Botafogo 2-3 Vasco: nesta Páscoa, nós entregamos o doce

Muda a diretoria, muda o elenco, muda o técnico e o Botafogo continua com a sina de tomar gol em casa no último lance do jogo. Na primeira partida da decisão do Campeonato Carioca, erros individuais e confusão no sistema defensivo fizeram com que o Alvinegro incorporasse o espírito da Páscoa e entregasse o doce ao Vasco. 


Ao time, é verdade, não faltou garra - como mostra o lance do primeiro gol de Renatinho pelo clube, logo no início da partida. No entanto, faltou aquele futebol de quem está decidido e sabe o que quer; faltou a organização que sobrou contra o Flamengo e a sorte que deu as caras contra o próprio cruzmaltino semanas atrás.


Em casa, o time precisa jogar mordendo. Não pode ser permissivo, dando espaços e perdendo a posse de bola em sua própria intermediária. Todos sabemos que João Paulo faz muita falta, mas não podemos usar isso como muleta. O Botafogo é grande o suficiente para superar sua ausência e se recriar com as peças que tem. 


Vitor Silva / SSPress
Vitor Silva / SSPress

Lindoso foi o pior em campo pelo Botafogo


Exploramos muito pouco as diversas fraquezas do Vasco. A avenida deixada por Fabrício e a bola aérea foram utilizadas com eficiência apenas uma vez - coincidentemente, no mesmo lance, onde saiu o gol de Brenner. Faltou a malícia de aproveitar mais o fraco sistema defensivo deles, como fizemos no 1º gol. Devemos jogar com seriedade, mas sempre lembrando que é o péssimo time cruzmaltino do outro lado. Respeitamos demais e a conta veio.


No entanto, a final está longe de estar definida. Temos todas as possibilidades de reverter o placar no 2º jogo; basta nos portarmos com sabedoria na defesa e deixar o setor ofensivo fluir. Precisaremos das qualidades de Luiz Fernando, Renatinho e Valencia; das subidas dos laterais no tempo certo; da movimentação e da finalização do centroavante, seja ele Brenner ou Kieza. 


Precisaremos, acima de tudo, da união das torcidas do Botafogo. Hoje o setor Norte deixou muito a desejar, ora em silêncio, ora cantando músicas diferentes. Falta um jogo para levantarmos o caneco e coroarmos esse início de trabalho com muito suor, dignidade e vontade de fazer dar certo. O Brasileirão é logo ali - e será fundamental chegar nele carregando uma taça.


Todos ao Maracanã no próximo domingo!


Notas


Gatito: 6
Sem culpa nos gols. Fez duas boas defesas providenciais e esteve esperto nas bolas aéreas. 


Marcinho: 5
Exposto, não foi bem no mano a mano (que não deveria acontecer) e mostrou pouco poder de recuperação ao ser driblado por Riascos. Não se abalou com as vaias e fez boa jogada no gol de empate. Salvou um gol sem goleiro em lance crucial. Oscilou durante o jogo, errando passes e participando bem em outros lances. Não é sendo vaiado em uma final que vai melhorar seu desempenho. 


Joel Carli: 4,5
Teve muita dificuldade com o rápido ataque do Vasco, sobretudo em lances de ultrapassagem devido à sua lentidão. Pelo alto, não conseguiu "xerifar", o que deixou a zaga vulnerável novamente. 


Igor Rabello: 4
Atabalhoado na maioria dos lances, não cortou cruzamento no 1º gol do Vasco e vacilou em outros momentos. Não repetiu as boas atuações. Perdeu boa chance ao cabecear em cima de Martin. Precisa parar de marcar a bola. O gol nos acréscimos surgiu onde ele deveria estar na área.


Moisés: 6
Ganhou a maioria das divididas, embora não tenha sido produtivo no campo de ataque. Precisa corrigir pequenas falhas de posicionamento. 


Rodrigo Lindoso: 3
Foi desarmado como uma criança no 1º gol, perdeu a dividida com Pikachu no 2º e desperdiçou um gol feito na bola aérea. Não conseguiu fazer fluir a saída de bola, embora tenha se apresentado constantemente. 


Marcelo: 3,5
Impressiona pela sua falta de intimidade com a bola. Não conseguiu sequer dominá-la em boa parte dos lances. Melhorou um pouco na segunda etapa com alguns desarmes, mas é triste. Contratações como a dele são inaceitáveis para o nosso panorama: tira espaço de bons nomes da base para ser um zero a esquerda. Sua nota só foi maior que a de Lindoso pois não falhou em lances capitais como fez o seu companheiro. 


Luiz Fernando: 5,5
De positivo, o cruzamento para o gol de Brenner. No entanto, apareceu pouco e voltou a mostrar deficiência na recomposição, deixando Marcinho abandonado na lateral em diversos momentos. 


Renatinho: 7
O melhor do time. Voltou para buscar o jogo, apertou sempre na marcação e foi premiado com seu primeiro gol pelo clube, em boa roubada de bola dentro da área adversária. Vem mostrando muita vontade e boa técnica. Com a sequência, vai explodir.


Leo Valencia: 5
Apresentou-se bastante para o jogo, mas quase sempre erra no passe final, seja cruzamento, chute ou passe. Não tem explosão e acaba perdendo as disputas em velocidade, irritando a torcida. Displicente em alguns momentos. Saiu batendo o pé e precisa levar uma chamada. Não jogou quase nada ainda para ter toda essa marra. 


Brenner: 6,5
Brigou em todas, algumas vezes sozinho. Segurou a bola na frente e ganhou divididas pelo alto na intermediária. Faltou soltar a bola com mais rapidez. A única que recebeu em condições, guardou de cabeça.


Rodrigo Pimpão: 5
Entrou melhorando a recomposição pelo lado, mas voltou a mostrar sua incapacidade ofensiva. Recebeu boas bolas pela esquerda e despediçou todas. 


Kieza: 6
Mesmo sem ritmo, brigou em todas. Deu boa casquinha pelo alto, ganhando de três e deixando Pimpão na boa. Fez um belo gol, mas estava impedido. Sua mobilidade facilita nosso jogo ofensivo. 


Marcos Vinicius: 3,5
Entrou para irritar a torcida. Errou tudo o que tentou, com muita displicência e má vontade. Parece jogar dormindo. Irritante.


Alberto Valentim: 6
Seu time voltou a mostrar fragilidade defensiva, com a zaga bagunçada e os extremos vacilando na recomposição. No entanto, o jogo ofensivo fluiu, as bolas paradas melhoraram e o time mostrou novamente poder de recuperação. mandou mal ao colocar Marcos Vinicius. Precisa dar um esporro no grupo inteiro por tomar um gol no último lance de uma final de campeonato. 


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