alberto Valentim iniciou muito bem a partida contra o Bangu, mas deixou o ritmo cair com o decorrer do tempo. 


Apesar da evolução, ainda é nítida a dificuldade do time para chegar ao gol de forma natural - algo completamente compreensível depois de apenas 4 jogos de futebol propositivo e ofensivo. Pecando muito no último passe e nas conclusões, o Glorioso deve valorizar mais o desempenho do que o resultado magro - enquanto, em suas primeiras semanas, Valentim tenta mudar as regras.


Vítor Silva/SSPress/Botafogo
Vítor Silva/SSPress/Botafogo

Pimpão voltou a marcar e comemorou homenageando a filha que está por vir


Por falar em mudar as regras, parece que a FERJ está tentando alterar o funcionamento do impedimento. Pelo segundo jogo consecutivo, tivemos um gol de Kieza muito mal anulado. O tento daria tranquilidade ao time para buscar novos gols e uma primeira vitória elástica na competição. No entanto, a rede só foi balançar novamente em jogada individual de Pimpão, já no segundo tempo. 


Alberto testa peças, posições e faz revezamento até nas opções de banco - já que, no Estadual, são apenas 7 vagas. No fim, com o time extenuado, o Bangu ainda ameaçou uma blitz final - o que resultou em dois ou três lances perigosos, que poderiam ter causado problema caso o adversário fosse mais qualificado. Nem mesmo com os contra-ataques conseguimos dilatar o resultado final. 


Com o time em evolução, correremos contra o tempo à procura de estarmos prontos para o difícil Brasileirão que se aproxima. Valentim já vai se provando um bom técnico, mas precisará fazer mágica caso queira buscar mais do que os últimos anos nos reservaram no torneio nacional. Seguimos acreditando.


Notas


Gatito Fernández: 7
Uma boa intervenção em chegada perigosa do Bangu, além de boas reposições de bola. 


Marcinho: 6
Importante arma ofensiva, principalmente no primeiro tempo. Na segunda etapa, cansou e deixou espaços - que precisam ser observados contra times mais qualificados. 


Marcelo: 7
Com mais confiança, tirou todas pelo alto e por baixo. 


Igor Rabello: 6,5
Um pouco menos eficiente que seu companheiro, mas sem comprometer. 


Moisés: 6
Mais preocupado em defender do que em atacar, fechou bem os espaços. Precisa caprichar mais nos cruzamentos. 


Rodrigo Lindoso: 5,5
Deixou vários espaços, sobrecarregando João Paulo. Hesita demais em alguns passes simples que poderiam resultar em ataques perigosos. De positivo, iniciou a jogada do gol com um lindo chapéu.


João Paulo: 8
Faz de tudo. Sendo disparadamente o jogador mais qualificado tecnicamente do elenco, toda jogada precisa passar por seus pés. Ajuda na marcação, faz o jogo rodar no meio-campo e chega à frente para ajudar. Quase fez um lindo gol de canhota. 


Rodrigo Pimpão: 6
Vinha brigando com a bola no primeiro tempo, errando lances bastante fáceis. No segundo, salvou sua atuação com um lindo gol, ao cortar pro meio e acertar o ângulo. 


Leo Valencia: 6,5
Teve sua melhor atuação pelo clube. Mais solto, foi bastante participativo e tentou distribuir o jogo no último terço. Ainda peca demais nas decisões, principalmente no último passe. Seu custo-benefício ainda é bastante negativo. 


Ezequiel: 5,5
Não teve boa atuação, sendo burocrático e errando nas decisões na maior parte do tempo. Tem futebol para muito mais. 


Kieza: 7
Bom posicionamento, gol de centroavante (mal anulado, novamente), bons passes, bom pivô, boas caídas pelos lados quando necessário. Vai se adaptando aos poucos enquanto adquire ritmo de jogo. Cada vez mais titular. 


Marcos Vinicius: 6
Foi muito menos participativo que Valencia, sumindo em alguns momentos do jogo, mas acabou sendo mais decisivo: primeiro, no passe para o gol de Pimpão. Depois, ao fazer ótima jogada individual em nossa segunda melhor chance no jogo, já no fim. Precisa ser mais constante. 


Luiz Fernando: 5
Ainda não assimilou a mudança de ares. Alguns jogadores demoram mais do que outros e, por ser um jovem com muito potencial, devemos ter paciência com ele. Aos poucos, vai se soltar. Quem o viu jogar na Série A sabe do talento do garoto. 


Marcelo: 5
Foram poucos minutos, mas a primeira impressão não agradou. Facilmente driblado em três chances, um bote imprudente dentro da área - que poderia resultar em pênalti e um carrinho violento punido com cartão. Obviamente, é muito cedo para conclusões. Precisa de tempo de jogo.


Alberto Valentim: 7,5
Aos poucos, vai dando sua cara ao clube e tirando o peso sob o fato de ter a posse e marcar gols em jogadas trabalhadas. A missão é difícil, mas ele parece determinado - mesmo longe de ter o melhor elenco nas mãos. Me agrada ver a sua entrega. Precisa de alguns ajustes, como nos contra-ataques, mas no geral o panorama é positivo. 


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