Botafogo 1-0 Chapecoense: obrigado, torcida

Nós somos guerreiros. 


Há muitos anos - 23, para ser mais preciso - o Botafogo vem deixando, temporada a temporada, de ser o Glorioso. O respeito que conquistou ao longo das décadas, desde que se começou a praticar futebol neste país, vai se diluindo perante as outras torcidas. Por anos e anos, dirigentes e jogadores medíocres vêm tentando se apossar do clube. Mas nós, não. 


Seguimos esguios, firmes, apaixonados, loucos e fiéis. Não há, no Brasil, uma torcida tão resistente como a nossa - que é uma fortaleza e jamais se renderá. Ainda que o título de 95 esteja cada vez mais distante na memória, ainda que Maurício Assumpção tenha destruído o clube por completo, ainda que dois rebaixamentos tenham posto nosso amor à prova - estamos aqui. 


Nesta semana, duas demonstrações de resistência. Pela primeira vez vi uma torcida protestar, não por times ruins ou más campanhas, mas posicionando-se contra um adiantamento financeiro. Já vimos esse filme antes e o final, embora já superado, foi trágico. O protesto #OcupaGeneral, legítimo e inédito, mostra o nosso cansaço diante de uma enorme sequência de gestões pífias e amadoras. 


Já nesta quinta-feira, no Estádio Nilton Santos, boa parte da torcida revoltou-se contra a postura desrespeitosa do lateral Marcinho - que, ao marcar um gol após ser vaiado, dirigiu-se à torcida com gestos bruscos de insatisfação, logo contidos pelo experiente Kieza. A atitude do atacante evitou um problema ainda maior nas arquibancadas. Talvez arrependido, o jovem voltou à frente de nossa gente para aplaudir, mas já era tarde: ouviu uma sonora vaia e alguns bons xingamentos. 


Vítor Silva/SSPress/Botafogo
Vítor Silva/SSPress/Botafogo

Marcinho revoltou-se contra a torcida, arrependeu-se e levou vaias


Tudo isso mostra que a nossa legião de loucos apaixonados está esgotada de tanto desrespeito, seja por parte de cartolas incompetentes ou jogadores mimados. Espero que seja o início de uma onda que leve a torcida ao poder de decisão em General Severiano, pois, como diz o ditado, o Botafogo somos nós! Ainda que há muito tempo marginalizados e ignorados pelas cabeças brancas que se reúnem para decidir o futuro de um clube centenário e vitorioso, estamos vivos. E vamos lutar pela nossa Estrela. 


Dirigentes e jogadores, preparem-se: é hora do verdadeiro patrimônio do clube tomar o lugar que é de direito. Mesmo que tentem nos barrar com promessas mal cumpridas, como o ridículo "sócio-torcedor com direito a voto" ou as reuniões secretas do Conselho. Mesmo com jogadores que não são nada, mas se acham maiores que a instituição. Mesmo com todo o ego e a incompetência que nos levaram para o buraco atual. 


Se há uma lição a se tirar dessa semana, ela é: jamais desistiremos do nosso Botafogo. Custe o que custar. 


Notas


Saulo: 6
Pouco exigido durante a partida. Esteve bastante ligado nas vaciladas da zaga, principalmente com recuos errados e perigosos. 


Marcinho: 5,5
Vinha fazendo uma de suas piores partidas pelo profissional. No entanto, foi premiado pela insistência e marcou um bonito gol de canhota. Na comemoração, vacilou ao deixar de aproveitar o momento para ganhar moral. Preferiu manifestar-se contra as vaias, mas foi seguro por Kieza a tempo de não fazer uma besteira maior. 


Joel Carli: 7
Jogou por uns cinco hoje. Ganhou todas na área, protegeu o lado de Rabello, saiu para dar combate no lugar de Lindoso e ainda cobriu os laterais. Incomodado com a passividade do time, até armar o jogo ele tentou. 


Igor Rabello: 5
Bem abaixo do seu nível habitual. Displicente e parecendo desligado, errou lances fáceis e expôs a zaga desnecessariamente. Quase deu um gol de presente ao recuar uma bola em direção ao gol.


Moisés: 5
Muita displicência e pouco futebol. Estava jogando para si, e não para o Botafogo. Quase entregou a paçoca algumas vezes lá atrás. 


Rodrigo Lindoso: 4
Está cada vez mais difícil de aturá-lo. Burocrático com seus toques para o lado e nulo na marcação, não agrega em quase nada. 


Matheus Fernandes: 8
Mais uma vez o melhor do time em campo. Aparecendo em todos os setores, jogou com classe e cabeça levantada. Quase fez um lindo gol de fora da área, mostrando evolução nesse recurso. Cansou no fim. 


Rodrigo Pimpão: 6,5
A luta de sempre, fechando o lado. Faltou aparecer mais na frente. 


Leo Valencia: 4,5
Depois de ótima sequência antes da Copa, definitivamente voltou ao normal. Apesar da boa movimentação, erra quase tudo que tenta. Sua desvantagem física fica cada vez mais evidente e comete erros que irritam a torcida.


Gilson: 5
Assustador vê-lo como ponta - e por vezes como meia, revezando com Valencia. Sua total falta de categoria com a bola o impossibilita de ser útil no terço final. 


Kieza: 6
Passou o primeiro tempo desaparecido, mas buscou mais o jogo na segunda etapa e deu duas boas assistências - uma delas, em gol bem anulado. Precisa sair mais da área para participar com sua velocidade.


Luis Ricardo: 4
Entrou mais cansado do que os que já estavam em campo desde o início. 


Renatinho: 4,5
Após uma péssima sequência de Leo Valencia, era só mostrar algum lampejo de bom futebol para roubar a vaga de titular. Não conseguiu. Se treina assim, está explicado o seu lugar no banco.


Ezequiel: sem nota
Entrou no fim e sequer encostou na bola.


Marcos Paquetá: 4
Seu time mostrou um futebol bastante pobre contra um dos piores times do campeonato. Praticamente não criamos chances de gol durante os 90 minutos. A invenção de Gilson como ponta e revezando com Valencia como meia foi assustadora e doeu os olhos. O time não demonstra um padrão de jogo e fica rodando a bola à espera de uma oportunidade cair do céu. Os próprios jogadores dizem não entender o que o técnico pretende. É preocupante a situação - que não podemos mascarar por conta de uma vitória. 


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