Botafogo 2-0 Atlético-PR: gostinho do que podemos ser

Dezesseis de setembro de 2017. Há 271 dias e 46 jogos, não sabíamos o que era vencer uma partida por dois gols de diferença. A marca pode ser considerada negativa, mas ilustra bem a importância do triunfo sobre o Atlético-PR - na última rodada do Brasileirão antes da parada para a Copa do Mundo. 


O Botafogo, enfim, desencantou. Com o time armado novamente no 4-2-3-1 com dois extremos, o time de Alberto Valentim mostrou desenvoltura e bom toque de bola para superar as linhas do adversário. Com paciência para achar os espaços e boa movimentação de todas as peças, dominamos e matamos. 


Foi bastante agradável ver, finalmente, o time mostrando que sabe o que quer quando tem a posse. Variando entre bolas esticadas nas laterais para descompactar o Furacão e infiltrações pelo meio com um posicionamento inteligente entrelinhas, sobretudo com Valencia e Kieza. Explorar o estilo de jogo de Fernando Diniz, avançando a marcação sobre a saída de bola, também foi importante. 


Vítor Silva/SSPress/Botafogo
Vítor Silva/SSPress/Botafogo

Jogo coletivo foi excelente e resultou na melhor atuação do Bota no Brasileiro


Apesar de os dois gols do jogo terem saído em bolas paradas - um pênalti e e um escanteio - o Alvinegro criou diversas chances de gol com a bola no chão; esbarrando oras na má pontaria, oras nas defesas de Santos. O placar de 2 a 0 foi até magro perto do que poderíamos ter conseguido, mas isso é o de menos - importante mesmo foi a atuação para dar confiança no trabalho de Valentim.


Com os pés no chão, é válido lembrar que enfrentamos um adversário fraco - o que não diminui nossos méritos, mas aponta que, contra times mais bem organizados, teremos mais trabalho e precisaremos ser ainda mais eficientes para conquistar os três pontos. 


Sentimos um gostinho do que podemos ser. O time se doou, a torcida fez festa e essa importante química voltou a soltar fagulhas. A parada para a Copa do Mundo será de festa por todo o Brasil, mas espero que seja de muito trabalho em General Severiano. Treinos em período integral e muito preparo físico para voltarmos voando, visto que temos uma Sul Americana para conquistar. 


Notas


Jéfferson: 6
Pouquíssimo exigido, seguro quando a bola chegou. Precisa caprichar na reposição com os pés. 


Luís Ricardo: 6
Novidade na escalação, estava nitidamente sem ritmo devido ao grande período de inatividade. Deixou alguns espaços, principalmente no segundo tempo, permitindo infiltrações - felizmente, todas bloqueadas pela zaga. No geral, não comprometeu.


Yago: 6,5
Mais uma atuação segura. Faz o simples, não inventa e tem uma leitura bem rápida do jogo - o que permitiu que bloqueasse as poucas oportunidades criadas, sobretudo as passagens nas costas de Luis Ricardo. 


Igor Rabello: 7,5
No que pode ter sido a sua última atuação pelo Botafogo, foi muito bem mais uma vez. Seguro nos desarmes e eficiente no ataque, marcando um gol - que, para o juíz, foi contra. 


Moisés: 6
Atuação dentro da média. Poderia evitar algumas faltas bobas no entorno da área, além de caprichar mais nos cruzamentos. Quase fez um belo gol de fora da área. 


Rodrigo Lindoso: 6,5
Converteu o importante pênalti no primeiro gol. Deu suporte na saída de bola, mas ainda com muitos passes para o lado. No fim, perdeu chance claríssima em bola escorada por Rabello.


Matheus Fernandes: 8
O dono do meio-campo. Ocupou bem demais os espaços na marcação e saiu pro jogo com muita qualidade. Bons passes, dribles e lançamentos. É muito bom vê-lo jogar com personalidade. É outro que pode ter se despedido. 


Rodrigo Pimpão: 7
Correu demais, marcou muito, roubou bolas perigosas no campo de ataque e colaborou quando fez o simples. No ataque, não foi dessa vez que voltou a brilhar. No entanto, é titular absoluto no elenco atual. 


Leo Valencia: 8
É digna de aplausos a sua recuperação dentro do clube. Quando ninguém mais botava fé em seu futebol, mostrou finalmente boa adaptação e vem jogando o fino. Todas as jogadas passam por seus pés. Com confiança, deu bons dribles e abriu jogadas de maneira inteligente. Ótimos cruzamentos em bolas paradas, como no gol de Rabello. Que continue assim!


Luiz Fernando: 5,5
Não acompanhou o ritmo do restante do time. Uma ou outra boa jogada, mas ainda sem partir para cima. Irrita ao prender demais a bola. 


Kieza: 6,5
Boa movimentação para ajudar nas jogadas ofensivas. Teve má pontaria em alguns lances e azar em outros. Quase fez um gol de placa ao cortar para o meio e dar de bico com a canhota. Tem sido mais participativo e isso é importante. 


Renatinho: 6
Entrou para melhorar a movimentação pelo lado direito e foi mais efetivo que Luiz Fernando, embora sem muito destaque. Com uma sequência, pode melhorar. 


Ezequiel: 6,5
Entrou abusado e partiu para cima. Precisamos dessa característica. Quase marcou o seu e certamente ganhou pontos com Valentim. 


Dudu Cearense: sem nota
Entrou em campo só para lembrarmos que ainda é jogador de futebol. Recentemente, só aparece em entrevistas de TV e internet. 


Alberto Valentim: 8
Seu time mostrou ótimo jogo coletivo e teve funções muito bem definidas. Espero que tenha identificado o melhor posicionamento de cada um, percebendo, por exemplo, que Pimpão é mais efetivo que Aguirre como extremo - e o uruguaio, por sua vez, precisa jogar mais perto do gol. Com Ezequiel e Renatinho como extremos, falta apenas encontrar o melhor jogo para João Pedro. O time vai encaixando e a pausa para a Copa é uma oportunidade de ouro para treinarmos exaustivamente. 


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