Retrospectiva 2017: um ano de primeira para o Vozão

Estamos em janeiro de 2017. Mais um ano começa e o torcedor está cercado de desconfiança. Não acredita na diretoria. O ano de 2016 foi um fiasco: eliminações precoces na Copa do Brasil, Copa do Nordeste e Campeonato Cearense (este, inclusive, nos deixou fora da Copa do Nordeste 2017); perda de fôlego no segundo turno da Série B após bom primeiro turno. Parecia mais um ano fadado ao fracasso.


Falando assim, não parece que 2017 foi um dos anos mais vitoriosos da história recente do Alvinegro. Terminamos o ano muito bem: campeões do Cearense e com o acesso à Série A. Um ano para ser recordado. A união foi a marca desse grupo. Via-se isso até nas redes sociais dos atletas: o atacante Leandro Carvalho, que foi fundamental na campanha do acesso, postou um texto falando sobre amizade com os demais jogadores, por exemplo. E a diretoria acertou: manteve a base desse grupo para 2018.
Sem mais delongas, vamos relembrar como foi o 2017 do Vozão!


Primeira Liga


Sem conseguir obter a classificação para a Copa do Nordeste, o Ceará participou da Primeira Liga, torneio que ainda não emplacou. Caiu em um grupo complicado: América/MG (que viria a ser campeão da Série B), Flamengo e Grêmio. Esses últimos, porém, jogaram com times B ou até mesmo C. Essa competição só fez com que as desconfianças aumentassem: nos despedimos dela sem vitórias (tudo bem que sem derrotas), 1 gol em 3 jogos e eliminação na primeira fase. Uma curiosidade acerca da competição é que, no último jogo, contra o Grêmio em Porto Alegre, o Ceará enfrentou um jogador que viria a ser fundamental para o decorrer da temporada. Mas isso é assunto para os próximos parágrafos.


Copa do Brasil


O pior momento do time no ano. Devido às mudanças no regulamento, o Ceará enfrentou o Boa Vista/RJ, fora de casa, em partida única. Jogava por um empate e Gilmar postou o time com esse pensamento. Insistiu em peças como Sandro e Douglas Baggio e, para completar, colocou o zagueiro Luiz Otávio no lugar de Magno Alves no finalzinho da partida para garantir o 0x0. O detalhe é que ele já havia cometido o mesmo erro uma partida antes: sacou Arthur para colocar o zagueiro da base, Rômulo, com o intuito de garantir o 1x0, o que culminou com o gol de empate do Moleque Travesso nos últimos minutos. Dizem que não se pode esperar resultados diferentes quando se faz a mesma coisa. E foi o que ocorreu, da maneira mais dura que poderia ocorrer. Nos minutos finais, com um pênalti inexistente de um atleta contestado, Marcelo Nicácio (aquele mesmo!) sacramentou a eliminação do Mais Querido. Nem no pior filme de terror possível eu imaginaria isso. Essa doída eliminação culminou em cena lamentável no aeroporto, onde Dal Pozzo foi abordado por “torcedores”. Sem clima, o treinador foi demitido.


Campeonato Cearense


Sabe aquele “venceu, mas não convenceu”? Pois bem, foi por aí. Mas serviu para que fizéssemos uma base do time que por muito tempo será lembrado na cabeça do torcedor. Foi uma campanha com bons números de um time defensivo, no qual montou-se a base da defesa forte da Série B, com jogadores como Éverson, Rafael Pereira, Richardson, Luiz Otávio, Romário e Raúl. Este último, inclusive, para mim, foi o melhor jogador do certame. O volante voou no campeonato e, posteriormente, causou uma dor de cabeça boa na briga pela titularidade no meio-campo ao terceiro treinador do ano, Marcelo Chamusca. Porém, o Ceará não fez nada mais além do que o necessário para garantir o título do fraco Cearense.  Outros destaques: o centésimo oitavo título estadual de Givanildo de Oliveira e o centésimo (esse número real) gol de Magno Alves com a camisa do Vovô.


Site oficial do Ceará SC
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Ceará Campeão Cearense 2017


Copa Fares Lopes


Se a Primeira Liga não emplacou, o que falar da Copa Fares Lopes, equivalente a uma “Copa do Estado do Ceará”? Apesar de garantir vaga na Copa do Brasil, a competição não empolga nem mesmo as rádios locais, que só cobriram os clássicos-rei e as finais. Porém, a competição possui uma importante finalidade: dar rotatividade aos atletas suplentes e até mesmo auxiliares, como Daniel Azambuja e Erisson Matias. Nomes como Magno Alves, Valdo, Tiago Alves, Rafael Carioca e Arthur participaram de algumas partidas e foram importantes na Série B. O Ceará não fez uma campanha tão boa e parou nas quartas de final, eliminado pelo rival.


