Flamengo 2-0 Botafogo: fragilidade e oscilação que preocupam

Após esboçar uma boa atuação na derrota contra o Corinthians, o Glorioso voltou a sofrer gol comprometedor logo no início da partida e sofreu nova derrota por 2 a 0, dessa vez para o rival Flamengo. No entanto, a nova pancada foi muito mais dolorida: o time de Marcos Paquetá sequer esboçou reação durante os praticamente 85 minutos restantes na partida. 


É anormal e preocupante iniciar as partidas com tamanha falta de atenção e competitividade. O vacilo que aconteceu em São Paulo se repetiu no Maracanã e o adversário não perdoou: abriu dois gols de frente em seis minutos e dominou a partida por completo. O Botafogo, por sua vez, afoito e inseguro, sequer ameaçava a área do Fla - apesar dos espaços deixados desde o início.


O ótimo treinador rubro-negro escalou um time ousado, com apenas um volante na contenção e outros cinco atletas de alta capacidade ofensiva. Sequer deu tempo de descobrirmos se isso comprometeria o sistema de marcação devido aos dois gols relâmpagos - mas preocupante mesmo foi a total ausência de poder de reação: aceitamos o placar confortável para os caras e apenas esperamos o fim dos 90 minutos. Sem briga, sem luta, sem suor, sem raça, sem futebol. Sem nada. 


Vitor Silva/SSPress/Botafogo
Vitor Silva/SSPress/Botafogo

Ídolo Jéfferson falhou nos dois gols e saiu lesionado, tudo isso em 7 minutos.


Essa fragilidade nos faz ter uma natural desconfiança sobre o trabalho do técnico Marcos Paquetá, visto que sua contratação foi uma surpresa e o seu currículo não é nada animador. Evitei criticar pois sequer o conhecia, mas uma aposta como ele a essa altura mostra que nada aprendemos com o desastre que foi a efetivação de Felipe Conceição meses atrás. 


Na quinta-feira, no Estádio Nilton Santos, a prova de fogo para ele e todo o grupo: vencer a Chapecoense é obrigação. Em caso de novo resultado que não sejam os três pontos, a batata de Paquetá começa a assar. O que se desenhava como uma temporada sem sustos com Valentim - o que, na nossa situação financeira de 2018, é satisfatório - já ganha ares de sufoco até dezembro. 


Ao passo que os salários começam a atrasar e a gestão de Mufarrej é cada vez mais questionada por decisões no mínimo questionáveis, a torcida volta a enxergar os fantasmas que rondaram General Severiano há alguns anos. Tudo o que não precisamos é de um novo caos como na gerência de Maurício Assumpção. Espero que o tão prestigiado Anderson Barros consiga segurar a bomba desta vez. 


E, assim, seguimos. Com apostas cada vez mais arriscadas, com as contas cada vez mais apertadas e mal geridas, com as expectativas cada vez mais reduzidas. O coração aperta quando paramos pra pensar se o Botafogo conseguirá enfim reerguer-se e voltar a ser O Glorioso. Hoje, não somos nem sombra. 


Notas


Jéfferson: 3
O ídolo, desta vez, foi muito mal. Fez golpe de vista no primeiro gol e hesitou demais ao sair no segundo. Saiu lesionado e diminuiu ainda mais a nossa força para reagir. Recupere-se rápido, Capitão!


Luis Ricardo: 4
Uma avenida pela direita, lado por onde nasceram os dois gols do Flamengo. No ataque, uma água. Após a atuação animadora na última partida antes da Copa do Mundo, voltou bem abaixo. 


Joel Carli: 5
Nada pode fazer nos seis minutos de pane na zaga. Foi envolvido como toda a defesa. 


Igor Rabello: 4,5
Tentou voltar às pressas no segundo gol, mas não conseguiu evitar o domínio de Diego. No restante do jogo, apenas assistiu.


Moisés: 4
Queda brusca de rendimento, após chegar mostrando grande futebol na lateral-esquerda. Foi o único a não se movimentar e dar condição na retrógrada estratégia de linha de impedimento no segundo gol. Pouco apresentou-se no ataque. 


Rodrigo Lindoso: 4
Seja avançado, seja recuado, seu futebol continua desaparecido. Burocrático e sonolento, não faz o meio-campo andar. Já passou da hora de pegar um banco. 


Jean: 5
Zero pegada nos minutos iniciais, proporcionando diversos espaços em nossa intermediária. Não funcionou como cabeça de área e notoriamente não tem qualidade no passe para ajudar na criação. 


Matheus Fernandes: 7,5
Silencioso, jogou sozinho novamente. Bons desarmes, interceptações e movimentação ofensiva. Foi o único a tentar criar algo a partir da intermediária. 


Leo Valencia: 5
Irritante. Errou tudo o que tentou, perdeu todas na corrida e sequer fez cócegas no goleiro com seus chutes despretensiosos de fora da área. 


Rodrigo Pimpão: 5,5
Apesar de muita transpiração, não repetiu a boa atuação do segundo tempo contra o Corinthians. Ainda assim, segue como titular na minha visão. 


Kieza: 4,5
Completamente isolado e sem ser municiado, pouco participou do jogo. Nas únicas chances em que recebeu a bola em condições, finalizou mal. Outro que está em baixa. 


Saulo: 7
Entrou na fogueira e foi seguro nas vezes em que exigido. Boa defesa em chute perigoso de Paquetá.


Luiz Fernando: 5
Entrou e nada mudou no panorama do jogo. Até acertou bela cabeçada, mas estava impedido e o lance foi corretamente anulado. No mais, nada a registrar. 


Rodrigo Aguirre: zero
O uruguaio, maior aposta do clube para a temporada, até aqui, apenas passa férias no Rio de Janeiro. Segunda expulsão em mais uma atuação desinteressada, displicente e inacreditável. 


Marcos Paquetá: 2
Seu time voltou a sofrer gols no início da partida e não esboçou nenhuma reação. A linha de impedimento, famosa "linha burra", tão treinada por ele, já resultou em um gol adversário. Com três volantes, o time jogou recuado, não criou praticamente nada e jogou muito longe da área adversário; a presa perfeita. Foi classificado como "moderno e atualizado" pela diretoria mas, como bem apontou seu currículo, a situação indica o inverso. Como são apenas dois jogos, vamos aguardar um pouco - embora não tenhamos muito tempo. 


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