Botafogo 1-1 Vitória: muita coisa a melhorar

Está ficando difícil encontrar maneiras para seguir confiante.


Após encantar a torcida em seus primeiros jogos à frente do Glorioso, Alberto Valentim não tem mais conseguido dar um padrão de jogo para a nossa limitada equipe. Com a defesa batendo cabeça e o ataque sem saber o que fazer quando tem a bola nos pés, os olhos da torcida já se voltam para a parte de baixo da tabela. 


Todos sabemos que é um início de trabalho - que já rendeu um título carioca - e um começo embolado de Brasileirão. O problema é ver que o time não evolui; pelo contrário, a queda no rendimento é cristalina. Valentim parece não ter se decidido pela maneira ideal de jogar e o reflexo disso é não sabermos o que, de fato, almejamos no torneio nacional. 


No empate de hoje, sobretudo, faltou tesão. Faltou atitude, poder de decisão e concentração. Por ter um grupo nivelado por baixo, é preciso jogar a 200% em cada partida e ter a exata consciência do que fazer, tanto no momento defensivo quanto no ofensivo. Atualmente, desconhecemos ambos. 


Vitor Silva / SSPress / Botafogo
Vitor Silva / SSPress / Botafogo

O jogo foi tão feio quanto a careta do Lindoso


Valentim, que parecia ter encontrado o formado ideal no 4-2-3-1, acabou cedendo ao apelo de parte da torcida e aderiu aos 3 volantes - alternando entre o 4-1-4-1 e o 4-3-3. No desespero deste domingo, apelou para um 4-2-4. Aí, realmente, não chegaremos a lugar algum. 


Há muito tempo não víamos o Botafogo tão perdido como hoje. Em alguns momentos, particularmente, me lembrei daquele desespero de 2009 - onde o time era um caos, uma zona completa, e conseguia seus pontos através do acaso. Espero não precisar passar pelo que passei naquele ano. 


Por enquanto, seguimos dando algum tempo para Alberto ajeitar o time, embora a contagem precise começar: faltam 36 pontos. Ainda é cedo para determinarmos qual a nossa real briga no Campeonato Brasileiro; mas, até definirmos esse trajeto, é bom focar na permanência. 


Notas


Jefferson: 6
Vacilou no lance do gol ao não se livrar logo da bola, mas compensou o erro com uma bela assistência. No resto do jogo, sequer foi exigido.


Marcinho: 4
Não fez um bom jogo. Deixou espaços na defesa e foi inoperante no ataque. 


Yago: 6
Uma estreia discreta, porém correta. Jogou sério e não comprometeu. Será útil.


Igor Rabello: 6
Bloqueou algumas tentativas do Vitória pelo meio. Atuação na média.


Moisés: 5
Ainda tentando recuperar a ótima forma de antes da lesão. Não comprometeu na linha de zaga, mas foi pouco efetivo no campo de ataque.


Bochecha: 4,5
Não mostrou a personalidade que tem e exagerou nos recuos. Em um deles, saiu o gol do adversário. Não foi bem na saída de bola e nem nos lançamentos. Tem potencial para melhorar muito. 


Rodrigo Lindoso: 5
Fez bons lançamentos, mas perdeu divididas fáceis na defesa e deixou espaços para que o Vitória assustasse. Perdeu duas grandes chances no ataque.


Matheus Fernandes: 5
Brigou muito, roubou algumas bolas, mas faltou criatividade no último terço. Por invenção de Valentim, jogou parte do jogo aberto como um extremo e deixou a desejar. 


João Pedro: 4
Errou em praticamente todas as decisões com a bola. Ainda precisa de sequência, mas até agora não justificou a contratação. 


Luiz Fernando: 4,5
Burocrático, não partiu para cima uma vez sequer. Chegava no fundo e tocava para trás. Precisa ser mais incisivo ou voltará para o banco. 


Kieza: 7
Foi o melhor do time. Por ser mais veloz que Brenner, dá um pouco mais de profundidade ao ataque - como no lance do gol, onde partiu em velocidade atrás da bola e finalizou bem. Fez bons pivôs e brigou com a defesa do Vitória durante todo o jogo. Sofreu por a bola chegar pouco em condições de finalizar.


Aguirre: 6
Ainda fora de forma e sem ritmo, é nítido que sua capacidade técnica é bastante acima do restante do elenco. Parece não ter encontrado o posicionamento ideal - e isso passa pelo treinador. 


Ezequiel: 5,5
Entrou com velocidade pela direita, mas hesitou em momentos importantes. 


Valencia: 6
Deu mais qualidade ao jogo lateral, com cruzamentos e jogadas individuais. 


Valentim: 4
Escalou mal e se desesperou ao ver seu time não render mais uma vez, apelando para um 4-2-4. Contra um time mais forte, isso poderia ter sido fatal. O time está sem padrão de jogo, tanto na defesa quanto no ataque. Precisa fazer a bola rodar com mais rapidez, aproximar os jogadores sobretudo no meio-campo e criar mais jogadas de ataque. 


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