Cheirinho de final: Botafogo bate o badalado rival

Podem passar os anos. Podem mudar os elencos. Podem criar um abismo entre ambos nas cotas de TV. Podem colocar Marcelo de Lima Henrique para apitar. Podem dar soco na barriga dentro da área e nada acontecer. Podem ser ampla maioria na arquibancada. Tudo isso pode acontecer; ainda assim, o bicho será certo


Muito se falou durante a semana. O poderoso Flamengo, com a vantagem do empate, apenas cumpriria tabela contra o fraco e combalido Botafogo na semifinal geral. Se perdesse, inclusive, "seria uma vergonha", segundo Mauro Cezar Pereira. O queridinho da imprensa brasileira já estava na final, só faltava jogar. Mas aí a bola rolou.


A bola rolou e o Botafogo, mesmo que por apenas 90 minutos nesse ano, esboçou ser aquele Alvinegro aguerrido, competitivo e brigador que tivemos o prazer de curtir na Libertadores do ano passado. Bem posicionado, disputando cada bola, sabendo explorar as fraquezas do adversário e lutando por nosso manto com sangue nos olhos. 


Vítor Silva/SSPress/Botafogo
Vítor Silva/SSPress/Botafogo

Luiz Fernando provocou rival na comemoração


Fica até difícil expressar o que foi essa vitória. Ao mesmo tempo que o Campeonato Carioca segue não valendo muita coisa, o peso da vitória é enorme. Após apanharmos do fraco time do Fluminense, precisávamos dar essa resposta - não à mídia ou aos rivais, mas a nós mesmos. Precisávamos nos enxergar como podemos e devemos ser daqui pra frente. 


É bem mais fácil criticar do que entender a nossa torcida. Massacrada há décadas, ela agoniza enquanto mantém, às vezes por um fio, a esperança de ver de volta os anos de glória - se não mágicos como na década de 60, marcantes e vitoriosos como na década de 90. Ora enxergamos isso distante, como no domingo; ora vemos mais perto do que nunca, como na Copa do ano passado. 


O Botafogo precisa levantar taças. Conquistar títulos de expressão. Não como esse Carioca, que podemos levantar daqui a 2 semanas; mas é nele que tudo pode começar, criando um grupo vitorioso, unido e forte. Um time acostumado a chegar em jogos como o de hoje e não sentir a pressão dos 23 anos sem grandes canecos. 


Se não somos o time com mais dinheiro, que sejamos o clube com mais vontade. Que a cada Neguebinha surja um Renatinho; que a cada Diego Alves exista um Jéfferson; que a cada arquibancada lotada e muda, sejamos os guerreiros de sempre. Nós por nós. Até o fim!


Notas


Jéfferson: 7
Começou inseguro, mas se recuperou e fez boas defesas no 2º tempo. Importante pela sua experiência, acalmando o time e orientando a defesa.


Marcinho: 8
Como disse no último texto: ele é jovem e vai oscilar, mas tem potencial. Hoje, fechou o lado direito - com boa ajuda de Luiz Fernando - e anulou o Neguebinha. Para completar, deu bonita assistência para o gol da vitória.


Joel Carli: 8
Começou sentindo a falta de ritmo de jogo, mas logo voltou a ser o zagueirão de sempre. Se falta velocidade, compensa no posicionamento e no jogo aéreo. Ótimo jogo.


Igor Rabello: 8
Tão bem quanto Carli, se destacou nos cortes pelo alto e em bloqueio de chutes perigosos. Recuperou-se na péssima atuação na semana passada.


Moisés: 7
Sempre uma boa válvula de escape pela esquerda. Teve trabalho na marcação, o que acabou o segurando boa parte do jogo no campo defensivo.


Rodrigo Lindoso: 7,5
Sua primeira boa atuação em 2018 veio em ótima hora. Ligado, foi eficiente na marcação e proativo na saída de bola. Segundo scout da tv, acertou 35 em 35 passes. Linda enfiada para Marcinho no lance do gol.


Marcelo Santos: 5
Bem abaixo do nível do time. Errou passes bobos e deixou alguns espaços. Melhorou na segunda etapa, mas ainda assim ficou abaixo da média.


Luiz Fernando: 8
Muito bom ver o garoto ganhando personalidade dentro e fora de campo, se acostumando ao peso da camisa e colocando em prática o seu potencial. Bonita finalização no gol, bastante correria e uma recomposição de alto nível. Além disso, mandou bem ao provocar na comemoração.


Renatinho: 7,5
Ainda não conseguiu encaixar na armação, mas fez ótima partida. Participativo na marcação, roubou algumas bolas no campo de ataque. Tem boa qualidade técnica. Com sequência, tem tudo para se destacar bastante. 


Leo Valencia: 6
Abaixo do que vinha apresentando. Mandou mal nos cruzamentos, seja de bola parada ou rolando. No segundo tempo, cansou e parou de ajudar na marcação, o que o fez ser substituído.


Brenner: 6
Ajudou na pressão na saída de bola, mas pouco participou com a bola rolando. Boa intervenção indireta no gol, puxando a marcação para abrir espaços, mas não caprichou na movimentação como em outras oportunidades.


Marcelo: 6,5
Entrou dando o gás e formando uma linha de 5 na defesa, já na reta final. Não devemos descartá-lo só porque o time fez um ótimo jogo após sua barração. Será bastante útil esse ano. 


Rodrigo Pimpão: 6
Entrou para fechar melhor o lado esquerdo e foi o que fez. Poderia ter aproveitado melhor os contra-ataques. 


Pachu: sem nota
Entrou na vaga de Brenner, mas pouco participou.


Alberto Valentim: 8
Seu time fez excelente partida defensiva. Foi maleável e utilizou Joel Carli, tendo uma boa resposta - ainda que jogando com suas linhas altas. A saída de bola vai sendo aperfeiçoada, assim como a recomposição dos extremos no momento sem bola. Interessante o teste do 5-4-1 nos minutos finais. Seu trabalho, que ainda é bastante inicial, dá indícios de que dará liga.


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