Botafogo 1-1 Palmeiras: a surpresa favorita

Por Fabiano Bandeira


Segunda-feira de estreia no Campeonato Brasileiro. O Botafogo, embora dono da casa, era o time que tentaria surpreender o favorito Palmeiras. A qualidade dos jogadores da equipe paulista é praticamente indiscutível e a capacidade de investimento é inversamente proporcional ao tamanho da dívida alvinegra. Contudo, apenas o Glorioso foi reverenciado com faixas de campeão antes da partida.


O Botafogo, campeão carioca, começou organizado diante do vice-campeão paulista. Valentim promoveu a entrada de Bochecha na vaga de Marcelo, que sentira dores no joelho. O time também contava com Matheus Fernandes e Lindoso. O que parecia um esquema com três marcadores se transformou num 4-1-4-1 bem desenhado. Um dos volantes ficava à frente da defesa, enquanto outros dois avançavam por dentro. Leandro Carvalho aberto na direita e Valencia na esquerda completavam a linha da meia ofensiva. Brenner era a referência. Com essa organização, o Fogão deu poucos espaços e chegou com perigo na primeira etapa.


Vítor Silva/SSPress/Botafogo
Vítor Silva/SSPress/Botafogo

Antes do jogo, ocorreu a tradicional entrega das faixas pelo título estadual


Guerra entrou no intervalo e deu mobilidade à equipe paulista. O Fogão bobeou e, numa bela jogada coletiva, o venezuelano abriu o placar. O Glorioso trocou a organização pela intensidade e foi competitivo dentro de seus próprios limites técnicos. Entraram Marcos Vinícius e Pimpão nos lugares de Bochecha e Leandro Carvalho. A estrutura se manteve, mas o fôlego estava renovado. O empate não chegava e Valentim ousou ainda mais: colocou o atacante Kieza e tirou Matheus Fernandes.


O Botafogo foi pro “abafa” e mais uma vez foi premiado. Em bola cruzada na área, Igor Rabelo deu um “drible fantástico” e involuntário em toda a defesa palmeirense; o zagueiro tentou chutar e furou a bola na primeira tentativa, mas pegou firme na segunda e estufou a rede de Jailson. A furada foi sem querer, mas a vontade de fazer o gol foi recompensada com o grito da galera. O justo placar ratificou a qualidade individual de um time e a disposição tática de outro.


Quando o Glorioso estiver em campo, o adversário que seja tratado como surpresa. Mas tampouco precisamos de favoritismo. Calar os críticos é a surpresa favorita do Mais Tradicional. O Botafogo é gigante e jogou de cabeça erguida contra um dos melhores elencos do país. A camisa ainda pesa e a torcida não tem dúvida. Com razão, o time saiu aplaudido de campo ouvindo um saboroso grito: "É CAMPEÃO!"


Notas


Gatito Fernández: 8
Fez uma excelente defesa no primeiro tempo e não teve culpa no gol.


Marcinho: 6
Continua inconstante. Defende com dificuldade, mas cruza como poucos laterais no país. Precisa ser mais confiante.


Joel Carli: 7
Protegido pelo esquema e seguro como quase sempre.


Igor Rabello: 6,5
Falhou no gol do Palmeiras e empatou para o Botafogo. Deveria perder mais um ponto por criar dificuldade na avaliação do colunista.


Gilson: 6,5
Não tem comprometido na ausência do titular. Evoluiu na marcação contra o um ataque forte.


Rodrigo Lindoso: 6,5
Oscilou durante a partida. Jogou bem em alguns momentos e errou passes bobos em outros.


Matheus Fernandes: 7,5
Voltou ao time com personalidade e elevou a qualidade do meio alvinegro.


Gustavo Bochecha: 7
O menino, oriundo da base de General Severiano, estreou na série A como se ainda estivesse jogando pela equipe sub-20. Poucos erros e muita aparição pro jogo. Depois cansou e foi substituído.


Leandro Carvalho: 5
Mostra que é veloz e habilidoso. Mas a falta de ritmo influencia nas tomadas de decisões equivocadas. Pode melhorar.


Leo Valencia: 6
Subiu de produção num jogo de alto nível. Ainda faz pouco, mas chegou a incomodar a defesa adversária com duas finalizações perigosas.


Brenner: 7
Não fez gol, mas recompôs com eficiência na marcação e ajudou a organizar ataques promissores. Tem evoluído.


Marcos Vinicius: 7
Entrou bem e deu mais movimentação ao time.


Rodrigo Pimpão: 6
Destoa tecnicamente, mas ajudou na intensidade e na recomposição.


Kieza: 5
Ajudou a prender a defesa adversária e furou duas vezes no mesmo lance. Poderia ter feito mais.


Alberto Valentim: 7,5
O treinador teve um teste complicado na estreia do Glorioso. Com desfalques importantes e um elenco limitado, Valentim soube remodelar o time e fazer os jogadores entenderem as funções que deveriam desempenhar. A gestão do grupo parece estar sob controle e mesmo com o empate, a torcida reconheceu o empenho dos comandados e do comandante.


| Fabiano Bandeira é colunista do Pop Bola e comentarista do programa CJC Esporte e da Rádio Opinião. Participa esporadicamente do Pop Bola na Rádio Globo.


-


| Siga-me no Twitter: @pedrochilingue


| Curta a página do Preto no Branco no Facebook!