Sport 1-1 Botafogo: guerra na lama

Nenhum time deve estar preparado para jogar na lama.


É uma pena que a primeira divisão do futebol brasileiro esteja sujeita a jogos em gramados - se é que podemos chamar assim - como o da Ilha do Retiro na noite de hoje. Sem drenagem, com chuva e um campo de futebol vira uma piscina de lama. 


No entanto, isso não pode servir como desculpa. Como sempre foi dito por aí, as condições da grama são iguais para os dois times. E o Botafogo fez parecer que venceríamos a primeira no Brasileirão ao começar o jogo bem postado, mordendo no meio-campo e pressionando a saída de bola. 


Todo o ímpeto foi embora junto com a melhor chance do jogo, desperdiçada por Rodrigo Pimpão - em um lance que ele já repetiu várias e várias vezes nos últimos anos. Sem dúvidas, sua capacidade cara a cara com o goleiro é nula e esse é seu maior defeito. 


Williams Aguiar/Sport Club do Recife
Williams Aguiar/Sport Club do Recife

Jogo foi brigado e bastante prejudicado pela ruindade do gramado


Depois disso, o Sport dominou o jogo. O nome de Gatito foi berrado pelo narrador algumas dezenas de vezes. Nosso paraguaio fechou o gol, fez alguns milagres e deu sorte em seu único erro, já no segundo tempo, em sair mal para cortar um cruzamento - o atacante do Sport, que empurrou para as redes, estava impedido. 


O Alvinegro, por sua vez, se perdeu. Não soube explorar o nervosismo do limitadíssimo time do Sport, cotado como um dos piores do campeonato, e deu muitos espaços na intermediária e pelas laterais. Desperdiçou boas chances de contra-ataque, chegou pouco ao ataque e fazia por merecer a derrota. 


Derrota essa que, por sua vez, esteve bem perto de acontecer. Quando o chute desviado de Everton Felipe encontrou as redes, a ficha caiu. Um adversário direto nos 45 pontos iniciais para evitar o inferno, mesmo sendo péssimo, havia nos dominado por quase 90 minutos e conseguido o gol dos três pontos.


O time sentiu o gol positivamente. Percebeu que havia espaços, notou que precisava tomar uma atitude e, aos trancos e barrancos, lançou-se ao ataque. O chute de Lindoso caprichosamente beliscava as redes enquanto o grito de alívio saía da garganta. Não era alegria, como na final do Carioca ou no Chile contra o Audax; a vibração, assim como no jogo contra o Palmeiras, era de desafogo. 


Nosso time é bastante limitado e, vale lembrar, jogou com diversos desfalques. O jogo não foi ótimo como avaliou a maioria dos comentaristas. Foi, sim, brigado e disputado. Foi uma guerra na lama. Dois times que superaram suas limitações e um campo patético. Faltam 43 pontos!


Notas


Gatito Fernández: 9
Tirando o erro na saída do gol bem anulado do Sport, fez uma partida de manual. Defesas inacreditáveis que refletem o grande trabalho que vem sendo feito junto ao craque Flávio Tênius. 


Marcinho: 5
Teve muitas dificuldades no setor defensivo e pouco apareceu no ataque. Sua bola parada é a melhor do grupo. 


Joel Carli: 6
Na bola aérea, tirou todas que pôde. Muitas vezes, ficou exposto pelas falhas de posicionamento do meio-campo, precisando arriscar botes. Não comprometeu. 


Igor Rabello: 5,5
Também exposto na área, arriscou demais e exagerou nas saídas da área para bote. Fez faltas bobas que poderiam comprometer - o que é o seu ponto fraco.


Gilson: 4
Displicente, errou passes fáceis na defesa e quase pôs tudo a perder. No ataque, errou tudo o que tentou. Dói meus olhos vê-lo usando a 6.


Rodrigo Lindoso: 6,5
Deixou espaços e exagerou nos passes laterais. Poderia ter tentado mais, como no lance onde foi à frente e fez o belo gol de empate. 


Bochecha: 5
Jogador mais técnico do meio-campo, foi quem mais sofreu com o gramado ruim. Ainda bastante sem ritmo - natural para quem não jogava há 14 meses. Vai evoluir.


Matheus Fernandes: 7
O mais consciente do meio-campo. Marcou bem, roubou bolas no campo de ataque e tentou arrumar a transição para o ataque. Vem crescendo com a sequência. Boa assistência para o gol.


Rodrigo Pimpão: 4
Começou muito bem, fechando o lado direito e roubando bolas no ataque. Em uma delas, no entanto, voltou a mostrar sua maior fragilidade: a falta de qualidade e sangue frio para definir jogadas. Faz bem a sua função pelo lado, mas põe tudo a perder no ataque. 


Leo Valencia: 3,5
É um Pimpão que não sabe marcar, cruzar e custa R$ 250 mil/mês. Sua nulidade irrita. Errou tudo o que tentou e não voltou para marcar, sobrecarregando o já péssimo Gilson. 


Brenner: 6
Boa mobilidade e visão de jogo ao tentar abrir os lances pelas pontas. Faltou receber uma bola boa em condições de finalizar. 


Pachu: 3
Inexplicável essa insistência. Seu futebol não existe. Desde a base, não mostra nada de bom. 


Kieza: 5
Tentou brigar com os zagueiros, mas sem sucesso. A falta de um armador prejudicou a sua participação.


Ezequiel: 6
Entrou abrindo o jogo com velocidade pela esquerda. Fazendo o mínimo, já mostrou mais que Valencia. Participou bem do lance do gol.


Alberto Valentim: 5
Armou o time com as peças que tinha. No entanto, mexeu muito mal ao colocar Pachu fora de posição - se é que ele tem uma. O time não foi bem como na estreia, ora prejudicado pelo gramado, ora muito passivo diante de um time bastante fraco. Precisa fazer o time vencer no sábado.


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