Cartas da terra de Condá #3 - O que repercute

Sirli Freitas/Chapecoense
Sirli Freitas/Chapecoense


Achei que não voltaria a falar da temporada nesse ano, mas o jogo contra o Sport neste domingo (5) não poderia passar batido.


Na semana passada, um ex-presidente do Sport, Luciano Bivar, deu uma entrevista a uma rádio de Recife que rapidamente se espalhou pela internet. Ao falar sobre a situação complicada do Leão no Campeonato Brasileiro, Bivar foi além da crítica ao time: sugeriu que algo deveria ser feito “extra-campo” para evitar a derrota para a Chapecoense na rodada seguinte do Brasileiro. Disse que a diretoria, alguém “mais experiente” deveria procurar a própria CBF para conversar sobre “uma série de coisas paralelas” (está nesse link aqui, se quiser conferir).


Entendi que Bivar também é um torcedor apaixonado por seu time, que não quer vê-lo rebaixado, e que sua sugestão não foi uma forma de subestimar a Chapecoense exatamente, mas sim com a recuperação do Leão e a manutenção na Série A - temos isso em comum, certo, Bivar? Mas mesmo tendo entendido a fala do ex-dirigente sem negatividade, dei uma gostosa gargalhada depois de ouvi-lo.


Em 2012, mais ou menos nesta época do ano, quando a Série C estava na reta final e apenas dois jogos nos separavam da tão amada Série B, criou-se um climão de guerra entre Chapecoense e Luverdense. Não necessariamente entre os clubes em si, mas em comentários de blogs, tópicos no quase finado Orkut, rádios e afins. Alguns até traziam o jogo como o grande momento de vingança do futebol do sudoeste, lembrando da grande final da Série D de 2009 contra o Araguaia.


Tudo ficou ainda maior depois que a Chapecoense venceu o primeiro jogo, no Regional Índio Condá. Por decidir o acesso em casa, o Luverdense chegou em Chapecó colocando banca. Em campo, a Chapecoense venceu por 3 x 0, placar que não somente poderia ter sido mais largo como foi aberto por gol contra de Julio Terceiro. Henrique e Jô fizeram os outros dois. Até o jogo de volta, que será assunto do próximo post, quando classificamos mesmo perdendo por 1 x 0, a imprensa não sossegou por um minuto.


Quando ouvi o áudio da entrevista de Luciano Bivar, lembrei imediatamente do fim de 2012. Não pelo resultado do jogo, mas pelas proporções. Em termos de "extra-campo", um áudio como aquele mais nos faria rir do que preocupar. Em 2012, mesmo a provocação intensa entre as duas torcidas e as duas imprensas não tirava nossa paz. Não nos tirava do “sério”. A felicidade ansiosa daquele fim de Série C nos completava, mesmo sendo quase que um segredo para parte de quem hoje torce e admira a Chapecoense. Não foi o extra-campo que nos fez ganhar ou perder.


O Luverdense não foi o primeiro nem o último time a subestimar a Chapecoense. Mas sobrevivemos, e muito bem. E vamos continuar sobrevivendo, pois é o que sabemos fazer. Vamos permanecer na Série A em 2018.