Internacional 3-0 Botafogo: hora de reconhecer erros

Foi feio, vergonhoso e constrangedor. O Internacional, em ritmo de treino, estraçalhou o Botafogo no Beira-Rio. Perdemos por 3 a 0, mas poderia ter sido de sete ou oito. O fato é que, se a escalação deu algum ânimo antes da partida, a execução em campo nos faz ligar o alerta vermelho em relação ao futuro. 


Somos um clube parado no tempo e isso não é novidade para ninguém. A necessidade de deixar para trás o feudalismo instaurado em General Severiano só é ignorado por quem já está lá e não larga o osso. O processo de profissionalização de todos os setores é urgente e, caso não aconteça muito em breve, coloca em risco até mesmo a nossa existência dentro do cenário nacional.


As afirmações acima não surgiram baseadas apenas no calor da derrota de hoje. Pelo contrário: se nos apegarmos apenas no dia-a-dia, jamais enxergaremos que é o macro que precisa mudar. Não é a ruindade do Gilson ou a insolência do Luis Ricardo que nos derrubam; é toda a gerência que afasta a torcida, concentra o poder e perpetua o fracasso que nos assola desde a virada do século. 


Reprodução Twitter / Botafogo
Reprodução Twitter / Botafogo

A cena que se repetiu pela terceira vez em 4 jogos: Paquetá justificando a derrota.


A curto prazo, resta torcer por algo bastante incomum: o Mais Botafogo admitir seus erros. Para salvar a temporada, já ficou nítido que precisamos de um treinador de futebol - algo que não temos atualmente. Tentei dar um mínimo de tempo para o Paquetá trabalhar, mas já ficou cristalina a sua incapacidade - que já era imaginável diante das credenciais. 


A mudança precisa acontecer agora. É bizarro demitir um técnico com quatro jogos, mas é mais ainda ser rebaixado três vezes. Não podemos passar por esse inferno novamente em nossa historia tão gloriosa. Precisamos tirar dinheiro de onde não tem e contratar alguém minimamente qualificado para organizar esse elenco - que, confirmando os boatos ouvidos nos bastidores, não está nem um pouco satisfeito com o trabalho do atual comandante.


Foi assombrosa a facilidade com a qual o Inter marcava gols em ritmo de treino sem precisar fazer a menor força. Na quarta-feira, voltamos a respirar ares internacionais e precisamos buscar essa classificação; não tanto por sonhar com o título, mas pela necessidade do dinheiro que a vaga traria: cerca de um milhão de reais na conta. Já pagaria uns cinco meses do salário de um técnico decente.


À torcida, tão massacrada nos últimos vinte anos, resta torcer e rezar. Apoio nunca faltou, mesmo que apenas vindo dos mais loucos e insistentes guerreiros que continuam a frequentar o Estádio Nilton Santos. Ainda que o mundo acabe, estaremos lá apoiando o nosso Alvinegro. No fundo de nossos corações, carregamos o amor incondicional e a esperança de que voltaremos às glórias.


Notas


Saulo: 5
Não falhou nos gols, mas demonstrou bastante insegurança e cometeu erros bobos. 


Luis Ricardo: 2
Não deveria mais vestir nossa camisa desde a risadinha naquele gesto do Bruno Silva dizendo que iria embora. Ainda assim, teve seu contrato renovado e hoje é uma vergonha em campo. Pode pedir música pelos três gols nas suas costas. 


Joel Carli: 5
Assim como todo o sistema defensivo, foi envolvido pelo ataque colorado. Precisou jogar por dois: ele e o lateral-direito. 


Igor Rabello: 4
Mais uma atuação ruim. Entregou um dos gols ao inventar na saída de bola e bateu cabeça o tempo todo. 


Moisés: 5
Burocrático, pouco ajudou no ataque. Na defesa, resistiu até onde pôde, mas falhou ao entregar a bola no terceiro gol. Saiu machucado. 


Jean: 5,5
Mostrou raça na marcação e bom combate na intermediária, mas sua contribuição com a bola no pé é nula. Ainda assim, é titular se comparado ao Lindoso. 


Matheus Fernandes: 6,5
Alguns erros bobos, mas novamente o único a mostrar algo. Sozinho na tarefa de fazer a bola sair do campo de defesa com alguma qualidade.


Marcinho: 4
Em seu primeiro teste como extremo, teve alguns lampejos no início do jogo, mas foi decaindo com o passar do tempo. Não recompôs como deveria e aumentou ainda mais o buraco pela direita. No primeiro gol, errou na saída de bola e ainda permitiu o chute de Pottker. Para quem não sabe, ele foi jogador de ataque durante toda a base, sendo improvisado como lateral no sub-20 e ficando por ali. Mostrou mais naturalidade, mas voltou a ser displicente demais perto do que exige a Série A. 


Renatinho: 5
Ganhou a chance que tanto precisava, mas se omitiu. Até se apresentou para receber na linha central, mas apenas rodou o jogo com passes para o lado. Precisa ser o Renatinho que arriscou um bom chute já no fim do jogo, e não o que esteve apagado nos outros 89 minutos. 


Luiz Fernando: 6,5
Começou muito bem com jogadas individuais pela esquerda, mas sumiu no decorrer da partida. Ainda assim, foi um dos menos piores em campo, lutando sozinho contra a marcação. 


Aguirre: 5
Se movimentou bem, mas quase não teve oportunidades. Desperdiçou boa chance de cabeça e deu dois bons chutes no final, mas acabou brigando com a bola quando saiu da área para participar mais. Ainda muito aquém do que esperávamos com sua contratação. 


Gilson: 4
Entrou pela lesão de Moisés e foi mal como quase sempre. Não é jogador para uma primeira divisão de campeonato brasileiro. 


Brenner: 5
Apesar da falta de ritmo, entrou brigando bastante. Também não recebeu bolas com possibilidade de finalização. Precisa receber mais espaço, pois é o melhor atacante do elenco. 


Valencia: 5
Em 20 minutos em campo, só conseguiu irritar com passes e domínios errados. 


Marcos Paquetá: 3
A escalação agradou boa parte dos torcedores, mas a execução foi novamente péssima. Em quatro jogos, sofreu sete gols e marcou apenas um. Três derrotas com domínio absoluto do adversário, apesar da boa atuação contra o Corinthians. Mesmo quando venceu a Chape, teve atuação sofrível. É um treinador fora do mercado nacional há quatorze anos e está visivelmente desatualizado diante dos métodos de trabalho dos nomes de ponta do país. Veio do inexistente futebol indiano e foi um tiro na água do diretor de futebol Anderson Barros - que precisa, além de assumir o erro, responder por ele. Cada rodada a mais com Paquetá como treinador é uma chance a menos de corrigir a cagada. 


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