Com paixão, sem afobação: a nova temporada da Chapecoense

Iniciou nesta semana mais uma temporada para a Chapecoense. Na última quinta-feira (4), aconteceu a reapresentação dos atletas e da comissão técnica com o elenco praticamente completo - alguns ainda não haviam voltado de suas férias e outros ainda não tinham confirmação, nada de anormal. Dentro do vestiário, onde aconteceu a apresentação, o clima era de tranquilidade e de descontração entre os atletas - inclusive com rodinha de “2 ou 1” e peteleco na orelha. A semana ainda teve avaliações físicas e treino no campo.


Rui Costa, o primeiro a falar na apresentação, destacou que o grande objetivo da diretoria de futebol era a manutenção do elenco de 2017. Ao todo, 31 atletas se apresentaram para vestir a verde e branca na temporada, com 17 baixas em relação ao ano passado e apenas cinco novidades: o goleiro Ivan, os laterais esquerdo Bruno Pacheco e direito Eduardo, e os atacantes Vinícius e Guilherme. Na apresentação, Rafael Thyere e Márcio Araújo ainda não estavam confirmados, o que veio a acontecer só no dia seguinte.


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Em sua fala, Rui mencionou aos recém-chegados que o ambiente onde jogarão neste ano é composto por muita união, lealdade e transparência, sobre um lugar onde não há espaço para desconfiança. Falou sobre a cobrança desse ano ser maior, sobre priorizar quem quer estar inteiramente aqui. Mas uma frase dita pelo dirigente foi parar direto no bloquinho onde eu anotava o que aqui escrevo: “neste ano não somos mais a surpresa, somos a certeza”.


É real. Em face ao bom trabalho realizado no ano passado, de montar um time sem poder errar e de matar no peito todas as responsabilidades que vieram, a Chapecoense ganhou o devido reconhecimento - e ainda bem! O respeito dos outros times em nos ver como adversários de verdade, sem comiseração, foi a maior homenagem que nos poderiam ter prestado, e isso se pagou. A Chapecoense foi capaz de se reinventar e construir essa confiança que hoje habita o vestiário.


Sirli Freitas/Chapecoense
Sirli Freitas/Chapecoense

Presidente destacou o acordo para chegar na primeira página da tabela em 2017 e o esforço para que acontecesse


Maninho, como sempre, deixou todos sem palavras com seu discurso. O presidente começou falando sobre os desafios da temporada passada, sobre rodar 175 mil km - 4x a volta ao mundo - em um ano, sobre ter 16h entre o retorno do Japão e a apresentação para o jogo contra o Palmeiras, e falou sobre ousadia, em duas frases que ficaram guardadas. “Não vejo sucesso na vida sem determinação e se não levarmos isso com paixão e coração”. “O homem tem que ousar ou ele desaparece. A vida é muito curta, e não seria digno passar por ela como um ser insignificante”. Jamais passaremos.


No canto, perto de onde a comissão técnica e a diretoria também aguardavam, estava Neto. Como os demais, fardado, com uma expressão leve no rosto, e em silêncio. Não lembrava em quase nada o Neto que se apresentou em 2017 sem saber se jogaria, com jeito frágil e olhar profundo. Ao olhar para Neto, lembrei rapidamente do ano que passou, da batalha travada por ele para estar de volta aos gramados. Seu silêncio carregava tudo isso - a luta de todos para que a vida seguisse como seguiu. Que dádiva tê-lo como nossa conexão entre o passado, o presente e o futuro - e que dádiva ter uma referência de esforço e paixão dentro do nosso grupo. Habemus capitão. Pode vir, 2018.