Botafogo 0-0 Santos: a garfada do ano

Futebol é entretenimento, é alegria, é diversão, é integração, é amor. Futebol é o grande hobby de muitos de nós. É o que nos faz sair de casa às 2 da tarde de um sábado e só voltar à noite, ou mesmo sair direto do trabalho para o estádio em plena quarta-feira. É o que nos faz enfrentar a crise, o calor, o frio, a chuva, a violência, a incompetência dos dirigentes ou a ruindade do nosso time.


Só há, na minha opinião, uma coisa capaz de fazer até o maior fanático repensar a sua dedicação ao futebol: árbitros mal intencionados. Nem mesmo uma goleada para o seu maior rival dentro de casa é capaz de te tirar mais do sério do que sair do estádio com a certeza de que seu time merecia ter ganho, mas o juiz não deixou. 


Em tempos de "VAR" - só para alguns - presenciamos, hoje, no Estádio Nilton Santos, o maior absurdo envolvendo arbitragem em 2018. Um lance onde o bandeirinha não levantou seu instrumento em momento nenhum até que a bola estufasse as redes. Uma bola ganha no campo de ataque onde Renatinho vem de trás, ganha da zaga na velocidade e divide com o goleiro para marcar.


Vítor Silva/SSPress/Botafogo
Vítor Silva/SSPress/Botafogo

Renatinho ganhou de Vanderlei e fez o gol, mas o juiz nos roubou


Falou-se muito em interpretatividade, mas não há o que enxergar senão o roubo descarado do apitador Paulo Roberto Alves Junior e principalmente do assistente Pedro Martinelli. Luiz Fernando, impedido, parou para deixar a jogada prosseguir até o gol de Renatinho. Um lance até simples, como comentado pelos especialistas, mas a chance perfeita para nos garfarem 2 pontos. 


Amanhã, tudo segue como se nada tivesse acontecido. O Botafogo, novamente prejudicado em casa, entrará com uma representação - que não servirá de nada. Enquanto podemos perder até mando de campo devido a meia dúzia de torcedores que perderam a cabeça e jogaram latinhas em campo, tenho certeza que veremos o safado que apitou hoje na escala da próxima rodada - pois a corrupta CBF não é séria.


Falando um pouco de futebol, se é que isso é possível hoje: o time pareceu minimamente organizado, embora com muita dificuldade para criar. Os jogadores demonstraram bem mais vontade em campo, provando que realmente a tinham guardado no bolso sob o comando de Paquetá. O jogo não foi bom, mas a equipe se portou como deve fazer o mandante e pressionou durante quase todo o jogo. 


Vem aí Zé Ricardo, o segundo técnico de verdade, depois da curta passagem de Valentim. Tigrão e Paquetá são a exemplificação de que o barato sai caro quando você não tem critério e planejamento. Os salários eram baixos, mas jogaram fora milhões - como a classificação na Copa do Brasil. Boa sorte ao novo treinador; que trabalhe bastante, pois vai precisar. Vamos juntos.


Notas


Saulo: 7,5
Fez quatro ou cinco ótimas defesas, inclusive em lance duplo onde evitou o gol do Santos em lambança de Lindoso.


Marcinho: 6
Mesmo com muita dificuldade, teve bom desempenho na marcação de Bruno Henrique. Foi boa opção ofensiva, participando bastante com arrancadas e cruzamentos perigosos. 


Joel Carli: 7
Apesar de sua lentidão, foi bem contra o rápido ataque do Santos. Ótimo nas antecipações e no posicionamento. Vem ajudando cada vez mais na saída de bola. 


Igor Rabello: 6,5
Recuperou-se das más atuações recentes. Esteve bastante ligado na defesa e foi participativo no ataque. 


Yuri: 6,5
É o maior exemplo da filosofia que o Botafogo precisa adotar: antes de contratar um pereba (Gilson), olhe para sua base. O menino, que foi muito bem no sub-20 atuando como meia aberto pela esquerda, superou o nervosismo da estreia e o longo período sem jogar. Mostrou personalidade e habilidade em algumas arrancadas. Merece receber mais chances. 


Rodrigo Lindoso: 3,5
Destoou demais do resto do time. Errou passes bobos, deixou espaços na intermediária e foi pouquíssimo efetivo na criação de jogadas. Para completar, deu uma linda assistência.... para o Santos. Saulo salvou sua pele. Não pode mais ser titular. 


Matheus Fernandes: 7
Jogou por dois na marcação, com ótimos desarmes e antecipações. É uma formiguinha, importantíssimo taticamente para o desenho do meio-campo. Chegou com frequência ao ataque. Precisa apenas melhorar as finalizações - algo já admitido até por ele mesmo. É bem novo e vai crescer bastante. 


Luiz Fernando: 6
Alternou bons e maus momentos. Bem nas arrancadas e jogadas individuais, porém mal nos cruzamentos e nas finalizações. Desperdiçou boa oportunidade dentro da área. 


Leo Valencia: 5
Correu muito e não se escondeu do jogo em nenhum momento, mas esteve novamente muito mal tecnicamente. Chutes ruins de longe, boa oportunidade desperdiçada dentro da área e baixo aproveitamento nos cruzamentos. É outro que tem a titularidade ameaçada. 


Rodrigo Pimpão: 5,5
Dedicado na marcação, ajudando ambos os laterais. No entanto, a parte técnica voltou a pesar. Errou vários passes bobos, irritando a torcida e até sendo vaiado quando tentou enfeitar. 


Kieza: 5,5
Levou a melhor na disputa contra o gigante Gustavo Henrique, mas não foi bem como pivô e na movimentação ofensiva. Sequer participou das principais chances de gol. 


Renatinho: 6,5
Entrou melhorando a dinâmica do meio-campo, apesar de alguns erros bobos de passe. Merece receber uma sequência para ganhar ritmo e confiança. Recuperando o futebol que o fez despontar no Paraná, é titular absoluto. 


Aguirre: 5,5
É um touro, mas novamente foi pouco efetivo. Aparentou certo nervosismo, visto que está pressionado por boas atuações. 


Ezequiel: 6
Atuou por pouquíssimo tempo, mas foi bem ao aplicar a sua velocidade de maneira efetiva. Deu dois ou três dribles desconcertantes. Pode ser importante opção ofensiva para a segunda etapa. 


Bruno Lazaroni: 6,5
Acompanha o dia a dia do grupo e conseguiu, em uma partida, extrair mais que Paquetá em cinco. Conseguiu fazer o time entrar ligado e com vontade, pressionando o Santos - apesar da dificuldade técnica. Deixou boa impressão. 


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