O Ceará de Chamusca é um time bem metódico. Mas tudo em excesso pode fazer mal...

Marcelo Chamusca é um excelente treinador. Conhecedor do futebol como poucos, o baiano entende MUITO MAIS QUE EU de tática, posicionamento e do jogo em si. Ano passado, assumiu um bom time desacreditado e fez com que se tornasse um ótimo time bastante confiante. Esse ano começa com um aproveitamento excelente de 72%, isso porque tem que mesclar duas equipes (a chamada titular e a reserva) devido ao calendário. Fora contusões, comuns em início de temporada. Não fosse isso, provavelmente o Ceará teria um aproveitamento ainda melhor.


Por ser muito bom, Chamusca crê muito em suas convicções. Convicões essas que fazem com que o time tenha um papel tático quase que impecável. Entra peça, sai peça, o time entende bem o que o treinador quer e, na maioria das vezes, corresponde. Isso faz com que o time seja bem metódico. E isso é bom. Até certo ponto.


Como todos sabem, tudo em excesso faz mal. E o que venho notando nos últimos jogos é uma certa demora para mexer no time quando necessário. Uma espera excessiva de um desfecho para, enfim, mudar. Até aqui, não nos custou caro. Mas, mais para a frente, pode custar. E, às vezes, essa mudança é necessária pelo fato de Chamusca optar por jogadores que não vem rendendo tanto quanto outros.


Site oficial do Ceará SC
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Chamusca tem o grupo na mão


Exemplo disso é Arthur Cabral e Wescley no banco. Ambos, quando entram, costumam incendiar a partida. Porém, Chamusca insiste em colocá-los apenas no segundo tempo. Felipe Azevedo e Elton não vêm mal, mas não vêm bem como esses dois. Azevedo, aliás, está sendo sacrificado de ponta. Seus melhores momentos na carreira ocorreram quando jogou de segundo atacante. Nesse esquema atual, não vejo espaço para ele.


Nas laterais, não concordo com a insistência em Pio e Rafael Carioca. Ambos não vêm bem e, por vezes, mostram uma certa displicência com dribles ou chutes desnecessários. Na direita, imagino que fosse o momento de testar Leandro Silva ou até mesmo Richardson, dando uma maior solidez defensiva. Na esquerda, Romário vem para assumir a titularidade. Por enquanto que não é regularizado, testaria Ernandes ou Felipe Jonatan.


No meio, acredito que Chamusca foi perfeito ao sacrificar Ricardinho por Andrigo. Explico. No último jogo, contra o Sampaio Corrêa, vi muitas críticas à atuação de Ricardinho. Já a Andrigo, só elogios. Mas a análise deve partir também taticamente, sem a bola nos pés. Ricardinho fazia a cobertura não só de Andrigo, mas também de Rafael Carioca. Isso fez com que Andrigo ficasse mais livre para flutuar pelos lados por não ter tanta obrigação para marcar quanto vinha tendo. Por vezes mudou de posição com Ricardinho e infiltrou pelo meio, onde joga melhor. Se ofensivamente Ricardinho não apareceu, defensivamente foi perfeito.


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Andrigo joga muito mais quando tem menos obrigação defensiva


Para resumir a postagem, eu testaria um time diferente. Não sei se o jogo decisivo contra o Atlético/PR é o ideal para isso, mas uma hora ou outra será necessário. E meu time seria Éverson; Leandro Silva (Richardson), Rafael Pereira, Luiz Otávio, Ernandes (Felipe Jonatan); Richardson (Raúl), Juninho, Ricardinho; Andrigo, Wescley, Arthur Cabral. Não podemos achar que o time que vem vá começar mal e sempre os reservas entrarão e darão conta do recado. Já são 3 jogos decididos no final. No 2x1 contra o Sampaio Corrêa (placar acertado pelo meu amigo Rodrigo Holanda), a bola entrou no último minuto. Mas, às vezes, não dá tempo.


Concluindo, acho que Chamusca é um excelente treinador e tem o grupo na mão. Corrigindo esses aspectos citados, temos tudo para seguirmos fortes. Agradecimentos ao João Quixadá, dos TwitteirosCSC, pela ideia de postagem. Bora, Vozão!