Londrina 1x2 Ceará: sangue, suor e mais 1,4 milhão na conta do Vozão

Daqueles jogos em que você percebe o quanto vale à pena gostar de futebol. Ganhar é bom. Classificar-se é ótimo. Fazer gol nos acréscimos é excelente. Ganhar e se classificar com um gol nos acréscimos beira o êxtase. E foi o que aconteceu na noite passada para o Vozão. Soma-se a isso a gorda cota recebida pelo clube pela classificação: R$1.400.000,00. Uma noite memorável. 


O placar e o modo como ocorreu não refletem o que foi o jogo. O Ceará possuiu mais volume durante a partida inteira, mas abusou dos gols perdidos. O que torna o futebol impressionante é que nada é fácil. Principalmente quando se trata de Ceará Sporting Club. Incrível a capacidade que meu time tem para deixar as coisas mais emocionantes, por assim dizer. Tanto que a história a ser contada aqui poderia ser totalmente diferente se não fosse um ex-alvinegro. Explico. 


Desde o início do jogo, o Vozão mostrou que jogava pela vitória. Desfalcado de dois titulares nesse início de ano, Ricardinho por um entorse no tornozelo (7 a 10 dias fora) e Pedro Ken por uma indisposição estomacal de última hora, fomos a campo com Wescley e Juninho. E isso deu uma maior ofensividade ao time. Com maior posse de bola, o Ceará teve pelo menos duas chances claras para abrir o placar. Uma com Pio em chute que passou perto e outra com Wescley em chute travado. O castigo veio com um erro de arbitragem. A zaga cochilou e Carlos Henrique, impedido e matador, não perdoou. Quem achava que o Ceará sentiria o baque, se enganou. O time continuou criando, mas, em jogada infantil, foi marcado um pênalti para o Londrina. Aí que entra o ex-alvinegro. Germano, aquele mesmo dos cabelos esvoaçantes que fez um bom 2005 pelo Ceará, bateu longe do gol. Ufa. 


Veio o segundo tempo e o Vozão só melhorou. Mas a má pontaria continuou e outras chances foram perdidas. Juninho, que até então vinha com a famosa zica, ia guardando o seu em boa defesa do goleiro adversário. O arqueiro salvou novamente em boa finalização de Azevedo. Eis que a zica de Juninho decidiu se encerrar. Germano fez uma falta na entrada da área e levou amarelo. Juninho ajeita com carinho e marca seu primeiro gol com a camisa alvinegra. Um golaço que ficou mais bonito ainda dada sua importância. No lance seguinte, Germano comprovou que, apesar de ter saído do Ceará, o Ceará não saiu dele. Em lance desnecessário no meio-campo, o capitão do Tubarão calçou Elton e levou o segundo amarelo, deixando o Londrina entregue no jogo. Aí foi ataque contra defesa (mais ainda). Chamusca colocou o time para cima com as entradas de Luidy, Roberto e de um jogador que vem se tornando cada vez mais predestinado. 


Site oficial do Ceará SC
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Luidy mais uma vez entrou bem no jogo.


A estrela do menino Arthur Cabral brilha cada vez mais. Chamusca parece saber disso e acerta sempre a hora de colocar o menino. Aos 48 minutos, quando todos já estavam preparando o terço para a infeliz disputa por pênaltis que viria, o prata-da-casa do Vozão deixou o dele em uma cabeçada indefensável. A adrenalina foi a mil, devo ter incomodado alguns vizinhos e decidi que meu filho vai se chamar Arthur Chamusca Henriques, mas o importante é que o Vozão garantiu a classificação. Com ela, conseguiu também uma cota milionária que vai nos ajudar muito no decorrer do ano. Queria parabenizar meu amigo Gabriel Brandão, que cantou a pedra ao falar que o jogo seria 2x1 com gol do Arthur. 


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Arthur Cabral é o talismã alvinegro.


Para finalizar, algumas curiosidades acerca do duelo do Vozão. Arthur se tornou o artilheiro do ano com 5 gols (marcou em todas as competições que disputou). Além desse, o garoto já havia feito um gol decisivo que deu a classificação em uma Copa do Brasil. Foi em 2015, quando vencemos o Tupi/MG por 2x1. Foi a primeira vitória do Ceará contra o Londrina no Estádio do Café. Por falar em primeira vez, o Ceará marcou também o primeiro gol de falta no ano. Além disso, foi a segunda vitória de virada no ano e, assim, já superamos o número de viradas em 2017. Ano passado, só conseguimos virar um jogo, aquele memorável 2x1 contra o Brasil de Pelotas. Um fato curioso também é que, em duas partidas pela Copa do Brasil, os dois adversários tiveram um ex-atleta do Alvinegro expulso cada. Como na próxima fase nosso adversário é o Atlético/PR, bem que o Nikão poderia dar aquela forcinha, né?