Ceará não começou o ano bem e isso não é o fim do mundo

E aí, alvinegro, fiquei esse tempo sem escrever devido a uma viagem no final das férias. Mesmo à distância, acompanhei os jogos do Vozão, fosse pelo radinho ou transmissão de Facebook e YouTube. E, em um intervalo de 12 dias, jogamos 5 partidas. Se não levássemos em consideração que tivemos apenas 14 dias de preparação, esse calendário já poderia ser considerado desumano. Imaginem que, de fato, só tivemos esse tempo de pré-temporada. 14 dias para que jogadores entrassem em forma e Chamusca encontrasse peças de reposição para as laterais de campo (tanto nas pontas do ataque quanto nas alas da defesa). Some-se a isso a contusão do xerife Rafa Pereira e os outros times, em geral, terem tido mais tempo de preparação. A defesa e as laterais vêm preocupando o torcedor e eu já havia feito uma ressalva sobre isso.


Pois bem, em 5 partidas disputadas por duas competições diferentes, o Ceará possui 2 vitórias, 1 empate e 2 derrotas. Na Copa do Nordeste, somos primeiros do grupo devido ao triunfo por 2x0 fora de casa frente ao Salgueiro. Já no Cearense, amargamos a 7ª colocação, fora do G6, grupo que se classifica para a fase seguinte.


Motivo para desespero? NÃO. Vi por aí torcedor pedindo cabeça de treinador, crucificando jogador, xingando presidente. Normal o torcedor se irritar. Eu mesmo me irritei sábado passado no Clássico da Paz com a falta de precisão na finalização. Mas em nenhum momento coloquei a perder o trabalho da diretoria (que vem sendo bem feito). Mas essa não é a pior parte. Torcedor é passional. Se tem dois ou três maus resultados, ninguém mais presta, é o fim do mundo. O que mais impressionou foi parte da imprensa querendo instalar de vez esse caos. Vi matéria monitorando rede social de ex-atleta do clube (que, diga-se de passagem, não faz NENHUMA falta), comentarista dizendo que Chamusca era entregador de camisa, dentre outras atrocidades. 


Site oficial do Ceará SC
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O torcedor deve filtrar essas notícias e entender que o momento é de PACIÊNCIA. Sim, paciência. Não adianta queimar um trabalho em seu início, por pior que pareça ser. E essas pessoas que estão trabalhando já provaram sua competência. Merecem o crédito. Além disso, é importante frisar que estamos mesclando o time devido ao calendário abarrotado de jogos. Com o tempo, o time vai pegar no tranco. Precisamos entender que ter uma pré-temporada durante a temporada é tarefa difícil.


Nessa semana, teremos uma sequência de provações. Duelo hoje à noite na Copa do Nordeste contra o CSA; quinta (1/2) contra Uniclinic e domingo (4/2) contra o rival pelo Campeonato Cearense; e quarta (7/2) contra o Brusque pela Copa do Brasil. Esse último, ao meu ver, é o mais importante, por se tratar de um jogo que vale R$950.000,00. Se eu fosse Chamusca, iria com time titular em todos os jogos, com exceção do jogo contra o Uniclinic, até por não poder utilizar os mesmos jogadores de terça. Tenho confiança que tudo vai correr bem nesses jogos e nem lembraremos do início não tão bom. Lembre-se, torcedor, não começamos bem. E isso não é o fim do mundo.


Como todo bom engenheiro gosta de contas, finalizo com alguns números e fatos inúteis (ou não) dos 5 primeiros jogos de 2018. 


1. O Ceará de 2018 é um time de muitos gols. É o melhor ataque desde 2015 nesse período de 5 jogos, porém tem a pior defesa no mesmo período. 10 gols marcados e 8 sofridos. Se em 2017 o time levou 7 gols em todo o Cearense, nesse ano já foram 8. Sinal de alerta na defesa.


2. Dos 10 gols marcados, 5 foram com a perna direita, 4 com a esquerda e 1 de cabeça. O time também fez 1 gol de fora da área e 1 de pênalti (obs.: em todo 2017, só fizemos 1 gol de pênalti). Andrigo, com 3 gols, é o artilheiro do time. 


3. Oito gols contaram com assistência. O lado direito se mostra produtivo no ataque, com 5 assistências saindo por ali contra 2 saindo pela esquerda. Só um saiu em jogada pelo meio. Andrigo, novamente, é o garçom do time com 2 assistências.


4. Com 4 pontos em 4 jogos no Campeonato Cearense, a campanha desse ano foi a pior desde 2005. Naquele ano, o Ceará somava 3 pontos em 4 jogos, com 1 vitória e 3 derrotas, tendo marcado 3 gols e sofrido 10 gols. 


5. O Ceará realizou 2 partidas como mandante (ambas no Campeonato Cearense) e obteve um déficit líquido de R$42.931,04. Isso só mostra que nosso estadual é péssimo para o time financeiramente. Além disso, é o tipo de campeonato que, se o Vozão vai bem, não fez mais que a obrigação e, se vai mal, a torcida fica à beira de um ataque de nervos. Não adianta se desesperar, torcedor. Esse time ainda vai engrenar!