Audax Italiano 1-2 Botafogo: Sul Americana é obsessão

Obsessão: preocupação exagerada com alguma coisa; apego excessivo a uma mesma ideia; ideia fixa; impertinência; ato de aborrecer alguém com solicitações insistentes; neurose que se define pelos pensamentos, ou ações, repetitivos e compulsivos.


Não há definição melhor para a Sul Americana do que aponta o dicionário para a palavra mais repetida pelos botafoguenses nos últimos dias: obsessão. Após levantar o Carioca, o botafoguense, embora ciente de todas as limitações, pode e deve sonhar com vôos mais altos. 


A Copa Sul Americana é o alvo perfeito para o Glorioso. Não tão longa quanto o Brasileirão, não tão qualificada quanto a Libertadores; assim como em 1993, quando conquistou o único título internacional de um time do Rio de Janeiro dentro do Maracanã, também com um time fraco tecnicamente, o Bota sonha com um novo caneco de grandes dimensões. 


É importante enxergar a competição com a mesma gana com a qual olhamos e perseguimos a Libertadores em 2017. Apesar de ter times inferiores, o torneio tem prestígio e é tudo o que precisamos neste momento. Levantar a taça dessa competição seria gritar ao Brasil e à América que o gigante está de volta. 


Nas redes sociais, o clube iniciou a campanha #QueremosOBi, prontamente aderida pelos torcedores, tão carentes de grandes conquistas. Ao reconhecer que não tem grandes chances de sucesso no Brasileirão, o Alvinegro deve concentrar-se em colecionar 45 pontos enquanto sonha em dominar o continente. 


Divulgação Conmebol
Divulgação Conmebol

Quando tudo parecia desandar, Brenner empatou o jogo


Vencer hoje era importante. Sabemos que o time não empolga, mas Sinval, William Bacana e companhia também não o faziam. Com o peso da camisa, muita organização tática e sangue nos olhos, podemos chegar ao tão sonhado título da Sul Americana. Para isso, precisamos que diretoria, jogadores e torcida comprem o barulho. E o processo já começou.


Mesmo perdendo seu principal articulador logo aos 2 minutos, o time venceu as dificuldades, reencontrou-se em campo após sair atrás no placar e venceu novamente nos acréscimos. Um time com dificuldades, mas com briocolhões; o adversário era fraco, é verdade, mas o começo é promissor.


Permita-se sonhar, botafoguense. Nosso clube é grande demais para contentar-se com um estadual; jogue de lado as muletas, como a falta de dinheiro, e lute com toda a sua alma. Os maiores títulos da nossa historia tiveram como principal virtude a superação. Foque nisso e lutemos, como sempre contra tudo e contra todos!


Notas


Gatito Fernández: 6
Difícil cravar como falha, mas a bola do gol era defensável - no primeiro e no segundo lances. No resto do jogo, pouco trabalhou.


Marcinho: 5
Inconstante. Aos trancos e barrancos, conseguiu marcar o fraco lado esquerdo do Audax; já no ataque, errou quase tudo e deixou a desejar. 


Joel Carli: 6,5
Como todo o sistema defensivo, falhou no lance do gol. Seguro no restante da partida, ganhou todas pelo alto. 


Igor Rabello: 6
Enrolado no lance do gol, mas também não teve muito trabalho contra o fraco ataque chileno. 


Gilson: 5,5
Segue sendo uma avenida defensivamente. O gol saiu nas suas costas. Uma ou duas boas descidas à linha de fundo; errou quase todos os cruzamentos, mas caprichou no último e contribuiu para a virada.


Marcelo: 5
Um jogador que não é bom em nenhum fundamento. A impressão é que está no campo sem saber muito o que fazer. Até acertou alguns desarmes, mas é muito fraco. Não pode ser titular. 


Rodrigo Lindoso: 7
O mais lúcido do meio. Ajudou na marcação e foi quem conseguiu acertar alguma coisa na saída de bola. Deu boas enfiadas pelas pontas e iniciou a jogada do gol da vitória. 


Leandro Carvalho: 5
Partiu pra cima, mas errou quase tudo. Segue mostrando ter zero noção de posicionamento. Sendo mais claro: um peladeiro habilidoso. Precisa adequar-se à função tática necessária ou pouco jogará com Valentim.


Renatinho: sem nota
Infelizmente lesionou-se no primeiro minuto da partida. Não consegue ter sequência para desenvolver seu grande potencial.


Leo Valencia: 5
Irrita pela falta de pernas (literalmente) para chegar na bola em todas as jogadas. Não deu sequência em quase nada, seja errando passes ou perdendo em velocidade. Abandonou o fraco Gilson e não recompôs em nenhum momento. De positivo, as bolas paradas - em uma delas, deu bom cruzamento para o gol de Brenner. 


Brenner: 6,5
Lutou contra os zagueiros e guardou o gol quando a bola chegou. Sua atuação é sempre limitada às suas características, que não combinam muito com o estilo de jogo de Valentim.


Matheus Fernandes: 5,5
Entrou aos 5 minutos e correu bastante. No entanto, deixou a desejar - principalmente na distribuição de jogo, que era o seu forte na base. Precisa desenvolver seu potencial ou ficará para trás. 


Marcos Vinicius: 4,5
Entrou em campo?


Rodrigo Pimpão: 7
A estrela dele voltou a brilhar. Muito criticado nos últimos jogos, entrou nos minutos finais, melhorou a recomposição pelo lado e fechou bem para escolar o cruzamento de Gilson e virar o jogo. As pessoas continuarão me xingando, mas, em um elenco com Leandro Carvalho e Leo Valencia, ele tem que ser titular. 


Alberto Valentim: 6
Todo o seu plano de jogo foi derrubado com a lesão de Renatinho, o único articulador da equipe. Sua substituição não foi das melhores, colocando Matheus Fernandes e recuando o time, tirando a chegada à frente. Mexeu como pôde no segundo tempo e colocou o time pra frente. Deve estar se convencendo que, com as opções atuais, Pimpão é titular. Leandrinho e Bochecha precisam começar a ganhar chances. 


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