Botafogo: paixão, loucura e título

Seja bem-vindo ao texto do título de Campeão Carioca de 2018. 


Hoje, aqui no blog, o papo é de maluco. Não terei palavras suficientes para fazer meus leitores entenderem o que foi presenciar mais esse título do Botafogo; apenas quem esteve presente no Maracanã entenderá a emoção de levantar essa taça diante de todas as adversidades. 


Chegamos ao jogo final com tudo contra. Não apenas o resultado da primeira partida pesava a favor do Vasco; os palpites, os desfalques, a opinião pública e a desconfiança de parte da nossa torcida nos empurraram para um jogo de nervos. 


Nos arredores do estádio, avistei os loucos de sempre. O sangue nos olhos estava presente no espírito de cada um. Não fomos para um jogo, não fomos para uma decisão; fomos para uma guerra. O clima, sempre amistoso entre os dois clubes, esteve abalado diante de tantas atitudes mesquinhas nesta semana.


Cancelaram a venda online de ingressos. Limitaram demais os pontos de venda para o Botafogo. Orientaram funcionários a nos prejudicarem de todas as formas possíveis. No entanto, esqueceram de dois fatores principais: jogar bola e respeitar a camisa Gloriosa. A bola sempre pune. 


Gazeta Press
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Não jogamos, nem de longe, o melhor futebol possível. Burocrático, o time criou pouco e não soube explorar os vários pontos fracos de adversário. Apesar disso, replicaram em campo o espírito de nossa arquibancada. O time lutou até o fim, enquanto nós cantávamos até o último fio de voz.


Suamos na bancada, assim como eles brigaram em campo. A química, que foi inflamada no treino aberto de sábado, fez o Maracanã explodir enquanto Carli empurrava a bola para o fundo das redes - enquanto muitos, do outro lado, já gritavam "é campeão" do lado de fora do estádio. 


O Vasco, durante toda essa semana, agiu como jamais fez. Tentou prejudicar o Botafogo de todas as formas possíveis, dentro e fora de campo. Com a bola rolando, machucaram com gravidade três de nossos jogadores em entradas criminosas. Fizeram jus ao apelido que tanto ouvi nas últimas horas: o "Flamengo dois". 


Divulgação
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Cenas como essa tornaram-se bastante comuns na última semana


O que aconteceu nos pênaltis só corroborou para o inevitável: Botafogo sendo Botafogo, superando as adversidades, renascendo das cinzas e mostrando ser um gigante. O título é merecidíssimo para comissão técnica, jogadores e, sobretudo, essa torcida maravilhosa que, mesmo massacrada por tudo e todos, faz-se presente quando necessário e vibra muito mais que qualquer outra. 


Estou aqui, alcoolizado e feliz, tentando transmitir em palavras o que senti essa noite. A superação no Maracanã, a festa em General Severiano e mais uma taça em nosso salão de troféus. O Carioca, em si, não vale nada; para nós, apesar disso, é o primeiro passo de uma ressurreição que precisa acontecer. 


Esse título é de todo o grupo. É meu. É seu. É de quem ama e apoia o Glorioso até o apito final. É de João Paulo. É de Bebeto de Freitas. É de Garrincha e Nilton Santos, que nos sorriram lá de cima com mais uma tarde espetacular e inesquecível. É de Gatito, que fez milagre novamente. É de Valentim, que nos representa na beira do campo. 


Não há cabimento resumir a noite de hoje à final do Carioquinha. Foi a vitória da dignidade contra a soberba, da humildade contra a deslealdade, do certo contra o errado. O Botafogo é paixão e é loucura; o Botafogo é a minha vida e a sua. O Botafogo, senhores, somos nós. E nós só precisamos de nós. 


Notas


Gatito Fernández: 9
No tempo regulamentar, espalmou uma bola nos pés de Riascos - que poderia ter resultado em gol - e saiu muito mal em um cruzamento perigoso. Nos pênaltis, voltou a ser decisivo e fez a diferença para o título. 


Marcinho: 6
Muita disposição, bloqueando o lado esquerdo do Vasco e tentando ajudar no ataque. Poderia ter sido mais eficiente nos passes e cruzamentos dentro da área. 


Joel Carli: 8
Sem muito o que fazer defensivamente, devido à inoperância do rival, lançou-se ao ataque sob permissão de Valentim. A estrela do Xerife Argentino brilhou e fez o gol quando muitos não mais acreditaram. Ele nunca desiste!


Igor Rabello: 7,5
Sem sustos na defesa, teve tempo para ajudar no ataque, inclusive na saída de bola - já que Marcelo não sabe sequer rodar a bola. Foi decisivo no lance do gol ao ajeitar para Pimpão.


Moisés: 6,5
Vinha, apesar de tímido, fazendo um jogo com a regularidade de sempre. Sua lesão preocupa. 


Matheus Fernandes: 6,5
Fez bons desarmes no campo de defesa, mas faltou mostrar mais personalidade na saída de bola. 


Marcelo: 5
Bastante fraco. Quebra o ritmo do restante do time. A bola rodou muito melhor quando foi substituído. 


Luiz Fernando: 6
Vinha tendo atuação discreta até sofrer entrada criminosa de Fabricio - mais uma, em nova entrada violenta, que pode nos comprometer no futuro. 


Renatinho: 8
Jogando centralizado, chamou a responsabilidade. Buscou a bola na intermediária, tentou tabelar, fez nosso jogo ofensivo e bateu muito bem o pênalti. 


Leo Valencia: 5
Nova atuação apagada, até pelo clima do jogo. Tentou muito, mas não foi efetivo em nenhum momento. 


Brenner: 7
Quase marcou nas poucas vezes em que recebeu bola em condições. No segundo tempo, foi para o sacrifício ao ser improvisado jogando mais recuado. 


Kieza: 7
Entrou e não teve chances. Apesar disso, deu maior movimentação no setor ofensivo e dinamizou o campo de ataque. 


Gilson: 4,5
Errou a maioria das bolas. O nível da lateral cai demais sem Moisés. 


Rodrigo Pimpão: 4
Entrou dando mais consistência na marcação, que é o que sabe fazer. Tentou várias jogadas pela esquerda e pela direita, mas errou praticamente todas. Participou bem do lance do gol, mas perdeu o pênalti e quase pôs tudo a perder.


Alberto Valentim: 7
Reorganizou nosso time. Apesar da proposta totalmente diferente de jogo, conseguiu ser campeão com pouquíssimo tempo de clube. Fortaleceu por nunca desistir. 


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