Campeonato Brasileiro Série B


Reservei o último espaço para essa campanha extraordinária do Vozão. A conquista do acesso estava engasgada, batemos na trave em 2013, 2014 e 2016. E em 2015, não gosto nem de lembrar daquele Ceará x Macaé, dá um nó na garganta.


O time encaixou de tal maneira na Série B que o acesso era iminente. Taticamente, tiro meu chapéu para o Marcelo Chamusca, todos os méritos a ele. Chamusca assumiu o time na décima rodada, após Givanildo de Oliveira ser demitido na oitava devido a dois maus resultados em casa, contra Santa Cruz e Luverdense/MT (que viriam a ser rebaixados depois, o primeiro com participação do próprio Givanildo). E ele mostrou seu cartão de visitas: envolto a suspeitas por ter sido treinador do rival e por lá ficar conhecido como técnico do quase acesso, comandou uma sapatada por 3x0 em cima do Oeste/SP, até então melhor defesa do campeonato.


Para mim, houve 3 partidas que vão ficar um bom tempo na memória do torcedor. Ao longo do texto as relembrarei.


O time começou a ganhar padrão tático, enquadrou uma boa sequência e entrou no G4 ao final do primeiro turno, muito graças à contratação de Lima, aquele que nos enfrentou pela base do Grêmio na Primeira Liga e, como tantos oturos, veio cercado por desconfianças. Início do segundo turno e uma leve oscilação. Fora do G4, o filme passou na cabeça do torcedor pessimista: mais uma vez o Ceará iria perder o fôlego. Aí entra a primeira partida a ser lembrada. Mais precisamente na 25ª rodada, o Ceará encarava o Brasil de Pelotas no Castelão e perdia a partida por 1x0 no intervalo, gol de Misael (se tem uma lei que funciona contra o Ceará é a Lei do Ex). A torcida não entendia a não escalação do meia Ricardinho e clamava por seu nome. O jogador entrou e marcou o gol da virada alvinegra. E um golaço, diga-se de passagem! A imagem do mito Ricardiniesta comemorando esse gol vai ficar por muito tempo na minha memória.


Site oficial do Ceará SC
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Ricardinho comemorando o gol da virada contra o Brasil/RS.


Com Ricardinho titular, o Ceará emplacou a sequência de 9 partidas sem derrotas, entrou no G4 e não mais saiu. Jogos memoráveis nessa sequência: vitória inédita (contra o Luverdense/MT fora); 3 vitórias contra concorrentes diretos (Vila Nova, Oeste e Paraná). Dentre eles, o segundo jogo memorável. Na 31ª rodada, em partida contra o Figueirense num Castelão com quase 40 mil pessoas, esperava-se a vitória. Porém o time vinha de uma sequência desgastante e não fez uma boa partida. O resultado é que perdíamos até os 49 minutos do segundo tempo. Eis que há uma falta longe do gol. Daqueles heróis improváveis: Pio ajeitou a bola com carinho e “fez seu confronto”. Com um petardo ultrassônico que realizou 83 curvas, o lateral/volante balançou as redes do Castelão com o gol que foi o mais bonito do Ceará no ano. O gol de Piorlo incendiou a Arena.


Site oficial do Ceará SC
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O herói improvável Pio.


Como terceiro jogo inesquecível, o seguinte a esse. Embora o resultado de empate contra o Figueirense não fosse o melhor possível, dadas as circunstâncias de como ocorreu, ele foi excelente. E deu gás para a partida seguinte, a mais difícil do campeonato: nada mais nada menos que o poderoso Internacional no Beira-Rio. E que partida. O Vozão foi lá e mostrou quem mandava. Diante de quase 40 mil colorados, Limessi (que havia perdido o avô na noite anterior) entortou a zaga e deixou Pelelton livre para marcar. Após isso, alguns milagres de Taffaréverson e uma vitória fenomenal do Vozão, que ali me deu a certeza de que subiria. E subiu uma rodada antes contra o Criciúma sem nem precisar entrar em campo! Com direito a recorde de público no jogo final contra o ABC, totalizando 56999 pessoas. Uma campanha para se exaltar!


Site oficial do Ceará SC
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O time comemorou o acesso antes do jogo contra o Criciúma.


Estatísticas


Em minha opinião, a formação ideal de 2017 foi: Éverson; Richardson, Rafael Pereira, Luiz Otávio, Romário; Raúl, Pedro Ken, Ricardinho; Lima, Leandro Carvalho, Elton. E, para finalizar a postagem, deixo abaixo alguns números individuais e coletivos do Ceará que apurei via planilha eletrônica. Que venha 2018!


Mário Henriques
Mário Henriques

Estatísticas coletivas do Ceará SC - 2017

Mário Henriques
Mário Henriques

Estatísticas individuais do Ceará SC - 2017