Bahia 3-3 Botafogo: como destruir a reação de um time

Gosto de falar sobre futebol. Erros, acertos, tática, técnica, movimentações, quem foi bem, quem foi mal. No entanto, infelizmente, a CBF às vezes não permite. O que fez hoje o apitador Leandro Bizzio Marinho foi inacreditável, sendo o melhor em campo pelo Bahia.


Um pênalti inexistente. Uma expulsão injusta. Diversas faltas ignoradas e/ou invertidas. Sequência de pancadas do Bahia impunes. Quatro minutos inexplicáveis de acréscimo na segunda etapa. Uma falta marcada aos 48:30', quando Brenner sairia na cara do gol, onde nada aconteceu. Isso sem forçar a memória. 


O Botafogo se superou, lutou e esteve por três vezes à frente do placar - duas delas já com um a menos em campo. Passamos por cima de nossas deficiências e de um time em crise, anulando suas principais peças e amarrando o jogo. O castigo do gol no fim, além de injusto pelas regras, foi injusto também pelo futebol apresentado pelas duas equipes. 


Felipe Oliveira / EC Bahia
Felipe Oliveira / EC Bahia

Novamente escalado fora de posição, Aguirre não foi bem


No entanto, não só a arbitragem teve culpa nos gols do Bahia; nossas falhas individuais foram nítidas. No segundo gol, Marcelo errou um passe imperdoável, praticamente armando a jogada do gol de Vinicius. No terceiro tento, com o agravante de ser a última bola do jogo, Marcinho permitiu que Allione, do alto de seus 1,69m, subisse para cabecear para as redes. 


Essa foi a receita para destruir a reação do Botafogo dentro da competição: roubos da arbitragem e falhas individuais. Se nem os times fortes resistem a essa combinação, quem dirá o nosso - com claras deficiências técnicas e ainda buscando o padrão tático ideal. A covardia dói e nos tira pontos que podem fazer muita falta lá na frente. 


Na quarta-feira, mais uma batalha. Receberemos o Atlético-PR, no Estádio Nilton Santos, com os dois times precisando demais da vitória nessa última partida antes da parada para a Copa do Mundo. Sabemos que o clube não tem direito algum de pedir algo à torcida - e muito menos eu - mas seria incrível que comparecêssemos em bom número para conquistar essa vitória no grito.


O Botafogo somos nós. Sempre lembrem-se disso.


Notas


Jéfferson: 8,5
Nos fez lembrar suas grandes atuações de outros tempos. Várias defesas difíceis, evitando um resultado ainda pior. 


Marcinho: 3
A queda de rendimento é brusca. Embora tenha participado com o cruzamento para o primeiro gol, foi muito mal na recomposição novamente e ainda falhou individualmente no gol de empate. Precisa de um intensivão defensivo, ou não terá futuro na posição.


Marcelo Benevenuto: 5
Enrolou-se em algumas jogadas simples e foi facilmente driblado em um ou dois lances. Por sorte, nada que comprometesse o resultado. 


Igor Rabello: 7
Vem em uma boa sequência. Fez um ótimo jogo, com vários cortes e bloqueios importantes. Está se tornando um ótimo zagueiro. Será um duro golpe perdê-lo nessa janela de transferências.


Moisés: 5,5
Muitas bolas nas costas no primeiro tempo. No segundo melhorou um pouco, recompôs melhor e roubou algumas bolas importantes. Poderia ter se esforçado mais para bloquear o último cruzamento do jogo, que acabou resultando em gol. Precisa, também, melhorar no momento ofensivo.


Rodrigo Lindoso: 5
Fechou bem alguns espaços frente à área, mas novamente foi nulo na saída de jogo. Com Jean à disposição, deveria perder a vaga de titular.


Matheus Fernandes: 6,5
Bem como sempre nas roubadas de bola - tanto no campo de defesa quanto no de ataque. Foi irregular no apoio, mas fez bom jogo no geral. 


Rodrigo Pimpão: 5,5
Fechou bem o lado, cobrindo os espaços deixados pelos laterais. No entanto, nulo como sempre no campo do adversário. 


Leo Valencia: 8
Vai dando consistência ao seu jogo. Um belo cruzamento para o gol de Kieza e um lindo gol de falta. Apresentou-se bastante, fez boas tabelas e triangulações. Apareceu até mesmo ajudando na marcação na intermediária. Grande jogo.


Rodrigo Aguirre: 4
Novamente jogando longe do gol, fez um jogo bastante ruim. Não deu continuidade às jogadas, perdeu bolas fáceis na intermediária e foi nulo no ataque. Não cometeu o pênalti marcado, mas foi inocente na marcação em lances como o do primeiro cartão amarelo. Precisa, urgentemente, jogar como centroavante. 


Kieza: 8
Muito bem ao marcar dois gols de um camisa 9 nato e oportunista. Soube se posicionar, inclusive com um a menos em campo. Voltou para buscar jogo e ajudar na marcação ofensiva. Boa atuação. 


Marcelo: zero
Entrou para fechar o meio e tirar os espaços do Bahia. Foi completamente vulnerável, deu um gol de presente e desperdiçou a posse de bola ofensiva ao isolar uma finalização. Não tem como pontuar acima de zero. Sua contratação precisa de justificativas. 


Luiz Fernando: 6
Entrou num péssimo momento do time no jogo, logo após o gol de empate, onde o erro de Marcelo chamou o Bahia e sua torcida para cima de nós. Não conseguiu segurar a bola no ataque pois o time estava bastante recuado. No entanto, em uma arrancada em jogada individual, sofreu a falta que gerou o golaço de Valencia. 


Brenner: sem nota
Entrou ligado e roubou uma bola que geraria grande oportunidade de gol, mas o juiz marcou falta inexistente. Sem muito tempo para fazer mais. 


Alberto Valentim: 6,5
Seu time mostrou um padrão de jogo aceitável, sabendo se defender e sair para o jogo com a bola para chegar ao gol. Soube recuperar o time após a péssima atuação de quarta. No entanto, errou em dois pontos: ao insistir com Aguirre longe da área e ao colocar Marcelo em campo no segundo tempo. Ainda levo fé em seu trabalho e apostaria em uma ótima intertemporada durante a Copa do Mundo. 


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