Com empate em casa, Ceará completa 37 dias sem vitória

Até esse início na Série A, jogo do Ceará gerava uma certa ansiedade gostosa. Aquela vontade de ver o time atuando. Ultimamente vem me gerando uma angústia. Na partida de ontem, só pude começar a acompanhar depois dos 15 minutos iniciais. Ouvi na rádio no caminho de volta pra casa entre os 5 e 15 minutos, não sabia do gol do América aos 2. Quando finalmente chego em casa e estou a caminho do elevador, eis que Pedro, porteiro noturno e torcedor do Vozão, diz: “Já estamos na peia, Marim”. Desencorajador.


Já comecei a ver o jogo desanimado. E o que vi no primeiro tempo me desanimou mais ainda. Erros sucessivos, uma zaga perdida, alas do campo nulas. Não vou perder tempo falando sobre as atuações (mais uma vez) horrendas de Rafael Carioca e Felipe Azevedo pela esquerda. Suas titularidades são injustificáveis. Dizem que costumo pegar no pé de Juninho. Também não vou focar na partida com mais erros que o comum do volante.


Ontem, assim como quinta-feira contra o CRB pela Copa do Nordeste, a zaga foi bem mal. O setor defensivo em geral. Se Luiz Otávio ganha todas no um contra um, o sistema não funciona como um todo. Pio não consegue marcar e isso foi demonstrado com 2 minutos de jogo. Aliás, o lateral gera um dilema na torcida. Se por um lado entrega gols, por outro o time sofre de uma espécie de Pio-dependência. Nos últimos dois jogos, marcamos cinco gols, sendo dois dele e três com assistência dele. Fora os chutes perigosos de longe que, justiça seja feita, o camisa 30 acerta como ninguém. Pode parecer loucura, mas começo a cogitar colocá-lo de ponta, posição que não se veria como último homem da marcação.


Site oficial do Ceará SC
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O time parece sofrer Pio-dependência


Ricardinho até impõe certo ritmo na partida, mas ontem também não foi bem. Não vou ser hipócrita de desmerecer o sistema defensivo do coelho mineiro, que tratou de anular nosso maestro. Ainda assim, faltou ao meia conseguir se desvencilhar dessa marcação. Pelo menos, uma coisa não falta ao ídolo: raça. Ah, isso ele tem de sobra. Espero que esse jogo tenha sido apenas um ponto fora da curva do meia.


A César o que é de César: Éverson (sempre bem quando acionado e sem culpa nos gols), Richardson (com sua regularidade assustadora) e Elton fizeram boas partidas. O terceiro, inclusive, mostrou que é muito importante ao time (já havia dito isso aqui). Às vezes, a torcida pega no pé de alguns jogadores sem razão aparente. Elton é um deles. O centroavante se mostrou bastante brigador lá na frente, sendo coroado com um gol. Gol merecido para dar confiança. Além disso, foi decisivo no gol de empate.


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Elton vem bem e pode ter confiança aumentada com gol de ontem


Marcelo Chamusca não parece mais ter o grupo tão na mão assim, como diversas vezes eu disse que ele tinha. Ontem, insistiu em erros que espero que não se repitam. Na escalação titular, não tinha porque insistir em Rafael Carioca e Felipe Azevedo. Esses, claramente, estão em péssimo momento. Tanto que ele acertou ao tirar o atacante ainda no intervalo, poupando-o das vaias que certamente viriam. Éder Luís, seu substituto, pouco produziu, muito devido à sua falta de ritmo. Fez outra mudança que já havia testado, colocando Arthur junto com Elton e sacando Juninho. O jovem, novamente, entrou bem.


Porém, Chamusca esbarrou em uma decisão errada: a entrada de Juninho Piauiense no lugar de Wescley. O polêmico atacante já havia declarado que não jogava pelas pontas e que era “foda na sua posição”, centroavante. Posição essa que já contava com dois atletas em campo. Sobrou ao JPi atuar pelas pontas. E ele provou que realmente não é jogador de ponta, demonstrando não ter habilidade nenhuma com a bola nos pés. Ainda conseguiu fazer um lance de efeito, mas foi, como nós cearenses gostamos de dizer, na cagada.


E assim, com um time totalmente desorganizado, tentamos o empate até o final. Não faltou raça, faltou qualidade mesmo. Em um lance discutível no final, meio que no bambo, Elton dominou na área, a bola sobrou para Arthur, que chutou no goleiro. O juizão ídolo, que havia deixado o jogo correr (não existe vantagem em pênalti), apontou pênalti em Elton. Confesso a vocês que revi o lance 5 vezes e não consegui enxergar tal pênalti. Se fosse ao contrário, eu estaria louco da vida aqui. O fato é que Pio cobrou muito bem e garantiu o empate.


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Marcelo Chamusca precisa parar de insistir em algumas convicções


Esse empate, pelas circunstâncias, foi bom. Mas é preciso lembrar que o time jogava em casa contra um adversário direto na briga contra o rebaixamento. Com todo o respeito que o América merece, não podemos perder pontos assim em casa. O início continua sendo desastroso e não aguento mais ouvir em “evolução”. Um aspecto importante foi o bom público, apesar de tudo. Colocamos 14914 pessoas, maior público dos jogos de segunda-feira até então no Brasileirão. A torcida está finalmente chegando junto.


Acho que faltou planejamento à diretoria. Parece que não entenderam como funciona a Série A e estamos muito mal no quesito contratações. Nenhuma empolgou e, apesar de eu ser do tipo "vou esperar jogarem", não parecem ser soluções pelo pouco que mostraram. Posso queimar minha língua (e espero que queime), mas é o que vejo. Precisamos de reforços. Para o mês passado. Já são 37 dias sem ganhar. E contando.