Da Libertadores ao Catarinão: mudança sutil de foco

Na noite de ontem (7), com uma derrota para o Nacional do Uruguai, a Chapecoense foi eliminada da Copa Libertadores 2018.


Do alto dos Alpes Chapecoíços, só posso imaginar como essa manchete deve soar aos ouvidos dos torcedores de qualquer outro “time grande”. O horror, a devastação, ser desclassificado, Deus que ajude. Fórmulas e debates e horas dedicadas a reunir argumentos que justifiquem o adeus. Mas acho graça, de verdade, quando vejo que aqui em Chapecó o que está grifado na manchete do jornal não é “eliminação”. É “Libertadores”.


Apesar de curta, a passagem da Chapecoense pela Libertadores trouxe toda a elegância avessa e afiada de uma competição continental. Mesmo sem querer, cada campo vira uma ladeira por onde desfilam estratégias e triangulações - uma orquestra de lata acompanha, com um incansável coral etílico, de tantas dimensões diferentes que parece que o universo todo é feito só daquilo. Quem disser que não se contagia, está mentindo.


ESPN.com.br | Nacional/URU 1 x 0 Chapecoense


O climão da Libertadores pega mesmo e dentro de campo isso se viu. No jogo de ida, ao mesmo tempo em que a Chapecoense tentava identificar espaços para criar jogadas, o Nacional rapidamente levantava a marcação. No decorrer do jogo, o Nacional se mostrou mais eficiente no contra-ataque e conseguiu desestabilizar o time de Gilson Kleina, que terminou com 9 em campo por pura afobação. No placar, números que poderiam estar em reverso com tranquilidade.


Já em Montevideo, a Chapecoense chegou a demonstrar valentia ao ir para o ataque nos primeiros minutos, mas nos 30 do primeiro tempo o “campo de batalha” ficou claro como a neblina. Já se via a equipe desestabilizada com o gol temporão do Nacional, que conseguiu se avolumar em campo após a entregada de Marcio Araújo - a escolha previsível seria equilibrar o meio de campo o quanto antes, mas como se faz isso sem opções de armação?


Entra aí o motivo pelo qual a eliminação da Libertadores não soa como o fim do mundo. Foi bravura tentar bater de frente com um tricampeão da América em pleno Grand Parque Central mal conseguindo fazer a bola chegar com qualidade na pequena área. E foi um grande lance de experiência ver a calma com que o Nacional lidava com sua enésima Libertadores enquanto para nós aquilo tudo viria a ser uma aula.


Pesa na eliminação todos os “poréns” possíveis: o início de temporada, as peças de elenco que ainda faltam, o fato de que poderia haver mais coesão, a agenda apertada e a grandeza da Libertadores por si só.


E a manchete do jornal no dia seguinte tem ainda mais graça: o retorno de Montevideo precisa ser rápido, pois na semana da Libertadores ainda dois adversários aguardam no calendário do Campeonato Catarinense. Vida que segue. Vamos em busca de estampar “campeão” na manchete de um jornal qualquer de 2018.