A vitória não veio, mas a estreia do Vozão em casa dá esperanças


Voltamos para casa na Série A, torcedor. Após 6 anos longe (se contarmos partidas no Castelão, esse número aumenta para 7), o Vovô reestreou em casa. O torcedor fez bonito e tivemos um público superior a 30000 pessoas. A esperança é que domingo que venha seja maior ainda. E se não foi uma estreia com o resultado que queríamos, foi uma estreia que nos deu esperanças. Com um time ainda sentindo falta de peças fundamentais como Ricardinho, Pedro Ken e Richardson, o Ceará empatou com o bom São Paulo. 


Ygor de Castro (@heroialvinegro)
Ygor de Castro (@heroialvinegro)

A torcida foi sensacional na estreia do Ceará em casa.


Para início, acho que o resultado foi justo. Não fizemos por onde vencer a partida, ao meu ver, assim como o adversário não o fez. Um típico 0x0. Mas notamos uma mudança na postura do Ceará que jogou contra o Santos no sábado retrasado. O time se mostrou bem menos nervoso e conseguiu se postar melhor no ataque, criando algumas (poucas) chances. Mas ainda é pouco. 


Digo isso pois nosso time apresentou um buraco no meio campo. Esse buraco, inclusive, sacrificou muito o futebol de Arthur, que muitas vezes tinha que voltar para receber a bola. Isso fez com que o centroavante corresse muitas vezes sem necessidade, causando muito cansaço, o que culminou na sua substituição ainda aos 26 minutos do 2º tempo. Elton, que entrou, também pouco fez. Mas os isento, fica difícil ser centroavante dessa forma. Ainda sobre esse buraco, nem pelas pontas tivemos muitas jogadas. Wescley, que é o jogador encarregado de romper a defesa adersária, sente muita falta de Ricardinho. Ele não consegue ser aquele cara incisivo, que parte para cima. Me parece muito tímido e isso com certeza é devido a ausência do meia cerebral. A entrada de Roberto surtiu um certo desafogo pela direita, mas ainda longe de ser algo produtivo. 


E pelo outro lado tínhamos Felipe Azevedo. Ah, Felipe Azevedo. Eu sei de seu futebol. Joga muito, enumero entre os 10 melhores atacantes que passaram aqui nos últimos 10 anos. Porém, o jogador parece estar com aquela famosa "zica". Muitas jogadas importantes caem em seus pés e não desenvolvem. Foi assim naquele lance em que driblou o goleiro e não concluiu bem contra Atlético PR no jogo da ida da Copa do Brasil, foi assim no contra-ataque em que errou um passe contra o Santos e no outro lance levamos o gol na primeira rodada, foi assim na bela bola enfiada por Naldo contra o São Paulo. Tenho na minha cabeça que, além da "zica", Felipe está sendo sacrificado na posição de ponta com obrigação de marcação. Acho que jogaria melhor enfiado como segundo atacante ou até mesmo falso 9, onde chegaria mais inteiro para finalizar. Dá a impressão que falta perna, com o jogador chegando cansado para concluir. Mas esse posicionamento vai de encontro ao esquema de Chamusca.


Site oficial do Ceará SC
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Felipe Azevedo tem muito mais bola do que vem apresentando.


Não tivemos o famoso "10". Acho que era para ter sido Juninho. Não que o meia tenha feito uma má partida, porém explico o que enxerguei. Chamusca mandou a campo um meio-campo com dois alas, Arnaldo e Rafael Carioca, e dois meias que teriam que marcar e armar (principalmente Juninho). Porém, devido à ineficiência de Pio na marcação, Juninho teve que se desdobrar. Tanto que com a entrada de Naldo (que entrou muito bem, tomou conta da volância alvinegra), Pio foi para a ala e melhorou bastante, assim como Juninho também. Minha crítica ao meia não é pelo jogo em si, mas pelos momentos em que o jogador é inconstante. Meio que sem vontade, sei lá. Isso é notório em alguns passes desnecessários errados, alguns lançamentos com aquele "pezinho de cachorro" (como tenho raiva disso) e em cobranças de escanteio que deixam a desejar. Consertando isso, Juninho vai nos ser muito útil.


Chamusca mudou o esquema para esse jogo, saindo de seu 4-5-1 clássico para um 3-4-3. Me gerou desconfiança no início, confesso. Não sou o maior fã de três zagueiros. Porém, o time foi interessante. Salvo algumas falhas em posicionamento (coisa normal para quem vinha jogando há quase um ano em um esquema e em uma semana mudou), o time se postou bem, com uma defesa muito sólida. Valdo, Tiago Alves e principalmente Luiz Otávio fizeram um partidaço. Se o São Paulo não desenvolveu muitas jogadas ofensivas, o trio teve bastante mérito por isso. Mesmo sendo posições diferentes, alguém mais lembrou do trio de ferro de 2009 a 2011? Assim como eles, nossa tríade de zagueiros não deixou o adversário jogar.


Site oficial do Ceará SC
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Luiz Otávio foi monstro


Desenvolvendo para a atuação dos alas, gostei bastante de Arnaldo. Acho que finalmente encontramos nosso 2. Não entendi a opção de Chamusca por Rafael Carioca. Esse, infelizmente, não vem mostrando bola nenhuma. Você percebe o grande esforço do rapaz, mas não dá. Lembrando que temos opções mais interessantes para a posição, como Ernandes e principalmente Romário, para mim o dono da posição. Finalizando com nosso paredão, Éverson Felipe. Temos um excelente goleiro. Embora não tenha sido muito exigido, ele demonstrou que tem nível e potencial enormes. Com duas belas defesas, impediu que o time fosse vazado e só confirma o que já sabíamos: temos um goleiro classe A. 


Fica aí mais uma demonstração do que eu já havia dito. O Ceará precisa contratar meias e pontas pra ontem. Aliás, pra 30 de março, quando eu já havia alertado para isso. Especulou-se sobre Robinho, do Fluminense. Foi muito bem no Figueirense, mas não teve muitas chances no tricolor carioca. Acho que seria uma excelente contratação, viria para somar. Outro nome lembrado foi João Pedro, encostado no Atlético PR. O meia fez ótimo 2017 pelo Paraná e viria para somar também.


Finalizo a postagem apenas dizendo: Pedro, Ricardo e Richardson, voltem o quanto antes. Por favor.